Música

Guilherme Arantes diz que suas músicas serão mais valorizadas daqui a muitos anos

Cantor lança projeto com 90 de suas canções acompanhadas de depoimentos

Cantor Guilherme Arantes posa com blusa cinza e camisa azul
O cantor Guilherme Arantes registrou 90 de suas obras em projeto de vídeo - Daryan Dornelles/Divulgação

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Leandro Vieira
São Paulo

Guilherme Arantes diz que tem a curiosa sensação de que suas músicas serão mais valorizadas daqui a muitos anos. Por isso, ele encontrou um jeito de registrar, sozinho ao piano, 90 de suas obras para a posteridade, criando o projeto "Uma Viajante Alma Paulistana".

"Esse trabalho é uma amarração da minha carreira. Peguei diferentes fases da minha vida profissional, desde as canções mais famosas até as menos conhecidas. E aproveitei para contar histórias delas que possam interessar ao público”, diz o compositor.

Ele afirma que o projeto, que já está nas lojas em DVD e também em seu canal no Youtube, Guilherme Arantes, é uma forma de manter, com qualidade, parte das suas criações. "O jornalismo e as biografias não conseguem exibir a música como um todo, pois eles trabalham basicamente o texto. Além disso, costumam não se aprofundar na parte musical, o que eu faço neste projeto."

Arantes foi o responsável pelo roteiro e também pelo título, que reflete os vários lugares de São Paulo onde morou —alguns são visitados nos vídeos. Este é um dos poucos aspectos de sua vida pessoal abordados.

O tema central de "Uma Viajante Alma Paulistana" é a música. "Buscamos a melhor luz, o melhor cenário, o melhor enquadramento. A ideia era que não só os arranjos ficassem bons, mas que o visual também fosse de qualidade."

Os vídeos do projeto não foram tudo o que o cantor Guilherme Arantes filmou. "Gravamos muita coisa, deu um trabalho maluco para os editores. Não deu para entrar tudo." O cantor diz que ainda não sabe o que será feito com o material excedente, mas garante que não será descartado. 

"Não vamos jogar nada fora. Pode ficar para a posteridade ou para um lançamento póstumo. O importante é que está tudo com qualidade, nada ficou de lado por ser ruim. É um importante registro da minha carreira", completa o artista.

Arantes destaca que o importante é que agora tem a própria obra documentada. "Sei que ninguém faria isso por mim. Conheço uma série de cantores cujo trabalho se perdeu com o tempo."

INFLUÊNCIAS

Os vídeos de "Uma Viajante Alma Paulistana" não servem apenas para mostrar as músicas escritas por Guilherme Arantes. Ele também apresenta as suas inspirações musicais. E mais do que isso: faz uma grande homenagem a elas. "Quando comecei, queria ser o Tom Jobim [1927-1994]. Ele sempre foi uma grande influência para mim, pelo cuidado que tinha com a qualidade musical."

Suas fontes na música brasileira ainda passam por Taiguara (1945-1996), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Cassiano e Hyldon. Arantes também tomou gosto pelo rock progressivo inglês. Chamaram sua atenção, principalmente, as bandas Yes, Genesis e Emerson, Lake & Palmer. Sua lista de ídolos inclui espaço adicional para o cantor romântico Billy Joel.

O lado eclético não aparece apenas nos artistas de quem é fã, mas também é evidenciado em artistas que já declararam admirar seu trabalho. Estão entre eles a cantora Ivete Sangalo, o pagodeiro Péricles e os rappers dos Racionais MC’s.

Quem comprar os DVDs de Guilherme Arantes poderá ver, paralelamente, os vídeos dele no YouTube sem ter a sensação de que está assistindo a conteúdo repetido. Os trabalhos são complementares, e há material exclusivo. "Nos DVDs, estão as músicas completas, com pitadas das histórias. Já nos vídeos da internet ocorre o inverso. Mas a edição não está prejudicada. Ambos mostram o conteúdo daquilo que eu tive vontade de contar", diz Arantes.

Ele afirma que a ideia de realizar o projeto em dois formatos atende às vontades do público. "A internet é ágil e, por ela, a pessoa pode ver o conteúdo de qualquer lugar. Já o DVD permite que o fã tenha algo físico, palpável. Cada um tem o seu charme."

Com relação a shows do projeto, há apenas um marcado, em outubro, no Rio de Janeiro. "Quero muito fazer esse espetáculo em São Paulo, que é a minha terra”, torce o cantor. Ele diz que quis investir no projeto agora para garantir a qualidade. “Ainda tenho grande intimidade com o piano e, mesmo com quase 65 anos, tenho uma boa voz."

O repertório passa por grandes sucessos, entre eles "Planeta Água", "Cheia de Charme", "Êxtase", "Meu Mundo e Nada Mais" e "Lindo Balão Azul". "São as minhas músicas de que o público mais se lembra. Eu adoro todas elas, porém, é claro, não me resumem totalmente. Não sou uma fábrica de sucessos. Eu sou um artista", afirma, categórico.

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