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Após escândalo, Venezuela elege primeira miss sem medidas divulgadas

Com país em crise, concurso sob nova organização teve evento mais modesto

Thalia Olvino, a Miss Venezuela 2019
Thalia Olvino, a Miss Venezuela 2019 - Frederico Parra/AFP
Fábio Luís de Paula
São Paulo

A única medida conhecida de Thalía Olvino, a nova Miss Venezuela, é sua altura: 1,78 m. A jovem de 19 anos, estudante de marketing, é a primeira beldade do país coroada depois que a organização do concurso optou por não mais divulgar os números de cintura, quadril e busto de suas misses.

Ela vai disputar o próximo Miss Universo, ainda sem data e local definidos, ao lado da brasileira Júlia Horta, Miss Brasil 2019.

Mesmo assim, as 24 candidatas que participaram desta edição, realizada na madrugada desta sexta (2) em Caracas, ainda desfilaram em traje de banho - já eliminado no Miss America, famoso concurso dos Estados Unidos. 

Numa tentativa de buscar a "beleza verdadeira", a organização havia prometido um concurso com menos bisturi, justamente o que caracterizou a "fábrica das misses" por anos. A promessa acontece depois da renúncia de Osmel Souza no início do ano passado, conhecido como o "czar da beleza" e líder do evento por quatro décadas. 

Souza se afastou após a explosão de um escândalo que associou o certame à facilitação de favores sexuais a figurões milionários próximos ao governo. Ele, que sempre negou a prática e foi um defensor ferrenho de dietas e cirurgias para alcançar as "medidas perfeitas" 90-60-90, organiza agora o Miss Argentina e o Miss Uruguai.

Fascinados pelas misses

Apesar do escândalo e da crise política e social pela qual passa o país, a disputa ainda é muito popular por lá. Com sete misses universo (1979, 1981, 1986, 1996,  2008, 2009 e 2013) e seis misses mundo (1955, 1981, 1984, 1991, 1995, 2011) no currículo, além de vencedoras de outros concursos planeta afora, a Venezuela segue fascinada pelos certames de beleza.

"Eu fiz com todo o meu coração e dedicação", disse Olvino, de Delta Amacuro, após ser coroada por Isabella Rodriguez, que estará no Miss Mundo deste ano. "Graças a Deus e minha família. Vou levá-los com todo o orgulho do mundo", acrescentou.

Em segundo lugar ficou Melissa Jiménez, de Zulia, que concorrerá no Miss Internacional. "O Miss Venezuela evoluiu e serve para fortalecer as mulheres", disse na coletiva de imprensa pós-final. "Uma mulher pode inspirar as outras a seguirem seus sonhos. O empoderamento feminino é muito importante", ponderou.

A edição deste ano foi realizado em um estúdio da emissora local Venevisión, com capacidade para cerca de 200 pessoas. Diretora de comunicação da gestão pós-Osmel, a Miss Universo 2013 Gabriela Isler declarou que os recursos para o show deste ano estavam limitados. O orçamento foi impactado pela hiperinflação e economia restrita do país, que está nas mãos do ditador Nicolás Maduro.

A Venezuela atravessa a pior crise de sua história recente, com uma queda em sua produção vital de petróleo e inflação projetada em 10.000.000% pelo FMI para 2019.

Com AFP

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