Diversão

Musical 'Aparecida' usa tempo atual e passado para narrar milagre de Nossa Senhora

Obra 100% nacional está em cartaz no teatro Bradesco, em São Paulo

Cena do musical 'Aparecida', no Teatro Bradesco
Cena do musical 'Aparecida', no Teatro Bradesco, em São Paulo - Adriano Dória/Divulgação
Vivian Masutti
São Paulo

​Quando Walcyr Carrasco manteve a tradição de fazer sucesso na TV com a novela “A Padroeira” (Globo, 2001-2002), não seria de se espantar que ele estreasse no gênero musical nos palcos com uma trama sobre Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Mas foram necessários 18 anos para que o projeto fosse abraçado e tomasse forma.

E valeu a pena. Em cartaz no Teatro Bradesco, a obra é a única das grandes produções recentes 100% nacional. História, roteiro, canções e artistas, todos são brasileiros e nada é adaptado dos padrões da Broadway —principal produtora de musicais do mundo. Aqui, o padrão é a brasilidade. E não decepciona.

O tema escolhido comove e fascina o público ao mesmo tempo. “Tem muito da identidade nacional, pois a gente criou isso. Conseguimos desenvolver com ‘Aparecida’ uma forma brasileira de fazer teatro brasileiro musical, com a nossa raiz”, diz Fernanda Chamma, diretora.

O musical conta com 33 artistas, 12 músicos, 20 canções originais, dezenas de figurinos e cenários grandiosos. A ideia é dar conta de narrar à altura a história de Nossa Senhora Aparecida, um dos maiores símbolos de fé dos brasileiros há mais 300 anos —e cujo santuário recebe 17 milhões de fiéis por ano.

Como fio condutor da montagem, Walcyr Carrasco se inspirou em uma história real, de um advogado que conheceu. O homem que viraria personagem fica cego por conta de um câncer e resolve acertar as contas com sua fé.

“Não tinha noção do tamanho do espetáculo. Meu maior desafio é fazer um deficiente visual. Ele não tem fé e acaba entrando em depressão. A empregada dele, então, sugere que ele e a mulher, Clara [Bruna Pazinato], devem ir à basílica da Padroeira, em Aparecida”, conta Leandro Luna, intérprete do protagonista, Caio. Carrasco se refere à história como “milagre real”.

Os milagres da santa são contados no palco a partir do momento em que ela é encontrada por pescadores, em 1717, passando pela construção de seu culto em uma capela em Itaguaçu (interior de SP) até a moderna basílica em Aparecida (SP).

Entre os milagres citados estão o dos “peixes”, sobre quando os pescadores que a encontraram são surpreendidos por uma quantidade enorme de peixes; o das “velas”, que se acenderam sozinhas após alguns segundos apagadas por uma rajada de vento dentro de um oratório; o do “escravo Zacarias”, de um foragido que tem suas amarras rompidas ao entrar em uma capela de Nossa Senhora de Aparecida; e o do “Cavaleiro Prepotente”, que fala de um cavaleiro descrente que muda suas ideias quando tenta invadir uma igreja da santa e seu cavalo prende a pata na entrada da construção.

Na última sexta (22), 300 leitores do Agora que ganharam ingressos para o musical puderam assistir à estreia de “Aparecida”, com acompanhante. Com o sucesso da promoção, novos ingressos serão distribuídos. Os 300 primeiros leitores que acessarem nesta quarta (27) o site www.agora.com.br/aparecida vão ganhar um par de ingressos para a apresentação de domingo (31), às 19h30.

"Aparecida"

  • Quando Sex., às 21h; sáb., às 16h e às 21h; e dom., às 15h e às 19h30 - Até 21/4
  • Onde No Teatro Bradesco (r. Palestra Itália, 500, Perdizes)
  • Preço De R$ 75 a R$ 220
  • Tel. (11) 3670-4100

ATENTADO E REPARO

O musical relembra o atentado sofrido pela estátua de Nossa Senhora Aparecida em 1978, quando um jovem perturbado quebra a estátua em mais de 200 pedaços.

Fala também da missa celebrada para reparar esse episódio, quando foi estabelecida oficialmente a data do “Ato do Desagravo”. E detalha o cuidadoso trabalho de restauração feito no Museu de Arte de São Paulo.

Depois de pronta, a imagem foi levada em procissão pelo país, até voltar ao seu santuário, onde foi recebida por milhares de devotos.

“O Walcyr [Carrasco, autor] já tinha escrito ‘A Padroeira’ [novela da Globo] e tinha conhecimento do assunto. Estamos há quatro anos montando este espetáculo para chegar a uma linguagem contemporânea, moderna, diferente do que estava sendo contado”, afirma o produtor Eurico Malagodi.

“Poucos devotos conhecem a história, e foi por isso que resolvemos fazer a peça. Eu e a Maria Eugênia [produtora] somos devotos, fomos ao Santuário de Aparecida e resolvemos contar essa história de uma forma que nunca foi contada.”
 

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