Tony Goes

Os Melhores Anos das Nossas Vidas estreia cheio de energia

Novo formato da Globo teve bons momentos e agradou às redes sociais

Ingrid Guimarães, representante de 1990, ganhou a 1ª disputa, contra Lúcio Mauro Filho e sua década de 1980
Ingrid Guimarães, representante de 1990, ganhou a 1ª disputa, contra Lúcio Mauro Filho e sua década de 1980 - Fabiano Battaglin/Gshow

Na terça-feira passada (9), o começo da 11ª temporada de Amor e Sexo (Globo) dividiu opiniões e derrapou na audiência. Com um episódio altamente politizado, o programa apresentado por Fernanda Lima amargou os piores números de sua história, marcando pouco mais de 10 pontos na Grande São Paulo –cada ponto do Kantar Ibope corresponde a 201.061 espectadores).

Nesta quinta (11), a Globo conseguiu unir, se não o país, pelo menos boa parte dos espectadores. A estreia de Os Melhores Anos das Nossas Vidas recebeu uma saraivada de comentários favoráveis nas redes sociais (o Ibope ainda não divulgou a audiência do programa no momento em que escrevo esta coluna).

A atração é baseada em um formato desenvolvido pela subsidiária italiana da Endemol, mas passou por muitas adaptações para se adequar ao gosto brasileiro.

Trata-se de uma competição entre décadas: sob o comando de Lázaro Ramos, duas equipes lideradas por um ator famoso se enfrentam, apresentando sucessos musicais, trechos de filmes e até notícias de seus respectivos períodos (concorrem cinco décadas ao todo, de 1960 a 2000). Um júri formado por cem jovens de até 20 anos de idade, que não viveram plenamente nenhuma das épocas apresentadas, escolhe sua década favorita.

Duas décadas mediram forças na estreia: os anos 1980, encabeçados por Lúcio Mauro Filho, e os 1990, com Ingrid Guimarães. Os dois transbordavam animação: ela, especialmente competitiva, chegou a soltar um “chupa!” em frente às câmeras, algo inusitado em um programa para ser visto em família.

A Globo não mediu esforços. Os convidados especiais incluíam Paulo Ricardo, Pepeu Gomes, Chitãozinho e Xororó e a banda Só Para Contrariar, além de Pedro Bial recordando sua fase como correspondente internacional.

Alguns números padeceram de um certo excesso de produção, mal que também acomete as performances no Domingão do Faustão. Gente demais em cena, luzes, cores, causando um efeito mais atordoante do que espetacular. 

E o melhor momento da noite acabou sendo o mais despojado de todos: a presença no palco dos dubladores Garcia Júnior (a voz brasileira do He-Man) e Marisa Leal (o Baby da “Família Dinossauro”). A dublagem de filmes e desenhos, antes tão vilipendiada, hoje é objeto de culto entre as novas gerações, e a Globo captou corretamente essa tendência. Mostrar os rostos dessas vozes tão conhecidas foi um golaço.

Outro ponto importante de Os Melhores Anos das Nossas Vidas foi mostrar que esses anos não eram tão maravilhosos assim. Falou-se em ditadura, inflação e outras mazelas que nos acometiam. Por mais que estejamos querendo algum escapismo, é sempre bom lembrar que nunca vivemos no paraíso.

Ao mexer com a memória afetiva das pessoas, o programa justifica ao que veio. É uma versão moderna do antigo Cidade Contra Cidade, que Silvio Santos apresentava há quase meio século atrás. A faixa noturna talvez não seja seu habitat ideal: as tardes de sábado ou domingo parecem mais adequadas para um game show tão leve e divertido.

Mas só Deus sabe o quanto estamos precisando de leveza e diversão neste momento.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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