Renato Kramer

Ícones do movimento afirmam que 'Jovem Guarda' não seria possível em tempos de internet

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"Não, nunca namorei com Maria Bethânia", afirma um dos ícones da Jovem Guarda, o cantor Jerry Adriani que, ao lado da cantora Martinha, esteve no "Luciana by Night" (Rede TV) da última terça-feira (10).

"Eu era amigo da Nara Leão (1942-1989), o que era um escândalo porque o pessoal da Bossa Nova era inimigo da turma da Jovem Guarda", conta Jerry. "E Nara me apresentou Bethânia e ficamos amigos, saíamos juntos com um pessoal em comum. Mas não houve nada entre nós, o que seria uma honra, pois Bethânia é uma mulher maravilhosa", conclui Adriani.

Já quando a "princesinha da Jovem Guarda" terminou o seu namoro com Dedé, então baterista da banda do "rei", Roberto compôs a belíssima "As Canções Que Você Fez Pra Mim" em homenagem ao amigo que ia chorar em seu ombro. "Eu que terminei", confirma Martinha, "e terminei porque ele era 'danadão' e eu bobinha! Era virgem também! Ele com aquelas bailarinas da Record e da TV Rio, eu sofria!", relembra a compositora.

"Hoje, com a internet, teria condições de acontecer algo como a Jovem Guarda?", quis saber Gimenez. "Da forma e do tamanho que foi aquilo —e aquilo era pura emoção, um turbilhão de verdade e emoções, eu acho que não", respondeu categoricamente Martinha.

"Eu acho que não", reiterou Jerry. "A Jovem Guarda nasceu de uma pureza, de uma coisa virgem que estava ali latente querendo pulsar. Hoje em dia a coisa é mais escancarada, as coisas passam muito mais rápido. Acho que não haveria clima pra acontecer algo parecido com a Jovem Guarda", concluiu.

"A época (anos 60) era mais romântica. Eu tinha um quarto na minha casa só para guardar as cartas dos fãs", confidencia o cantor. "Muitos noivados terminaram por minha causa", conta Jerry. "No meu caso aconteceu muito o contrário: muita gente se conheceu e se casou com minhas músicas", diz Martinha.

"A Martinha era o lado romântico da Jovem Guarda. Eu tinha um lado romântico e um lado safadinho", confessa Adriani. E aproveita para fazer uma revelação. "Uns caras da Jovem Guarda que são levados, Erasmo, Roberto, e outros, não eu, faziam um buraquinho no camarim das meninas pra espiar elas trocando de roupa. Até que uma descobriu e deu uma furada no olho do cara", conta Jerry se divertindo muito. Martinha não acredita muito nessa história.


Na sequência, os cantores são desafiados a descobrirem o título de músicas da época através da mímica de atores. Aí Martinha mata quase todas: "Banho de Lua", "Pode Vir Quente Que eu Estou Fervendo", "Estúpido Cupido", "Coração de Papel", "Biquini de Bolinha Amarelinha" e "Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones". Tudo bem que Banho de Lua, Estúpido Cupido e Biquini de Bolinha Amarelinha são pré-Jovem Guarda.

No telão aparece a "Princesinha da Jovem Guarda" cantando uma das mais belas canções da Jovem Guarda: a sua composição "Eu Daria A Minha Vida" (1968), sucesso também gravado por Roberto Carlos. Em seguida o seu grande sucesso "Cilada" (1988). "Olha os pernões!", observou a cantora que se apresentava com um shortinho curto e botas longas.

Capas de revistas diversas os cantores fizeram durante toda a sua trajetória: Destino, Melodias, Contigo, TV Sucesso, Sétimo Céu —em que Jerry fez par romântico com Wanderléa em fotonovela. A Intervalo, com a capa na qual Martinha declarava "Eu amo Roberto Carlos" que deu margem para muito pano pra manga. "Nas fotonovelas a gente não ganhava dinheiro, não. Era mais promoção", afirma Jerry Adriani.

"Quando acabou a Jovem Guarda, a gente ficou meio perdido —era início dos anos 70, começou um novo esquema nas rádios que foi a coisa do FM— a maioria de nós ficou meio assim perdida. E o Roberto não, ele foi encaixando uma atrás da outra. Ele chegou a ficar seis meses no Canecão (RJ) fazendo temporada. Dois terços dos temas da Jovem Guarda são dele", declara Adriani explicando porque Roberto teria se tornado o "rei" da Jovem Guarda.

"Mas essa história de coroação foi o Chacrinha (1917-1988) que inventou", observa Martinha. A cantora ainda apresenta a sua bela versão para "Nossa Canção". Jerry Adriani encerra o programa cantando seu hit "Doce, Doce Amor". Como já cantou Roberto Carlos: "velhos tempos, belos dias".


Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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