De faixa a coroa
Descrição de chapéu Miss Universo

Miss Universo: Brasil tem chance, mas não é favorito, dizem especialistas

Com candidatas já confinadas, final acontece dia 16 em Miami

Júlia Gama Marcelo Faustini/Divulgação

Após quase um ano e meio desde a final da última edição, começou nesta quinta-feira (6) o confinamento do Miss Universo 2020. A competição do ano passado foi adiada para agora, diante dos impactos da pandemia do novo coronavírus no mundo todo.

A coroação da final está agendada para o dia 16, quando a sul-africana Zozibini Tunzi passa o posto que ocupa desde 8 de dezembro de 2019 --o reinado mais longo do concurso. Ao todo, são 75 concorrentes, sendo a gaúcha Júlia Gama, 28, a representante do Brasil, que já está em Miami, nos Estados Unidos.

Cinco missólogos consultados pela coluna analisaram o evento deste ano e apontaram favoritas distintas em suas leituras. Segundo eles, as principais candidatas são as misses Romênia, Canadá, Curaçao, Jamaica e Brasil. Também estariam bem perto da coroa Tailândia, Filipinas, Colômbia, Peru, África do Sul e México.

“Acredito que o concurso será um alento nestes tempos de pandemia e cancelamentos. Estamos com uma carência de eventos globais e entretenimento em geral”, afirma João Ricardo Camilo Dias, curador da página Miss Brazil On Board, que aposta em uma miss com bastante carisma nesse momento.

“Haverá foco em uma mensagem positiva, e vejo que devem escolher uma menina que tenha carisma, seja adorada e promotora comercial. Fica a expectativa de ver o que será o Miss Universo com apenas 10 dias de confinamento”, destaca.

O jornalista Roberto Macedo, que comanda o site Miss News, também acha que haverá bastante atenção no ponto da crise sanitária. “Como o concurso será feito, como será a segurança sanitária, como as misses evoluíram com tanto tempo de preparação, quais são as que foram indicadas ou não”, enumera.

Diretor de concursos no Brasil e também à frente do site Global Beauties, Henrique Fontes aposta na comunicação e conteúdo das misses. “Quem preparou oratória, desenvolveu conteúdo cultural e conhecimento real sobre o que está acontecendo no mundo atualmente sairá com vantagem. Todas tiveram muito tempo para isso”.

Já o preparador de misses Paulo Filho, diretor da página Hora da Miss, considera que o maior ponto de atenção está relacionado ao meio digital. “A organização buscará uma mulher com forte poder de comunicação em plataformas digitais. Em uma pandemia, sua rainha não estará presencialmente na linha de frente em seus projetos, mas pode inspirar o mundo através da produção de conteúdo audiovisual”.

O BRASIL NO MISS UNIVERSO

Os especialistas também analisaram as chances da gaúcha Júlia Gama na disputa do dia 16. Em linhas gerais, eles pontuam que o nível deste ano está bem alto, e que a brasileira tem boas chances, apesar de não ser uma grande favorita.

“Penso que a Júlia é quem teve a melhor preparação de uma Miss Brasil nos últimos anos. Ela teve o apoio e a colaboração de uma organização bem financeiramente, e isso faz diferença no mundo dos concursos, ainda mais tendo em conta que estamos numa pandemia”, diz Tarcísio Filho, especialista em concursos de miss.

“Ela teve uma melhora física, mas já carregava consigo uma preparação de vida, de experiência, de ter viajado, de outras línguas, que não vieram da noite pro dia. Acho que ela teve uma preparação muito integral e tem ótimas chances. Além do que, o Miss Universo vai ser realizado em Miami, a casa dos latinos”, completa.

Macedo, por outro lado, não acha que Gama acertou na sua preparação física, mas reconhece sua garra. “Ela é uma miss focada, e tem trabalhado muito para atingir seus objetivos em relação ao seu físico e imagem. É notória a evolução desde quando foi coroada para hoje. Porém exagerou nas intervenções e virou outra pessoa. Daria nota 8. Contra ela, fisicamente, apenas aparenta ter mais idade do que tem”.

Camilo Dias concorda sobre a bagagem de Gama, e lembra que ela tem uma experiência de vida muito rica. Segundo conta, a miss fala fluentemente três idiomas e tem a vantagem de ter morado três anos na China. “Esse é o elo entre dois mundos muito distintos, porém onde a penetração do Miss Universo é muito alta.”

“Além disso, Júlia leva um guarda-roupa muito bom para o concurso. Acredito que a performance dela nesses 10 dias é o que pode fazer a diferença para que ela seja a brasileira de maior sucesso no Miss Universo nos últimos anos. Aposto num top 5”, completa Dias. Confira abaixo mais detalhes das opiniões de cada um.

João Ricardo Camilo Dias, curador do blog Miss Brazil On Board
Favorita: Romênia

A América Latina não está tão forte este ano. Porto Rico merece atenção e Venezuela nem tanto. Quem se destaca bem é a nossa Miss Brasil, que teve mais tempo para se preparar e toda a disponibilidade de uma coordenação investindo para isso. Coordenações importantes e vitoriosas foram trocadas, como de Filipinas, Colômbia e México. Na visão do negócio, essas três misses têm chances. Se for pensar em beleza, eu vejo países como Bolívia, Romênia, Itália e Peru com chances.

Henrique Fontes, diretor do site especializado Global Beauties
Favorita: Canadá

Hoje vejo a coroa na representante do Canadá. É uma mulher alta, linda e com uma história de vida fascinante, repleta de superação e muita força. Não subestimo também Venezuela e Colômbia para a vitória. Acredito também que as misses Tailândia, Peru, África do Sul, México, Austrália, Jamaica, Filipinas e Brasil são todas fortes e muito populares na internet. Já conhecemos a Júlia Gama desde 2014 e sabemos que ela corre por fora. Deve chegar muito competitiva. Também acho que merecem atenção Bolívia, Nepal e Romênia, faixas de menos tradição, mas que podem surpreender com suas excelentes candidatas.

Roberto Macedo, editor do site Miss News
Favorita: Curaçao

O Miss Universo se tornou um concurso imprevisível e acredito que no time há umas 30 candidatas em igualdade de condições para vencer. Mas, se fosse hoje, eu votaria em primeiro lugar para a Miss Curaçao. Sobre o grupo de semifinalistas, acho a Miss Filipinas linda, e acredito que é ela quem vai ocupar a vaga do voto popular, apesar de não precisar disso para se classificar. Além dela, vejo no grupo ainda: África do Sul, Argentina, Bolívia, Camarões, Canadá, Chile, Croácia, França, Índia, Itália, Jamaica, Laos, México, Nepal, Nicarágua, Peru, Romênia, Rússia e Tailândia.

Paulo Filho, consultor de misses e diretor da página Hora da Miss
Favorita: Jamaica

Gosto muito da jamaicana. Ela tem uma beleza facial incrível e é uma modelo muito bem-sucedida. Também acredito na mexicana, que foi vice Miss Mundo em 2017. Para mim, ela veio para ser protagonista, ao lado da filipina. A miss do país asiático, aliás, é uma profissional da área da saúde, atuante em serviços voluntários e a mais popular entre as participantes em audiência em mídias sociais. Em um momento em que o digital é tão importante como ferramenta de comunicação global, acredito que ela brigará até os últimos instantes pela coroa.

Tarcísio Filho, especialista em concursos de miss
Favorita: Tailândia

O nível deste ano está tão alto quanto 2018. Acredito que os fãs precisam estar preparados para tudo, mesmo que os brasileiros sejam bastante carentes de resultado. Em linhas gerais, Júlia Gama tem bastante chance e, se forem repetidas as dinâmicas do ano passado, será bom para ela. Mas não vou me surpreender se não der certo. Ela tem muita ambição e dedicação, e isso pode ser muito bom e válido, mas não depende só dela.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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