De faixa a coroa

Com foco no Miss Mundo e Miss Universo, brasileiras 'treinam' em concursos latinos

Pecuária, Café e Cacau são as temáticas de algumas das disputas

Joanna Camargo
Joanna Camargo - Divulgação
 
 

Misses que desejam alçar voos mais altos em suas carreiras têm procurado, cada vez mais, ter em seu currículo ao menos uma experiência em um concurso latino. 

A participação traz uma base para que as postulantes tenham, posteriormente, uma melhor performance nas grandes competições como o Miss Mundo e o Miss Universo

Esse é o caso da gaúcha Joanna Camargo, 22, atual dona da coroa de Rainha Internacional da Pecuária. “Acredito que ainda estou construindo minha carreira. Se aparecer a oportunidade e me for conveniente, pretendo sim voltar a concorrer. Porém, não tenho nada planejada ainda”, despista ela em conversa com ao F5.

A oportunidade surgiu para a jovem depois de competir em alguns concursos regionais, nos quais concorre desde os 17 anos. “Fui finalista ao defender meu estado no Miss Brasil Mundo 2018 e depois recebi o convite. Foi um tiro certo!”, comemora.

Criadas e sediadas em países vizinhos ao Brasil, as competições latinas trazem uma pequena dose do que seria a atuação em um grande concurso. Além disso, periodicidade anual e resultados idôneos brilham aos olhos dos coaches e coordenadores de misses no mundo todo, principalmente no Brasil.

“Esses concursos têm uma pegada muito tradicional, parecida com a do Miss Universo, com ênfase em beleza física. Desfile de biquíni e de gala são bastante valorizados, sem falar das entrevistas. Eles ensinam bastante”, explica Henrique Fontes, diretor do CNB (Concurso Nacional de Beleza). 

Responsável pelo Miss Brasil Mundo, o empresário também tem direito de indicar competidoras brasileiras ao concurso boliviano Reina Hispanoamericana, ao equatoriano Miss Continentes Unidos e aos colombianos Rainha Internacional da Pecuária e Rainha Internacional do Café. 

Segundo Fontes, as meninas voltam dos latinos, não só mais preparadas, mas também maravilhadas com o tratamento que recebem. Entre as características que contribuem para isso estão a quantidade enxuta de postulantes e a grande popularidade dos eventos em suas localidades de origem.

DESEMPENHO BRASILEIRO

Considerando os cinco maiores concursos latinos nos últimos dez anos, o Brasil venceu oito de 50 coroas, o que equivale a 16% do total. 

Numa classificação hipotética do período, posiciona o país em primeiro lugar, ao lado da Colômbia, que teve o mesmo resultado. Em segundo ficaria um empate triplo entre Venezuela, Espanha e Equador, com quatro vitórias ou 8% das coroas cada; seguidos pelo Peru, com três coroas (6%).

Se encaixam entre as vitoriosas as carioca Mariana Notarângelo e Gabrielle Vilela, respectivamente donas das faixas de Miss Brasil Mundo 2012 e 2017. A primeira já havia vencido em 2010 o Rainha Internacional do Café, enquanto a segunda levou, em 2013, o Rainha Internacional da Pecuária.

A atual Miss Brasil, Júlia Horta, 25, que disputará o Miss Universo 2019, já foi vice Rainha Internacional do Café em 2016. No mesmo ano, sua antecessora Mayra Dias, 28, também pisou nas passarelas latinas e foi a terceira colocada no Reina Hispanoamericana. Já a atual Miss São Paulo Universo, Bianca Lopes, 22, foi vice Miss América Latina del Mundo em 2017. 

Em outubro, a rondoniense Amanda Costa, 24, também entrou para esse rol, sendo eleita a primeira Rainha Internacional do Cacau, na Venezuela.

“Foi surreal, superou todas as minhas expectativas! Eu não tinha noção da grandiosidade do concurso e só percebi assim que que pisei em Caracas, onde me deparei com filmagens, imprensa, equipe e fãs esperando. Aprendi e cresci muito”, lembra.

Para ela, a vitória teve um sabor doce por sua história de vida. Até os 16 anos, Amanda viveu em um sítio onde participava ativamente da colheita, justamente, do cacau. “Não sei se voltaria a outro concurso. Conquistei o que eu sonhava e agora quero motivar outras meninas a conquistarem seus sonhos também.”

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil e Miss Universo. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias, como a da Fox.

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