De faixa a coroa

Natália Guimarães diz que concursos de miss hoje priorizam comunicação em vez de visual

Vencedora do Miss Brasil 2007, ela faz parte agora de um projeto para garantir o concurso

Natália Guimarães
Natália Guimarães - Greg Salibian/Folhapress

Em uma época de constate busca pela quebra dos padrões estéticos, os concursos de beleza ainda têm seu espaço garantido graças ao foco maior na mensagem em vez da aparência. Essa é a opinião da mineira Natália Guimarães, 34, miss Brasil 2007 e hoje uma das maiores referências do mundo dos concursos no país.

“Eles [os concursos de beleza] estão se modificando de acordo com a transformação da sociedade. A busca agora é por uma mulher que precisa ter uma representatividade muito grande, pois a forma como ela se comunica é mais importante que seu visual”, afirma ela à coluna.  

Para Natália, essa transição dos concursos de miss vêm acontecendo há algum tempo e indícios já eram vistos no ano em que ela foi coroada. Segundo ela, o posicionamento social e a destreza em se comunicar com o público já eram habilidades cobradas tanto no concurso nacional quanto no internacional.  

“Nos concursos de hoje as misses estão falando mais. Pensamento, personalidade e consciência em relação ao que a imagem dela representa para o mundo estão sendo cada vez mais valorizados. Isso tem vindo em uma crescente e agora está aparentemente num auge”, observa. 

Além de referência a aspirantes a miss, Natália está entrando no projeto que pode garantir o Miss Brasil em 2020. O concurso corria o risco de não acontecer, após o fim da parceria entre a Band e Polishop, em julho deste ano, mas ganhou fôlego graças a um projeto do ex-diretor do Miss Brasil Evandro Hazzy, 49, com outras ex-misses.

“Sim... o Miss Brasil está vivo!! Preparem-se para uma nova era, um novo ciclo! Aguardem novidades incríveis!”, publicou Natália no início do mês, em sua conta no Instagram. Com a mensagem, ela postou uma foto dos seus tempos de miss, em um vestido vermelho.

Natália é a brasileira que mais se aproximou da coroa de Miss Universo desde 1972, quando a gaúcha Rejane Vieira Costa também foi vice. Depois delas, quem chegou mais próxima do trono foi a também gaúcha Priscila Machado, terceiro lugar em 2011. Há mais de 50 anos, as únicas representantes do país a vencerem foram a baiana Martha Vasconcellos, em 1968, e a gaúcha Iêda Maria Vargas, em 1963. 

Estudada pela maioria das mulheres que participam desse tipo de disputa, Natália diz que o segredo para vencer é mesmo a habilidade de se expressar. “Isso vale tanto para pensamentos quanto para a facilidade de se comunicar. Não adianta a miss só expor o que pensa, precisa saber expor isso bem e saber atingir as pessoas. Vale também estudar e falar outras línguas”. 

Mesmo apontada como “exemplo de miss”, ela não se considera uma miss de sucesso. “Sou uma mulher de sucesso. Eu soube aproveitar bem as possibilidades, continuei estudando e não quis simplesmente um título de beleza para ficar com ele na mão. Usei como uma ferramenta para as portas se abrirem”, conta. 

“Todas as mulheres que ganham algum título passam por muitas dificuldades que desanimam, como preconceito. Houve muita força de vontade e fé em mim mesma”. 

DERROTA COM GOSTINHO DE VITÓRIA 

Natália perdeu o miss Universo para a japonesa Ryo Mori em 2007. Mas, diferente de seu público, não acha que foi injustiçada. “É muita pretensão eu dizer que o resultado foi errado. Fiz o meu melhor e acho que a gente tem que respeitar o que os jurados decidiram, pois eles são seres humanos também e cada um tem sua opinião própria”. 

Hoje casada com o músico Leandro, do ex-KLB, e mãe das gêmeas Maya e Kiara, ela diz que o resultado do certame não a prejudicou. “Ter ficado em segundo lugar foi maravilhoso e abriu muitas portas pra mim. Eu gosto de pensar só pelo lado positivo. Trabalhei muito, cresci muito e até hoje colho frutos disso. Se eu fiquei em segundo foi a vontade de Deus pra mim e isso foi muito importante na minha vida. Só tenho a agradecer”. 

Natália nunca deixou de se dedicar às competições de beleza e diz estar sempre ligada ao que acontece por esse nicho mundo afora. Frequentemente convidada para comentar os resultados na imprensa, precisa e gostar de saber tudo sobre as candidatas todos os anos. E claro, além das favoritas, direciona sempre um olhar mais apurado à miss Brasil do momento. Para 2019, a bola da vez é a sua conterrânea de Juiz de Fora (MG), Júlia Horta, 25. 

“Temos mulheres maravilhosas, fortes e com personalidade. Precisamos descobrir uma forma de passar isso pra frente e de saber chamar a atenção. Pra mim, a principal característica da Júlia [Horta] é que ela se ama e acredita que as coisas podem acontecer. Ela tem uma positividade muito grande e um dom de cativar as pessoas. Ela é uma surpresa muito boa e acredito que, a cada dia mais, está se tornando mais forte.” 

Questionada se existe algum legado que queira deixar, Natália valoriza seu lado miss e entoa um discurso de cooperatividade. “Toda mulher tem capacidade de receber títulos, se destacar e ser exemplo. Basta focar no que você tem de bom, realçar e botar isso em foco. Não precisa ficar competindo o tempo todo entre si. A competição está dentro da gente. Tenha fé em si mesma e entenda que as diferenças também podem te levar aos holofotes.”

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil e Miss Universo. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias, como a da Fox.

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