Zapping - Cristina Padiglione

Tino Marcos fala sobre a vida longe da TV, após 35 anos de Globo

Sem saudade da redação, jornalista grava curso online e festeja convergência de mídias

Tino Marcos, repórter
Tino Marcos, jornalista, em imagem de curso online sobre comunicação - Reprodução YouTube/Canal Mestres da Real
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São Paulo

Após 35 anos de Globo e o compromisso de comparecer quase diariamente à redação ou onde a reportagem o chamasse, Tino Marcos vem se dedicando à gravação de cursos online e também aos bons cachês de publicidade que foi impedido de acessar enquanto era repórter, como rezam as regras do bom jornalismo.

Com 59 anos (como pinta de 43), o ex-repórter de esportes da Globo confessa que tem curtido a liberdade de poder viajar quando quer, inclusive para visitar a filha, que mora na Bahia, e não sente saudades da redação.

Tino conversou com a coluna para falar do curso online que acabou de registrar para a programação da Mestres da Real, projeto criado a partir da união entre a Descomplica, empresa de educação e tecnologia, e a Play9, agência de influenciadores e conteúdo digital.

Ele é um dos dez profissionais confirmados no Mestres da Real, ao lado de grifes como Fátima Bernardes, Felipe Neto, Paola Carosella, Daiane dos Santos e Nina Silva. Ao custo de até R$ 50 por mês, os alunos recebem cerca de 20 horas de carga horária.

Eis a nossa conversa:

O QUE ESPERAR DO PROFESSOR?

"Aquele Tino que alguns poucos viram ao longo das década. Eu sempre tive um movimento dentro da redação de ajudar os mais jovens, ajudar os que chegavam, tive algumas referências também, e me lembro de gente que me ajudou muito, Sempre procurei dar atalhos, ajudar as pessoas no modo de fazer, complexidade grande no mundo da tv, muito aspectos pra aprender, ser algo mais próximo de um repórter completo.

Tempos atrás atrás, com o pessoal de um outro curso chamado Aula em Cena, tínhamos outro modelo de curso, mas era ao vivo e eu interagia com a turma. E naquele período eu pude pensar nos conteúdos mais relevantes que eu deveria dividir com as pessoas. Foi uma experiência enriquecedora."

CONTAR HISTÓRIAS

"As pessoas vão encontrar dicas páticas e objetivas de como contar melhor as suas histórias, histórias abrangentes, em redes sociais ou de modo mais elaborado, mais longo, que foram as abordagens todas que eu vivi, da maneira mais organizada possível que eu consegui, também com a ajuda de uma equipe. Sempre defendi vídeos com ritmo, isso é um pré-requisito importante."

JORNALISTA OU YOUTUBER?

"Eu comecei em 1983. Tudo, a meu ver, conflui para um grande caldeirão da comunicação, que sofre permanentes influências, daquilo que é mais tradicional, na TV, com o que há de mais moderno, no celular. Essas contribuições vão acontecendo na TV e também a partir da TV. É muito interessante como novas coisas vão surgindo e isso [canais de influenciadores] não só é legítimo, tenho que dar a mão à palmatória, como às vezes traz revelações que um jornalista profissional não obtém, pelo fato de o entrevistado se sentir mais relaxado [com o influenciador].

A gente tem que estar atento a tudo o que é feito. A linguagem está em permanente movimento. O audiovisual tem transformações incríveis. Teve uma época em que para fazer uma fusão de imagens, eu tinha que ir a uma ilha no Globo Repórter e pedir por favor que fizessem aquilo pra mim. Hoje, a gente faz isso no celular, uma criança é capaz de fazer.

QUEM NÃO SE COMUNICA...

"Esse assimilar dos novos contadores de história, de fazer a coisa fluir, isso é maravilhoso, é fascinante. Eu não tenho como escapar da minha formação, sou de uma formação convencional, que me deu muitas condições profissionais, trabalhei numa condição de excelência, desfrutei de espaços, matérias de mais fôlego, matérias especiais, mas eu sempre tive na TV a minha longevidade. Foram 35 anos de Globo.

A minha geração e do [Marcos] Uchôa foi a responsáveis por mudar a linguagem do esporte na TV. A narrativa era mais formal, outros formatos foram chegando e aprimorando isso."

SEM RELÓGIO

"Tô num momento profissional muito bom, do jeito que eu queria. Não tenho compromisso cotidiano, posso pegar minha mulher, que também se aposentou no ano passado, a gente tem uma filha na Bahia e pode ir pra lá sem problema, conseguindo conciliar com trabalhos que apareçam. Fiz uma campanha legal da Brahma, de vacina, fazendo a convocação da segunda dose, e fiz uma publicidade pra Nokia, coisas que eu não conseguia fazer quando trabalhava na TV.

Gravei também um documentário com o Ronaldo na Espanha."

MUNDO PÓS-GLOBO

"Depois que eu sai da Globo, estava buscando alguma coisa que fosse diferente e me trouxesse um frescor profissional, Foi muito estimulante, muito potente gravar as aulas todas para o curso.

Foi muito intenso, envolveu toda uma equipe, com prazos de estúdios para gravar, agenda de trabalho, muito volume e muito conteúdo, isso realmente me consumiu bastante. Saí cansado, mas feliz por ter terminado gravação. Agora teremos algumas lives.

A ideia é sair da proposta teórica, de provocar as pessoas a botarem a mão na massa, a partir do celular ou das condições que elas tiverem, e dar esse estímulo. Espero que alcance muita gente e que isso possa ser complementar para o conhecimento tanto de quem já está no mercado, como de adolescentes interessados em comunicação."

Mais informações sobre o curso no site www.mestresdareal.com.br

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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