Zapping - Cristina Padiglione

Quem será Dona Beija na nova versão da novela?

Maitê Proença editava as cenas ao lado do diretor, Herval Rossano

Maitê Proença como Dona Beija, senhora dos grandes amores, nas terras de Araxá, em imagem reproduzida de uma reprise do SBT - Reprodução
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A Floresta, uma das maiores produtoras de audiovisual do país, parceira de vários canais de TV e serviços de streaming, adquiriu os direitos de produção de "Dona Beija", história que foi produzida em 1986 pela extinta TV Manchete. Estrelada por Maitê Proença, a novela expôs a nudez na TV aberta pela primeira vez, e foi um sucesso.

A pergunta é: quem seria Dona Beija nos dias de hoje? E outra: a nova produção vai honrar as cenas de nudez da produção original, reflexo da coragem de Ana Jacinta de São José, mais conhecida como Dona Beija, que viveu entre 1800 e 1863, em Araxá, e fez da prostituição sua escada para a riqueza?

Uma nova versão da trama, com texto do português António Barreira e da roteirista Renata Jhin, filha da autora de novelas Elizabeth Jhin, agora aposentada da Globo, está em andamento e já avança em negociação com um serviço de streaming.

Segundo seus executivos, a Netflix tem planos para investir no gênero de telenovela no Brasil, com versões de curtas temporadas de 30 a 40 capítulos.

A Floresta promete dar agilidade ao remake. "A luxúria e luxuosidade ganharão mais cor e personalidade, seguindo altos padrões de produção", promete a produtora em texto informativo distribuído à imprensa. A história ganha tinta extra nas discussões que escandalizaram a sociedade no século 19 e seguem pertinentes para o século 21, como empoderamento, questões raciais e lutas de classe.

Em recente live no Instagram, Maitê contou que ia junto com Herval Rossano (1935-2007), o diretor, para a ilha de edição, a fim de não descuidar do contexto essencial para as cenas de nudez. Estávamos então em 1986 e a censura ainda vigorava. Era já o tempo de José Sarney e a ditadura militar havia se encerrado com a saída de João Baptista Figueiredo da presidência, mas uma nova Constituição, abolindo a Censura, só chegaria dois anos depois.

Como uma emissora nova que lutava para conquistar espaço na sala de um telespectador encantado com as novelas da Globo, a Manchete bancou os puritanos de Brasília e apostou em "Beija", saindo-se muito bem. Na ocasião, a história foi escrita por Wilson Aguiar Filho (1951-1991). O SBT, que chegou a reprisar algumas novelas da Manchte anos após o decreto da falência da emissora de Adolpho Bloch, reprisou "Dona Beija" nos anos 2000.

"Não tinha tanta cena de nudez, mas como foi primeira vez que acontecia, marcou muito. Foram poucas, bem poucas e, em cada uma delas, fui pra ilha de edição com Herval. 'Eu faço, mas quero ver, porque se vocês abusarem de mim, não vai ser legal. Vou embora, inclusive'", contou Maitê na live que aconteceu em março.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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