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Conheça o livro que foi mostrado por Bolsonaro no discurso após ser eleito presidente

Winston Churchill levou o Nobel por 'Memórias da Segunda Guerra'

O primeiro-ministro britânico Winston Churchill
O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que assumiu o posto em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial - Reprodução

Quando o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) fez seu discurso no domingo, dia 28, além da Bíblia e da Constituição, haviam dois livros na sua mesa: "O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota", de Olavo de Carvalho (R$ 89,90, 616 págs., Record), com textos publicados pelo ideólogo ultraconservador entre 1997 e 2013, e o bom e necessário "Memórias da Segunda Guerra".

A edição desta obra que aparece no discurso é uma antiga, da editora Nova Fronteira. A nova, publicada no Brasil pela Harper Collins, divide a produção em dois livros, que podem ser comprados individualmente (por R$ 34,90) ou em um box (por R$ 58,90; ambos os valores da promoção do site da Livraria Saraiva).

É uma boa oportunidade não apenas de ler um livro extremamente bem escrito quanto de compreender um pouco mais a realidade na qual o Brasil está inserido hoje, já que as alianças políticas, o modelo econômico e até mesmo a moral e os costumes nacionais são resultado dos desdobramentos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial –que devem ser analisadas como uma só, a Grande Guerra do século 20, pela forma com que estão atreladas uma à outra. ​

Assinado pelo primeiro ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), único que ocupou o cargo a receber a honraria do Prêmio Nobel de Literatura, "Memórias da Segunda Guerra" transfere para a narrativa literária o talento do polítco carismático de fazer discursos. Conclamou as massas a resistir contra os nazistas durante a guerra e foi o responsável por se aproximar dos americanos neste período –fator crucial para a vitória.

É uma obra clássica, que narra a Inglaterra de um momento sombrio e cheio de dúvidas à Grande Aliança que moldou o mundo de hoje, com detalhes sobre os anos cruciais de formação, desenvolvimento e conclusão do conflito, em uma sucessão de fatos que vai de 1919 até 1945.

No primeiro volume, Churchill reconstrói com requintes de detalhes o ambiente pós-Primeira Guerra Mundial, com as pontuações decisivas do Tratado de Versalhes (extremamente pesadas para a Alemanha derrotada) e a ascensão monstruosa de Hitler mesmo antes dos anos 1940, quando o líder nazista se aproveitou da miséria de seu povo para conclamá-lo a um governo nacionalista e a uma cultura de ódio aos judeus.

O livro conta ainda a invasão de Hitler à União Soviética. Um dos passos grandes demais que o destruíram, deixando evidente sua megalomania e, sim, ausência de bom senso e inteligência.

A segunda parte da obra vai de 1941 a 1945, quando as alianças com Inglaterra, URSS e, finalmente, os Estados Unidos foram decisivas. Churchill narra de forma clara a importância de tragédias como o ataque à base americana de Pearl Harbor e até mesmo das bombas atômicas para o fim da guerra.

Foi pelo domínio e da lucidez com que narrou os fatos históricos que viveu, levando em consideração "a defesa exaltada pelos valores humanos", que Churchill levou o Nobel, segundo a Academia, em 1953. A obra foi publicada originalmente em seis volumes, em 1948, e é considerada uma das cem maiores produções literárias de todos os tempos pela revista Newsweek.

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Vivian Masutti, 33, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela USP (Universidade de São Paulo), onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa. No Agora, é editora do caderno Show!

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