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'Analfabyte', Antonio Fagundes conta que não tem computador em casa e só lê jornal

Ator critica internet e diz que tecnologia dispersa a atenção do público em relação a livros e teatro

Antonio Fagundes, no Teatro Vivo - Zanone Fraissat/Folhapress

“Analfabyte.” É assim que, aos 69 anos, o ator Antonio Fagundes se define quando o assunto são as novas tecnologias -referindo-se ao conjunto de unidade básica de informação em um computador. Aparelho eletrônico que, aliás, ele diz nem possuir. Tempos atrás, quando respondia às perguntas desta repórter, o recurso utilizado por ele era o fax, com o auxílio de uma secretária.

“Gosto mesmo é de ler jornal. A internet tira da gente toda e qualquer possibilidade de correr de uma notícia para a outra. E eu gosto desse processo. Na internet, o leitor vai direto no que ele quer, não se depara com algo que não espera. [...] Acho que hoje há uma desatenção maior do público por causa da internet. Reunir 700 pessoas em uma sala escura sem pensar em outra coisa é louvável. E isso é teatro”, avaliou ele, em conversa ontem no auditório da Folha sobre sua nova biografia, “Antonio Fagundes no Palco da História: Um Ator” (R$ 84,90, 488 págs., Perspectiva), de Rosangela Patriota.

Citou o conservadorismo da sociedade, falou que fez pornochanchada por opção própria e ainda frisou que de pornô o cinema daquela época (anos 1970, como contraponto à rigidez da ditadura) não tinha nada. “Podia passar na ‘Sessão da Tarde’”, brincou.

“Na verdade, havia um preconceito com qualquer cinema que não fosse feito pela esquerda.” E afirmou que só leu o livro quando a autora mandou para a impressão. Ainda que houvesse críticas.

Falou também justamente sobre a dificuldade de incutir no brasileiro tanto o hábito da leitura quando o de ir ao teatro. “Quando fazia o Pedro, do [seriado] ‘Carga Pesada’, eu mal conseguia andar na rua de tanta gente que me abordava. Mas, quando montava uma peça, não ia dez pessoas”, fala.

E completa: "O brasileiro a cada 15 anos se esquece do que aprendeu nos últimos 15 anos. Não dá para formar um público no Brasil que não tem ideia do que a gente faz.”

Às vésperas das eleições, se diz “sem expectativas” em relação ao futuro. “Somos quase 210 bilhões de pessoas, onde o público leitor lê uma média de um livro por ano. Onde as pessoas vão pegar informação dessa forma? Tá difícil.” 
 

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Vivian Masutti, 34, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela USP (Universidade de São Paulo), onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa. No Agora, é coordenadora da Primeira Página.

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