Bate-Papo na Web

Atiradores como os de Suzano participavam de fóruns na deep web e buscavam exposição

Jovens mataram oito pessoas em escola e depois se mataram

Jovens se abraçam em homenagem às vítimas de ataque em escola na Grande SP
Jovens se abraçam em homenagem às vítimas de ataque em escola na Grande SP - Amanda Perobelli/ Reuters

Peço licença aos leitores para, em vez de responder a uma pergunta na coluna desta semana, fazer uma pausa para refletirmos juntos sobre atrocidades recentes que, de alguma maneira, tiveram influência da internet. Falo dos massacres de Suzano e de Christchurch.

Em que ponto a busca desmedida por fama, cliques e curtidas pode descambar para atitudes delinquentes e abomináveis? Há notícias de que tanto os assassinos da escola paulista quanto o atirador das mesquitas da Nova Zelândia participavam de fóruns radicais na “deep web” (internet profunda), uma parte da rede que não aparece em ferramentas de busca como o Google e não pode ser acessada por navegadores normais. Nesses ambientes encontra-se de tudo: de pornografia infantil a tráfico de armas, passando por fóruns que propagam mensagens de ódio, incentivam massacres e exaltam os perpetradores.

Isso é assunto para a polícia. A motivação desses assassinos em particular, tema para psicólogos e psiquiatras. A nós, cabem alguns questionamentos.

Além de buscar o reconhecimento de seus pares doentios da “deep web”, será que eles também não procuravam a fama num sentido mais amplo? Não procuravam ter a sua história conhecida, sair do anonimato, dar algum sentido para a sua vida? E até que ponto esses casos horrendos não são o sintoma extremo de uma doença social crônica, uma epidemia em larga escala que domina cada vez mais o mundo hoje: a hiperexposição em redes sociais?

Longe de mim querer dizer que pessoas que são dependentes de curtidas no Facebook para serem felizes são terroristas em potencial. Não é isso. Mas, se alguém precisa o tempo todo mostrar aos outros o que faz e pensa para validar sua experiência, será que essa experiência é realmente plena? Será que não está faltando algo? Conversas significativas olho no olho? Experiências realmente compartilhadas ao vivo? Vamos pensar juntos?

Bate-Papo na Web

Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha de S.Paulo. Desde 2005, é colunista da Revista da Hora, do jornal Agora.

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