Cinema

De desconhecido das redes sociais a apresentador de TV no Oscar, Hugo Gloss relembra trajetória e faz apostas 

Blogueiro cobre a premiação para canal de TV a cabo

Hugo Gloss
Hugo Gloss - Pascoal Rodriguez

Sarah Mota Resende
São Paulo

Em 2006, quando usava o Twitter para fazer comentários sobre famosos, Hugo Gloss não mostrava o rosto nem revelava o nome de batismo —Bruno Rocha. Mais de uma década depois, Gloss já não esconde a identidade, embora tenha adotado pra valer o nome artístico, trocou os comentários virtuais por presenças in loco em eventos repletos de celebridades e virou tão estrela quanto seus alvos.

Neste domingo (4), ele apresenta, pelo segundo ano, a premiação do Oscar direto de Los Angeles, nos EUA, onde ocorre a 90ª edição do evento, pelo canal a cabo TNT. Na TV aberta, a Globo transmite a apresentação com participação da atriz Dira Paes

Em entrevista ao F5, Gloss relembra momentos de coberturas anteriores, como quando uma abelha pousou em sua roupa e um repórter americano a espantou ao vivo, opina sobre a apresentação de Jimmy Kimmel e faz apostas. 

 

F5 - Como começou sua relação com o Oscar? Sempre gostou da premiação? 

Hugo Gloss: Desde adolescente eu faço maratona dos filmes. Já cheguei a ir ao cinema e assistir três filmes seguidos em uma tarde. Fazer as apostas de vencedores era um hobby meu. Outro dia achei um email meu pra Ana Maria Baiana enviando minhas apostas pro Oscar de 2006. Eu sempre amei.

O que acha de Jimmy Kimmel como apresentador?

Eu ainda aguardo a volta da Ellen [Degeneres] pro Oscar, não vou mentir. Mas o Kimmel é ótimo. Acho que esse ano o clima está muito tenso na indústria e ele deve dar uma quebrada com muito humor e ironia. 

Tem alguma celebridade que te faria tremer as pernas se encontrasse-a

No Golden Globes vi a Angelina Jolie e fiquei sem ar. Ela é maravilhosa. A Meryl Streep é com certeza a que eu mais tremeria. Acho que não conseguiria nem abordá-la. Ela é a rainha das atrizes, não tem como não ficar sem palavras. 

Seguindo tendência, acha que este será um Oscar politizado, de protestos?

Com toda certeza. A temporada de premiações já comprovou que o tema do assédio não será esquecido tão cedo. O movimento Time's Up continua muito forte e com certeza todos que subirem ao palco vão de alguma forma falar sobre isso. Acho que será uma noite de muitas declarações marcantes. Já podemos fazer as apostas de qual discurso emocionará mais. 

Já cometeu alguma gafe durante a transmissão? Qual a mais marcante?

No meu primeiro ano de Oscar uma abelha pousou na minha roupa no meio da transmissão ao vivo. Eu estava em cima de um caixote que servia como “palco” e o repórter do programa da Ellen veio tirar a abelha de mim. Foi hilário e acabou passando no programa dela. A abelha me rendeu um close internacional. 

O que mais te emocionou na premiação até hoje? 

Lembro de vibrar muito com a vitória de "Titanic" e também quando Fernanda Montenegro foi indicada por "Central do Brasil". Uma passagem mais recente e que me marcou foi o discurso de Dustin Lance Black, o roteirista de "Milk", que falou muito de aceitação e preconceito e sobre a realidade LGBTLembro de assistir em casa aos prantos.

É mais trabalho ou diversão? 

100% trabalho. É glamuroso estar no Oscar, mas é bem estressante ao mesmo tempo. Temos que estar preparados pra tudo, conhecer todos os filmes, indicados, e ainda cuidar pra não falar nada de errado. Além da transmissão ao vivo eu ainda tenho a cobertura online, então é muita coisa. Mas é um trabalho que eu sempre sonhei, então me divirto por estar fazendo aquilo que eu sempre quis fazer.

Acha que as pessoas gostam mais de acompanhá-lo pela TV ou pelas redes sociais?

A internet nos dá uma liberdade gigantesca. Nas redes eu sou meu próprio patrão, sou o responsável pelo meu conteúdo e pela forma como vou comunica-lo, então pra mim é mais tranquilo. Na TV nós temos um padrão a seguir, as coisas são bem diferentes. Mas acho que um complementa o outro e aos poucos vamos nos entendendo. 

De um desconhecido do Twitter ao Oscar, passa um filme na sua cabeça? 

No Oscar de 2016 eu lembro de encontrar Carol Ribeiro e a equipe da TNT na saída e Carol disse “Você deveria estar com a gente”. Eu estava completamente inebriado. Não tinha ideia do que tinha acabado de acontecer. Eu tinha acabado de entrar ao vivo na transmissão do Oscar em outro canal.

Eu só entendi o que tinha acontecido quando estava no avião voltando pro Brasil e comecei a lembrar de todas as minhas noites fazendo bolões pro Oscar. Em 2013 eu criei o hugogloss.com e fazia resenhas sobre todos os indicados, fazia minhas apostas. É muito legal ver que isso tudo me trouxe até aqui. Uma paixão que virou trabalho de uma maneira muito natural. Eu acho linda a minha história.

Para quem vai sua torcida?

Eu adoraria que o Timothee Chalamet ganhasse, mas o Gary Oldman está imbatível de Churchill. 

Tem algum filme que você não gostou? Por que?

Eu procuro encontrar pontos positivos em todos os filmes, é dificil eu achar algo “muito ruim”. Nessa temporada, o filme que menos gostei foi “Get Out”, embora eu tenha achando que a interpretação de Daniel Kaluuya foi incrível.

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