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Cacau Protásio é mãe empoderada e sexualmente livre em 'A Sogra Perfeita'

Atriz estrela 4 comédias e destaca importância da representatividade

Cacau Protásio, Evelyn Castro e Rodrigo Sant'Anna em cena de 'A Sogra Perfeita'

Eddy (Rodrigo Sant'Anna) e Sheila (Evelyn Castro) ajudam Neide (Cacau Protásio) em plano para tirar o filho dela de casa na comédia "A Sogra Perfeita" Divulgação/Fabio Braga

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São Paulo

"Na minha época de criança, mulher preta em novela só era escrava e empregada, hoje, graças a Deus, não é assim", comemora Cacau Protásio, 46, ao falar sobre a importância da representatividade na TV e nos cinemas.

A atriz, que estourou nacionalmente justamente como a empregada Zezé de "Avenida Brasil" (Globo, 2012), agora é referência para meninas e mulheres negras com seu sucesso na telona. Protásio protagoniza quatro comédias nacionais: "Amarração do Amor", lançada em outubro, "A Sogra Perfeita", que estreia nesta quinta (25) nos cinemas, além de "Juntos e Enrolados" e "Barraco de Família", ambos previstos para 2022.

"Quando eu era pequena e não via ninguém igual ou parecida comigo [na TV e nos cinemas], eu não achava que era possível, mas lá no fundinho eu acreditava. Eu tanto acreditei que deu certo", diz a atriz, que também se destaca como a extravagante Terezinha do humorístico "Vai que Cola", do Multishow.

O preconceito segue latente, acrescenta a atriz. "A gente sofre todos os dias." Em 2019, após gravar cenas de "Juntos e Enrolados" em um quartel dos bombeiros no Rio de Janeiro, Protásio foi vítima de ofensas racistas e gordofóbicas. "Mas eu não perco as esperanças que a gente ainda vai viver num mundo de igualdade", salienta.

Para Protásio, apesar dos avanços no audiovisual, ainda há muito a melhorar no Brasil. "Lá fora [em produções no exterior], as mulheres pretas são ricas, são donas de empresas. Aqui o pessoal não aposta muito de botar Cinderela negra, princesa negra", desabafa.

Mas Neide, a protagonista de seu mais novo filme "A Sogra Perfeita", é tudo isso: empoderada, dona do seu próprio salão de beleza na fictícia Vila Cleyde, na zona leste de São Paulo, sexualmente livre e independente. Só tem um problema: o filho mais velho Fábio Júnior (Luís Navarro, da série "Pico da Neblina", da HBO), que não quer saber de sair de casa.

Às vésperas de completar 45 anos, Neide está louca para aproveitar a liberdade de curtir a vida como uma mulher solteira, que não precisa dar satisfação para ninguém.

Com a ajuda dos amigos Sheila (Evelyn Castro) e Eddy (Rodrigo Sant'Anna), ela decide armar um plano: transformar a ingênua Ciléia (estreia da atriz Polliana Aleixo nos cinemas) na nora perfeita, que vai conquistar o amor de Fábio Júnior e fazê-lo deixar a barra da mãe —o longa é uma espécie de contrário de "A Sogra" (2005), comédia em que a personagem de Jane Fonda faz de tudo para o filho não se casar com Charlotte, papel de Jennifer Lopez. Apesar da inversão, a Neide da Protásio tem também lá seus momentos de sogra megera.

Para a diretora Cris D'Amato, o filme quebra de forma natural com o estigma de que a mulher de mais de 50 anos ou separada não pode ter uma vida sexual ativa. "Existe esse preconceito que a mulher que passou dos 50, 60 anos não tem mais vontade de transar, não tem mais vontade de fazer nada na vida, só está ali para cuidar dos filhos e netos. Não é verdade. Mulheres podem fazer o que elas quiserem, no tempo que quiserem, na idade que quiserem", destaca a diretora.

Cacau Protásio concorda: "A mulher tem o direito de separar e não querer casar de novo. Tem o direito de ter um namorado e falar para ele na madrugada, depois do sexo: 'Vai para sua casa que eu não quero ninguém aqui'. Ela tem direito de fazer uma faculdade, viajar, morar fora, transar, fazer festa", salienta. Para a atriz, não enxergar isso é coisa de gente "mal resolvida".

O filme também coloca de forma natural a homossexualidade do filho mais noivo de Neide, este que já saiu de casa e vive um relacionamento estável —aprovado pela mãe e pelo pai, Jailson (André Mattos), dono de uma oficina mecânica e separado da cabeleireira. O longa conta ainda com uma participação especial do cantor Fábio Jr.

Protásio completa que uma continuação de "A Sogra Perfeita" já está sendo escrita.

DESAFIOS E CUPIDO AMOROSO

Embora afirme não ser controladora como Neide, a atriz conta ter pontos em comum com a personagem como o fato de ser carinhosa e agregadora. Ela revela também que, assim como a cabeleireira, gosta de fazer o papel de cupido amoroso entre seus amigos.

"Não armo no mesmo nível que a Neide, mas tento armar um encontrinho em casa. Aí, de repente, falo que tenho uma reunião de trabalho e largo os dois lá. Já deu casamento, viu?", diz a atriz, aos risos.

Protásio relata que a cena mais desafiadora para ela em "A Sogra Perfeita" foi a que teve de chorar. "Botar lágrimas de verdade foi difícil de fazer". Conhecida pelo trabalho com humor, Protásio adianta a sua vontade de mostrar o seu lado dramático em novos projetos. "Quero fazer um drama bem pesado. Pronta eu não estou, a gente nunca está. Mas tem que se jogar", antecipa.

"A Sogra Perfeita"

  • Quando A partir de qui. (25/11)
  • Onde Cinemas
  • Elenco Cacau Protásio, Evelyn Castro, Rodrigo Sant'Anna, Polliana Aleixo, Luis Navarro e outros
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