Cinema e Séries

'Sob Pressão' retorna na próxima terça-feira com foco na corrupção e novos atores no elenco

Fernanda Torres e Humberto Carrão entrarão para equipe

Carolina e Evandro voltam para segunda temporada de 'Sob Pressão'
Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Julio Andrade) voltam para segunda temporada de 'Sob Pressão' - João Miguel Júnior/ Divulgação Globo
Leonardo Volpato
Rio de Janeiro

A série “Sob Pressão” (Globo) volta para a segunda temporada na terça (9) trazendo um novo problema ao hospital fictício Macedão: a corrupção. Ainda encabeçada pelos médicos Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Julio Andrade), a unidade ganhará uma nova diretora, Renata (Fernanda Torres), que se beneficiará do esquema.

As gravações continuam sendo feitas em uma parte desativada do Hospital Nossa Senhora das Dores, na zona norte do Rio, e a situação dos pacientes serão mescladas com suas histórias de vida e sofrimentos. No meio disso tudo, aparecem o caos da falta de equipamentos, a roubalheira desenfreada e a vida pessoal dos médicos. 

Segundo o autor, Lucas Paraizo, muitas histórias nessa temporada vão acontecer fora do hospital. Entre elas há um desabamento de prédio, um acidente grave de carro e o içamento de um paciente obeso pela varanda de um apartamento. Houve, ao todo, 194 participações, dentre elas de atores conhecidos e desconhecidos.

Apenas para a cena do acidente, foram mobilizados quatro dublês, 70 figurantes e 220 pessoas em cinco dias de filmagens. Nela, Carolina capota com o carro e despenca de um viaduto.

“Essas histórias deram um frescor a mais para a série, um fôlego legal, abriram novas possibilidades de narrativas”, diz Julio Andrade, que antes de se apresentar à coletiva de imprensa doou sangue junto com os outros atores da trama, em um ônibus que virou ponto médico, na Cinelândia, na região central do Rio.

Já as histórias do hospital serão norteadas pela chegada da nova diretora, que causará espanto entre os médicos, chefiados por Evandro. “Ela entra para transformar aquele hospital, mas acaba corrompida por dinheiro. Ao mesmo tempo que os médicos percebem o hospital melhor, ela vai ganhando dinheiro obscuro por trás”, conta Fernanda.

De acordo com Marjorie, o público pode esperar muita emoção e histórias densas. “Estou ansiosa para ver. Vemos um ambiente de guerra, agora, também fora do hospital. Meu corpo inteiro doía muito após a cena do acidente”, recorda.

“Muitas vezes a gente fazia o episódio e dois dias depois abríamos o jornal e estava lá algum absurdo sobre a saúde. São histórias muito reais e pertinentes, é como se a vida imitasse a arte e vice-versa. As problemáticas mais variadas não têm classe social”, diz o diretor artístico, Andrucha Waddington.

Para Julio Andrade, a expectativa é a melhor possível e todos os atores estão ansiosos. “As pessoas se enxergam nessa série. Conexão direta. Eu levo esse projeto como minha contribuição política e social. E essa segunda temporada espero que seja melhor do que a primeira”, completa.

AMOR QUE CURA

A nova temporada continuará mostrando o envolvimento entre os médicos Evandro e Carolina, que na primeira temporada tiveram um tórrido, porém conturbado, relacionamento. Desta vez, eles voltam mais unidos, casados, porém passarão por alguns percalços.

Tanto Carolina quanto Evandro se completam, mas ambos têm suas fraquezas e angústias. “É por meio desse amor que um se ampara no outro e consegue ultrapassar os dilemas”, define Marjorie.

“Eu costumo defini-los como dois heróis. Novos dilemas colocarão em cheque o amor dos dois, tudo em meio à crise desenfreada nos hospitais e na saúde pública sem recursos”, analisa o autor, Lucas Paraizo.

Logo no início, no quarto episódio, Carolina tem um reencontro com o seu pai, que abusou sexualmente dela durante a infância, como foi revelado na primeira temporada. “Será um momento muito delicado e que vai causar uma virada na vida dela”, adianta a atriz.

Depois disso, ele acabara voltando ao hospital após um incidente e terá de passar por uma cirurgia. Carolina será proibida de operar o pai, e Evandro se tornará o responsável. Só que Carolina começará a desconfiar da atuação do marido no trato com o pai dela, o que só aumentará os dilemas entre os dois.

Em meio a desilusões, Carolina sofrerá ainda com a autoflagelação (machucar com objeto pontiagudo o próprio corpo). E Evandro a tentará ajudar de todas as formas.

RAIO-X DA CORRUPÇÃO

Fernanda Torres é uma das novidades da nova temporada de “Sob Pressão”, na pele da personagem Renata. “Não queria ser essa pessoa malvada que entra e pratica vilanias, mas fazer um raio-x da corrupção”, afirma a atriz. 

“A Renata é uma gestora excelente, uma pessoa que tem dom para gerir, organizar. A entrada dela melhora o hospital. Dinheiro começa a entrar. Só que é por meio da corrupção”, completa. 

A atriz sempre fez bastante comédia, mas diz que estava com saudade de fazer drama. “Entramos no ambiente de trabalho que estava muito afinado, me senti como se entrasse em uma orquestra que está tocando. Não sabia se podia ir muito alto. Achava que estava fora de tom, às vezes. Conforme foi passando, fui achando mais normal.”

Na dinâmica da narrativa, a cara da personagem vai aparecendo aos poucos. “No que ela vai entrando no sistema ela vai se mostrando gananciosa. O que era antes uma pequena corrupção se torna maior. Quando Renata vê se torna uma fora da lei. Cruza a linha”, aponta a atriz.

Tem muito também da discussão entre os hospitais públicos e privados. “A ideia da Renata é transformar o hospital e levar uma essência de um local privado. Ela tem embates com o personagem Samuel (Stepan Nercessian, o então diretor). A Renata se transforma. É uma discussão louca”, aponta.

Humberto Carrão também estreia como o ortopedista Henrique, um personagem arrogante e audacioso, mas não vilão, segundo Carrão. “Ele está o sempre comparando a rede pública e a privada. Ele não pressiona para conseguir mais equipamentos porque em certo momento é bom não funcionar nada, pois assim ele pode ganhar uma grana.”

*O repórter viajou a convite da emissora.

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