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Exposição interativa reflete o lado político de videogames em São Paulo

Visitante acompanha mostra interativa "Games e Política" no Centro Cultural São Paulo
Visitante acompanha mostra interativa "Games e Política" no Centro Cultural São Paulo - Gabriel Quintão/Divulgação


Um atentado terrorista na principal praça de Bonton, capital do país conhecido por Nação, deixa mortos e feridos. O governo corre para investigar os suspeitos do ataque a bomba, e você vai ajudá-lo ao espionar os dados que indivíduos comuns da população postam na internet.

Esse é o roteiro do jogo "Orwell", lançado no ano passado pela desenvolvedora alemã Osmotic. O game é um dos 18 expostos na mostra interativa "Games e Política", realizada pelo Goethe Institut no Centro Cultural São Paulo até este domingo (30).

"Ao contrário do cenário do livro '1984', de George Orwell, há hoje tecnologias muito mais eficientes à disposição de um Estado totalitário para vigiar a população", diz à Folha a desenvolvedora do jogo, Melanie Taylor, 32.

Ela ainda aponta uma ironia: "A maioria dos seus dados é disponibilizada voluntariamente na internet. Não é mais preciso algo como uma câmera na casa de cada um". 

Segundo Taylor, outra inspiração do game é a revelação do americano Edward Snowden, em 2013, sobre a coleta de dados pessoais pela NSA (agência americana de segurança nacional).

Em outro dos games que podem ser jogados pelo visitante, mas em duplas, os participantes são colocados em meio a um ataque de drone no norte do Paquistão. 

Em "Killbox", o player 2 está em solo, num cenário idílico de montanhas. O player 1 assiste a tudo de cima, atrás das lentes da câmera de um drone --o segundo jogador vive à mercê do primeiro e não tem escolhas.

Mostra interativa "Games e Política" acontece no Centro Cultural São Paulo
Mostra interativa "Games e Política" acontece no Centro Cultural São Paulo - Gabriel Quintão/Divulgação

ALÉM

"A exposição pretende mostrar que jogos são sempre mais do que apenas jogos", afirma a curadora, Jeannette Neustadt. 

"Em muitos jogos de computador, as mulheres ainda são representadas por clichês, relações homossexuais quase não são refletidas. A pobreza é um tema que recebe pouco ou nenhum eco."

Em "Perfect  Woman", também retratado na exposição, o jogador vive sob a perspectiva de uma mulher. Baseado em questionários de revistas femininas, o game trabalha a questão de gênero e como ela influencia as decisões que as mulheres precisam enfrentar ao longo da vida.

"Os produtores devem estar cientes de que eles produzem não apenas jogos, mas complexos meios que podem transportar todos os tipos de mensagens", avalia Stephan Schwingeler, curador do ZKM (Centro para Arte e Mídia Karlsruhe), parceiro na organização da mostra paulistana.


"GAMES E POLÍTICA"

QUANDO sáb. e dom., das 10h  às 18h; até 30/7

ONDE Centro Cultural São Paulo, r. Vergueiro, 1.000, tel. (11) 3397-4002

QUANTO grátis

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