Tony Goes

Documentário faz retrato intimista e dolorido de Lady Gaga

Na quinta (14) da semana passada, Lady Gaga cancelou o show que faria no dia seguinte no Rock in Rio, provocando uma comoção entre seus fãs e um pesadelo logístico para a organização do festival.

Acometida por fortes dores —a cantora sofre há anos de uma doença crônica, a fibromialgia— Gaga não teve alternativa. Não foi só o Brasil que ficou a ver navios: toda a etapa europeia de sua turnê também foi adiada.

Nesta sexta (22), estreou na Netflix o documentário "Gaga: Five Foot  Two" (o título se refere à baixa estatura da moça, que mede apenas 1,57m). Através dele, ficamos sabendo que não é só o corpo de Lady Gaga que dói. A alma também, apesar do sucesso estrondoso há quase uma década.

Stefani Germanotta nunca foi de se esconder. Mesmo adotando um nome artístico, mesmo embaixo de figurinos bizarros, ela sempre se expôs. Em suas muitas entrevistas, costuma se revelar bastante articulada. E as letras de suas canções exibem sua vida pessoal: amores frustrados, vícios, inseguranças.

Mas o relativo fracasso do álbum "Artpop" (2013), que vendeu bem menos do que o esperado e não rendeu grandes hits, fez com que ela repensasse a carreira de diva da dance music.

Nos anos seguintes, Gaga mudou de rumo. Aventurou-se pelos standards americanos ao lado de Tony Bennett. Participou da série de TV "American Horror Story". Parou de se fantasiar para suas aparições públicas.

Principalmente, alterou seu estilo e sua imagem. No disco "Joanne", lançado há cerca de um ano, ela soa quase como uma cantora de música country. Seus shows também se tornaram mais simples, sem tanta pirotecnia.

"Gaga: Five Foot  Two" acompanha o processo de gravação de "Joanne". Também mostra Gaga em casa, descalça e sem maquiagem, ou em momentos em família, como no batizado de uma sobrinha. Na festa que se segue à cerimônia, ouvimos ao fundo a antiga canção "Five Foot Two, Eyes of Blue", de onde saiu o título do filme.

Mas antes disso —antes mesmo de se passarem dez minutos— o diretor Chris Mourkabel inclui a cena que gerou manchetes pelo mundo afora. Gaga reclama de Madonna, que a alfineta em programas de TV. "Por que ela não diz na minha cara que eu sou uma merda?", queixa-se a cantora. Talvez sem perceber que também está mandando recado, do mesmo jeito de que acusa a rival.

Também seguimos Lady Gaga durante uma consulta médica, quase um momento do tipo "mais do que queríamos saber". Mas os little monsters (nome usado pelos fãs da cantora)  vão se consternar ao ver que o sofrimento físico de sua ídola é para valer.


Gaga chora em frente às câmeras, toma sol de peitos de fora, duvida de si mesma o tempo todo. Talvez seja um pouco demais para os não-fanáticos.

O documentário tem final feliz. Acaba no show que ela realizou durante o intervalo do Super Bowl, em fevereiro passado, um triunfo de crítica e audiência. Mas sabemos que a história ainda não acabou: o drama de Lady Gaga continua, e claro que ela seguirá compartilhando tudo conosco.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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