Tony Goes

Cobertura do Rock in Rio pela TV foi espetacular, mas apresentadores escorregaram

O Rock in Rio está para o rock e o pop assim como a Copa do Mundo está para o futebol. São eventos grandiosos, voltados para quem não acompanha a música ou o esporte no dia a dia.

Boa parte de seus públicos é formada por fãs eventuais, que não estão a par das novidades e só querem vibrar —seja pela seleção nacional, seja pela banda que fez sucesso há 30 anos.

É para esta plateia de leigos que a televisão cobre o Rock in Rio. Procura-se atingir o maior número de pessoas possível, não só o especialista na cena independente da Finlândia. Natural e compreensível.

Além do mais, a Globo de cujo grupo faz parte o Multishow, o canal pago que cobriu o festival mais extensivamente, é parceira de Roberto Medina, criador do evento, desde a primeira edição do RiR, em 1985.

Red Hot Chili Peppers se apresenta durante o sétimo e último dia do Rock In Rio 2017
Red Hot Chili Peppers se apresenta durante o sétimo e último dia do Rock In Rio 2017 - Bruna Prado / UOL

O resultado, muitas vezes, resvala no oba-oba generalizado. Todos os shows são sensacionais; o público vive em êxtase permanente; nunca se viu nada parecido em momento algum. Quem quiser uma avaliação crítica das apresentações não irá encontrá-la na TV.

A Globo restringiu o Rock in Rio aos telejornais e a exibições de compactos (vulgo melhores momentos) na alta madrugada. Marimoon, ex-VJ da MTV, parece ter sido escalada para fazer as cabeças apenas por ter os cabelos coloridos. Só dizia platitudes, com uma alegria que quase sempre soava forçada.

Já o Multishow se esforçou para justificar o nome do canal: buscou ser múltiplo e dar um show, com o que pareceu serem centenas de câmeras espalhadas por todo o evento.

Conseguiu, várias vezes. A transmissão dos shows em si foi impecável. Palco e plateia eram capturados dos mais diversos ângulos, e o diretor de corte (que seleciona as imagens que vão para o ar) sabia o que estava fazendo. Quem assistiu de casa teve a sensação da onipresença, com direito a muito mais detalhes do que quem estava lá, espremido na multidão.

O cantor Justin Timberlake se apresentou fechando a noite do terceiro dia do Rock in Rio.
O cantor Justin Timberlake se apresentou fechando a noite do terceiro dia do Rock in Rio. - Ricardo Borges/Folhapress

Já os apresentadores tiveram desempenhos variados. Didi Wagner parecia uma senhora no meio da garotada —o que até combinou com a quantidade de tiozões presentes em muitas das apresentações.

Titi  Müller por vezes exagerou na pregação politicamente correta. João Gordo, volta e meia, não estava prestando atenção. Já Didi Effe se divertiu para valer, e suas alfinetadas também divertiram o espectador.

Reparou que todos esses nomes (além da citada Marimoon, na Globo) vieram da extinta MTV Brasil? O canal ainda é um celeiro de talentos, quatro anos depois de ter saído do ar. Aliás, chega a ser espantoso que a própria Globo quase não consiga desenvolver internamente novos apresentadores para comandar seus programas.

A cantora Pabllo Vittar durante seu pocket show
A cantora Pabllo Vittar durante seu pocket show em um dos stands da Cidade do Rock na 7ª edição do Rock in Rio - Marco Antonio Teixeira/UOL/Folhapress

Apesar de acrítica e, por vezes, atrapalhada, a cobertura do Multishow teve um saldo positivo. Da área VIP aos bastidores, não houve lugar no Rock in Rio que não fosse escarafunchado.

Para a próxima edição, em 2019, fica uma sugestão: mais especialistas de música diante das câmeras, com uma postura um pouquinho menos entusiasmada. Os apreciadores contumazes do rock e do pop agradecerão.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

Final do conteúdo

Últimas Notícias

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem