Tony Goes

Mesmo com troféu fofura para turma de 'Stranger Things', Emmy foi chato e previsível

Dizer que os Emmys se repetem também é repetir um clichê. A premiação da Academia de Artes e Ciências da Televisão é conhecida por agraciar os mesmos nomes por anos a fio.

As surpresas costumam ser poucas. O que dá uma certa graça ao prêmio é a cerimônia de entrega em si. Com um orçamento bem menor que o do Oscar e sem números musicais, a festa costuma ter piadas mas ousadas e momentos de genuína emoção.

Mas faltou humor na edição de 2016, e muito por culpa de seu apresentador. Jimmy Kimmel é o mais mansinho dos apresentadores de talk show da TV americana: não tem a acidez de Stephen Colbert, nem as habilidades musicais de Jimmy Fallon. E acabou trazendo esta mansidão para o palco do Microsoft Theatre, em Los Angeles.

Por que foi ele o escolhido para tal tarefa? Porque as quatro grandes emissoras abertas dos EUA  – ABC, CBS, Fox e NBC – se revezam na transmissão dos Emmys. Este era o ano da primeira, e Kimmel é seu contratado.


O vídeo de abertura, sempre um ponto alto do programa, até que teve boas ideias. Kimmel tentava achar carona para chegar ao teatro e pulava de carro em carro, todos dirigidos por personagens de séries ou celebridades da vida real. Foi engraçado ver Jeb Bush, derrotado nas primárias republicanas, fazendo um bico como motorista de limusine.

Mas foi justamente a política que mal deu as caras no monólogo com que ele saudou o público. E justo num ano em que a eleição americana se transformou num circo, com Donald Trump fazendo campanha como se estivesse num "reality show".

Sim, Trump foi citado, mas menos do que Beyoncé e Jay-Z. Talvez a Academia tenha resolvido pegar leve com alguém que ganhou notoriedade, afinal de contas, graças à própria TV: Trump multiplicou sua fama ao comandar a versão americana de "O Aprendiz".

O melhor momento da enxuta cerimônia ("apenas" três horas, quando o Oscar costuma se arrastar por mais de quatro) foi quando o elenco mirim de "Stranger Things", a série-sensação do momento, invadiu a cena para distribuir sanduíches de geleia com manteiga de amendoim. Medidores de fofura explodiram ao redor do mundo.

No mais, os mesmos de sempre. "Game of Thrones" ganhou como melhor drama e, com 38 troféus ao longo de todas as suas temporadas, já é a série mais premiada de todos os tempos. "Veep" levou como comédia, e Julia Louis-Dreyfus faturou seu quinto Emmy consecutivo como atriz cômica.

Ela merece, mas, e as outras? Pelo menos a sempre injustiçada Tatiana Maslany ganhou como atriz dramática por "Orphan Black". Um pouco mais de surpresas como esta teriam feito destes Emmys tão anódinos uma noite realmente memorável.





Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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