Thiago Stivaletti

Os melhores e os piores do ano na TV brasileira

Foi um ano difícil para o mundo, mas igualmente difícil para a TV brasileira, sem nenhuma novela que brilhou, mas, pelo menos, com algumas séries que valeram a pena. E, claro, como sempre, alguns atores tiveram a chance de fazer bonito.

Confira abaixo meus destaques do ano que passou:

Melhor novela: "Êta Mundo Bom"

Foi difícil escolher, porque 2016 definitivamente não foi um ano bom para as novelas. Teve A "Regra do Jogo" na reta final e ladeira abaixo nos primeiros meses do ano. Teve "Velho Chico", com um visual espetacular, mas uma história velha e arrastada. E teve "Haja Coração", um remake meia-boca de "Sassaricando".

Mas teve Walcyr Carrasco, o homem que faz milagre em qualquer horário, voltando às novelas das 18h com uma homenagem a Mazzaropi na figura de Candinho (Sérgio Guizé), um caipira ingênuo.

Boa parte do elenco brilhou, liderada por Marco Nanini, que usou mais de 30 figurinos diferentes para o professor Pancrácio e seu irmão gêmeo Pandolfo.


Pior novela: "A Lei do Amor"

Claro, existem coisas piores que as novelas da Globo. É só lembrar a infantil "Cúmplices de um Resgate", no SBT, e a turca "Fatmagul", na Band.

Mas mantendo-se no tal padrão Globo de qualidade, "A Lei do Amor" era para ser uma história de amor água-com-açúcar, protagonizada por dois lindos (Reynaldo Gianecchini e Claudia Abreu) e embalada por uma trama familiar de corrupção e sordidez. Mas está muito perdida, com uma direção cafona, Zé Mayer exagerado de vilão e Vera Holtz sem ânimo como vilã.

Melhor série: "Justiça"

Esquecendo o absurdo de que quatro personagens com crimes diferentes nunca seriam enviados à cadeia no mesmo dia e sairiam juntos sete anos depois, "Justiça" teve grandes personagens envolvidos em fortes dilemas morais, tudo sob a direção ousada de José Luiz Villamarim.

Menção especial para "Nada Será Como Antes".

Pior série: "Supermax"

A Globo apostou em algo que nunca tinha feito, uma série de terror com toques de sobrenatural e ainda adicionou ao pacote uma inspiração bizarra no "Big Brother", com direito a Pedro Bial na história. Passou em brancas nuvens.

Mico do ano: a peruca de Antonio Fagundes, em "Velho Chico"

Melhor atriz: Selma Egrei, em "Velho Chico"

Dona Encarnação, a matriarca da família Sá Ribeiro, começou a novela como apenas mais uma senhora rabugenta. Mas o talento de Selma Egrei fez o personagem crescer sem parar ao longo da história, em cenas memoráveis como a que entra no rio São Francisco atrás de Inácio, o filho que morreu anos antes. Selma merece outros grandes papéis nos próximos anos.

Menção especial para Débora Bloch e Drica Moraes, em "Justiça".

Melhor ator: Domingos Montagner, em "Velho Chico"

Domingos morreu no auge da carreira, cheio de papéis fortes no cinema e na TV. Com a escassez de galãs na casa dos 50, vai fazer muita falta.

Atriz revelação: Lucy Alves em "Velho Chico"

Luzia, a mulher ciumenta de Santo que o afastou de Tereza, era sempre um furacão quando entrava em cena. Em seu primeiro papel, Lucy, que também é cantora de xote e baião, não deixou nada a dever aos protagonistas, Camila Pitanga e Domingos Montagner.

Menção especial: Camila Márdila, em "Justiça"

Ator revelação: Gabriel Leone, em "Velho Chico"

Sim, o moço teve antes um pequeno papel em "Verdades Secretas", mas meses de trabalho com o diretor Luiz Fernando Carvalho tornaram mais emocional o Miguel, filho de Tereza e Santo.

Melhor casal: Débora Bloch e Jesuíta Barbosa, em "Justiça"

Vingança, culpa, carência e um desejo inconfessado entre uma mulher e o rapaz que matou sua própria filha, exibida sempre às segundas-feiras.

Pior casal: Letícia Spiller e Marcelo Novaes, em "Sol Nascente"

Rever a dupla, já divorciada na vida real, 21 anos depois do sucesso de Raí e Babalu em "Quatro por Quatro" dá muita melancolia.


Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

Final do conteúdo

Últimas Notícias

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem