Renato Kramer

Djavan desabafa sobre abandono do pai, que era louro de olhos azuis

"Aos 18 anos você fazia parte de um grupo chamado LSD (Luz, Som e Dimensão) — nessa época você tomava LSD?", perguntou a apresentadora de repente em meio à entrevista com o cantor e compositor Djavan que participou do "Marília Gabriela Entrevista" (GNT) da última terça-feira (22).

"Nunca nem vi!", respondeu Djavan de imediato. "A gente usou esse nome porque estava em voga na época, todo mundo falava dessa droga. E nos deu muito problema, porque a polícia inquiria: como é que é, LSD? E agente tinha que explicar que isso queria dizer Luz, Som e Dimensão", conta o cantor.

Djavan relembra que o seu grupo LSD tocava Beatles, e ele fazia as vezes de Paul McCartney. "Eu até gostava mais do John Lennon, mas um outro do grupo que era mais velho pegou o John primeiro", comenta.

Se ele tinha grandes preferências musicais no início? "Tudo o que me aparecia para fazer eu adorava, porque eu estava naquele início, prestando atenção a tudo o que poderia ser importante para a carreira", argumenta o cantor que teve o seu primeiro grande sucesso com "Alegre Menina" (Jorge Amado e Dori Caymmi), tema de "Gabriela" (Globo-1975).

"Não é engraçado você fazer grande sucesso popular com uma música considerada estranha, diferente?", indagou Gabi. "Fazer sucesso popular sem sem exatamente um artista popular", acrescenta Djavan. "Eu sou um artista popular sem fazer exatamente uma música popular", corrige.

"Eu faço uma música diversificada do ponto de vista de gênero, e isso talvez justifique atrair um público tão heterogêneo também: crianças, gente mais velha, de meia idade, adolescentes, de todas as raças, de todos os credos. Todos se interessam pela minha música dado a essa diversidade que ela tem", tenta explicar o compositor.

O cantor Djavan. Crédito: Murillo Meirelles / Divulgacao ***********EXCLUSIVO MONICA BERGAMO - NAO USAR******************* ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
O cantor Djavan - Crédito: Murillo Meirelles/Divulgação

Sobre a infância, Djavan enaltece a figura de sua mãe: "Ela conseguia, naquele universo de pobreza, de necessidade, fazer com que ninguém em casa percebesse. Ela dava um jeito, era alegre, feliz e era uma mulher que tinha uma cultura! Mesmo sem grande formação didática, ela nos ensinava tudo. A minha infância foi vivida numa atmosfera de felicidade. Pobre, mas muito feliz!", declara Djavan.

"E qual é a participação do seu pais nessa história?", quis saber Gabi. "Nenhuma, infelizmente!", respondeu o cantor de pronto. "Meu pai sumiu da minha vida quando eu tinha 3 anos de idade", confidencia Djavan. "Meu pai era descendente de holandês, era louro, tinha os olhos bem azuis. Minha mãe é negra, o sangue negro não é brincadeira, é forte!", comenta.

A apresentadora questiona se Djavan nunca teve curiosidade de ir atrás do seu pai. "Eu acho que o meu pai me deu um desprezo tão grande que isso talvez tenha apagado um pouco a importância que eu sei que ele teria na minha vida", responde o compositor com certa dificuldade.

"Será que ele não teve motivos? Você não foi atrás?", insistiu Gabi. "Eu não fui atrás. Mas tá em tempo ainda... Sei lá...", titubeou Djavan. "Mas ele não foi casado com minha mãe, foi um namorado. Foi um caso de amor um tanto confuso, minha mãe nunca gostou de falar desse assunto, então isso tudo me levou a me afastar dessa realidade", concluiu.

"O que eu mais peço a Deus é de poder continuar a ser produtivo. E que mantenha em mim essa fleuma de gostar de subir num palco, essa é a minha vida!", afirma o cantor. Quanto ao Natal? "O Natal representa o âmago do estar com a família. É o momento mais glorioso, onde você reúne todo o mundo. E canta, e reza e come bastante! É um belo momento!", diz Djavan.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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