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'BBB15' - A prepotência frustrada de Fernando

18/02/2015 - 15h52

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Em contos de fadas existem geralmente os mesmos elementos: o bem, o mal, a magia, um problema a ser resolvido e um final feliz.

Nos dois grupos antagônicos do "BBB15" não há definição de bem ou mal, e talvez este seja o problema a ser resolvido para que finalmente vire um conto de fadas com final feliz.

A internet mudou o jeito de ver o "BBB" ao trazer centenas de edições caseiras de vídeos a partir do pay per view. Roteiros diferentes que expõem facetas escondidas e boicotam os personagens idealizados pela direção, preocupada apenas em construir um enredo redondo que garanta audiência e não afaste patrocinadores.

Até esta terça-feira (17), Fernando e Aline combinavam boa parte dos ingredientes para o sucesso: juventude, beleza, romance, aliados, discurso de justiça e boa movimentação do jogo. Quase tudo nesta edição do reality show passou a girar em torno deles.

Fernando articulou a formação dos grupos e esteve atento ao público precocemente quando escolheu a loira que ficou na primeira eliminação, e junto dela abrigou a turma dos "estranhos" Adrilles e Mariza. Eram os príncipes com seus ogros, elfos e duendes.

Certos ou errados, vilões ou mocinhos, Fernando e Aline revezaram boa natureza com momentos de maldade, mas ninguém é essencialmente bom ou ruim. A fluidez dos acontecimentos é o trunfo de um "BBB" pois permite a cada eliminação que os papéis mudem.

As menções de ódio ao "Ferline" nas redes sociais não se restringiram aos comentários machistas do casal. Eles assumiram o jogo de "fazer novela", tramar um enredo e usar os adversários a seu favor, mas o público se identifica com os participantes enganados.

Para a audiência foi como se o Fernando e Aline dissessem prepotentes: "Vamos fazer o público de idiota, dizer o roteiro para a editor e assim venceremos o 'BBB'". Poupado na semana passada, Fernando renasce no jogo rumo ao final feliz que não passa por Aline.

Cabe ao editor do programa, fada madrinha ou bruxa malvada, uma magia boa o suficiente para definir quem serão os vilões a partir de agora, afinal sem eles não existem heróis.

Era uma vez outro casal, Talita e Rafael, que destilavam comentários preconceituosos, transitavam por grupos opostos, e vulgarizavam o reality com seus diálogos chulos e sexo sem proteção. Era uma vez Luan que escondia o pão, e Angélica que jogava suas verdades agressivamente sobre os concorrentes. Viverão felizes para sempre?

Em várias culturas, os contos de fadas possuem uma lição de moral. O "BBB" ensina que um participante não deve achar que conhece o desejo do público, porque esse desejo é fluido e pode mudar de uma hora para outra.

Marcelo Arantes

Marcelo Arantes é médico psiquiatra e psicoterapeuta, atende adultos e crianças em São Paulo e interage com os leitores por meio do site "www.marceloarantes.com"

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