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Japão desenvolve robôs cada vez mais semelhantes aos seres humanos

Especialistas dizem que sua forma humana é essencial para a integração

Um robô chamado Erica criado por pesquisador japonês tem formas humanas e realistas
Um robô chamado Erica criado por pesquisador japonês tem formas humanas e realistas - Gabriel Bouys/AFP

Madri

Com o rosto absolutamente realista, Erica fixa os olhos nos olhos do interlocutor. Assim como ela, os humanoides estão ganhando espaço na pesquisa robótica, já que sua forma humana é fundamental para integrá-los em nosso cotidiano, segundo vários pesquisadores.

“Você falou sobre gerenciamento de projetos, pode me contar mais?”, pergunta Erica em uma entrevista de emprego fictícia, na qual ela é responsável por recursos humanos. Não entende o histórico da conversa, mas reage quando captura uma palavra-chave.

A presença de robôs em uma base diária é uma fonte de controvérsia, por medo de destruir milhões de empregos. E, no entanto, é inevitável, dizem os engenheiros reunidos até sexta-feira na conferência internacional de robótica IROS 2018, em Madrid.

Em sociedades cada vez mais envelhecida, “robôs, eventualmente, acabam coexistindo com os seres humanos”, diz AFP Kamide Hiroko, uma psicóloga japonesa especializada na relação entre pessoas e robôs e sua “coexistência pacífica”.

Tirar os robôs da indústria e dos laboratórios para inseri-los em residências e locais de trabalho significa desenvolver “máquinas polivalentes capazes de interagir com o homem”, e não “perigosas” para ele, explica Philippe Souères, diretor do setor de departamento de robótica do centro de pesquisa LAAS-CNRS (Toulouse, França).

HUMANOS, MAS NEM TANTO

O objetivo final é que os robôs saibam “se comportar de maneira flexível”, apesar de sua mecânica rígida, e “parem com rapidez suficiente” em caso de acidente, para evitar acidentes, acrescenta Souères.

Atlas, o humanoide concebido pela Boston Dynamics, é tão habilidoso que é capaz de correr em diferentes tipos de solo. Em Madri, o fundador da empresa norte-americana, Marc Raibert, transmitiu um vídeo em que o robô é visto fazendo acrobacias.

Financiado por uma agência do Departamento de Defesa dos EUA, o robô foi acusado em 2015 pela Anistia Internacional de ser um futuro “robô assassino”, concebido para a guerra.

Outro humanoide apresentado em Madri foi o Talos, um robô de 1,75m e 95 quilos, fabricado pela empresa espanhola Pal Robotics e com grande senso de equilíbrio.

Embora não seja a única forma usada para robôs em contato com humanos, Hiroko Kamide argumenta que a forma humanoide é “mais facilmente aceita” porque as pessoas podem “antecipar como os robôs se moverão ou reagirão”. Uma semelhança que acalma, mas também tem seus limites.

De acordo com a teoria desenvolvida pelo pesquisador japonês Masahiro Mori nos anos 1970, o robô é legal se tem características familiares, mas torna-se chato se parecer demais.

“Um rosto humano nunca pode reproduzir-se perfeitamente”, e essa imperfeição provoca um sentimento de “rejeição” no ser humano, diz Miguel Salichs, da Universidade Carlos 3 de Madri.

No seu caso, este pesquisador optou por dar a aparência de um animal de desenho animado ao seu robô Mini Maggie, destinado a entreter os idosos em casa.


COMPREENDER OS HUMANOS


No Japão, robôs como Erica já estão sendo usados como recepcionistas. Embora para um de seus designers, Hiroshi Ishiguro, professor da Universidade de Osaka, esses humanoides sejam, acima de tudo, “uma ferramenta muito importante para entender os seres humanos”.

Durante seu desenvolvimento, os pesquisadores devem, por exemplo, analisar o que caracteriza as interações entre os seres humanos, em termos de contato visual, por exemplo.

Para o alemão Jurgen Schmidhuber, presidente do laboratório NNAISENSE, o futuro está cheio de robôs, humanoides ou não.

Segundo ele, os futuros robôs “não apenas imitarão o que os seres humanos fazem, mas resolverão os problemas experimentando por si mesmos”, graças a uma inteligência artificial que lhes permitirá aprender “sem a necessidade de um professor humano”.


Sentada em sua cadeira, Erica, que tem a cor vermelha nas maçãs do rosto, balança a cabeça.

AFP
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