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Ambulantes usam ritmos da salsa e do reggaeton para vender produtos nas ruas de Havana, em Cuba

Tradição volta com tentativa de liberalizar a economia do país

Lyssett Pérez, de 46 anos, vende amendoim nas ruas de Havana, em Cuba
Lyssett Pérez, de 46 anos, vende amendoim nas ruas de Havana, em Cuba - Fernando Medina - 06.set.18/ Reuters

Rodrigo Gutierrez Sarah Marsh
Havana

Ambulantes cubanos estão trazendo de volta o pregón, a arte de cantar músicas bem-humoradas e de duplo sentido sobre os produtos que vendem, com alguns estão modernizando a tradição utilizando ritmos do reggaeton.

O pregón é uma tradição de séculos que inspirou canções como “El Manisero” (o vendedor de amendoim), composta pelo músico cubano Moisés Simons no final dos anos 1920 no estilo da música son, que originou a salsa.

O costume desapareceu em Cuba depois que a revolução de 1959 de Fidel Castro acabou com a maior parte da livre iniciativa da ilha. Entretanto, com a tentativa de liberalizar a economia centralizada de Cuba nas últimas décadas, a prática está voltando.

Agora, cubanos podem obter uma autorização para fabricar e vender seus próprios produtos nas ruas, como sorvete de coco e sucos. Os vendedores muitas vezes preferem essa opção, já que abrir uma loja continua sendo um empreendimento caro, levando em conta as restrições impostas aos negócios privados.

Outros simplesmente vendem ilegalmente mercadorias de lojas por preços maiores, torcendo para evitar autoridades e multas.

Nem todos os ambulantes adotam o pregón. Alguns simplesmente gritam o que estão vendendo e seus preços de maneira seca e repetitiva, muitas vezes usando megafones que prendem em carroças precárias ou bicicletas.

Mas, os pregoneros cubanos, como Lyssett Pérez, que oferece cones de papel com amendoim torrado aos turistas em Havana Velha, acreditam que suas canções os destacam.

“Primeiro, é para as pessoas me ouvirem. Segundo, é para me amarem”, explicou Lyssett. “Para mim o pregón significa alegria”.

Lyssett optou por pregones mais tradicionais. Ela usa vestidos de estilo colonial com saias volumosas e aventais brancos para chamar a atenção de potenciais clientes.

“Se você quer se divertir com a boca, compre um corneto de amendoim”, canta Lyssett com uma voz profunda e melodiosa enquanto sobe e desce as ruas pitorescas de Havana Velha.

Outros pregoneros estão atualizando o gênero. Gilberto Gonzalez canta raps sobre seus produtos na batida do reggeaton, que mistura reggae, música latina e ritmos eletrônicos.

“Papel higiênico, diz o refrão, comprem de mim, meu povo, para limpar o traseiro, mãos para cima!”, cantarola em um vídeo filmado por um transeunte que obteve dezenas de milhares de visualizações no YouTube.

Reuters
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