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Teste do pezinho, chupetas e certidão; como é a maternidade de bonecas hiper-realistas

Alguns bebês respiram, outros tomam água e até fazem xixi

Bonecas realistas conhecidas como "reborn dolls" são expostas na Maternity Dolls, em Orlando, loja que imita uma maternidade real - Divulgação

Beatriz Fialho
São Paulo

Ao chegar na maternidade, é preciso vestir um traje hospitalar e máscaras. Depois, uma enfermeira conduz os futuros pais entre os 20 berços, até que encontrem seu filho. O processo é semelhante ao de hospitais, com a diferença de que os bebês não são reais. 

A boneca e a futura mãe têm uma pulseirinha com o nome. Quem entra na maternidade também recebe um adesivo de visitante. Depois de escolhido, o bebê é examinado, pesado, medido e faz até o "teste do pezinho". 

"Alguns bebês respiram, outros tomam água e até fazem xixi", diz o brasileiro Richard Harary, CEO da Maternity Dolls, a primeira maternidade de bonecas de Orlando (EUA). O local faz parte da loja de enxovais MacroBaby e será inaugurado nesta sexta-feira (20). 

As peças mais simples, produzidas em massa, custam cerca de US$ 90 (R$ 350). As bonecas vendidas são feitas na França, Itália e Espanha em um processo artesanal que pode levar até 60 dias —essas podem ultrapassar os US$ 5.000 (R$ 20 mil). 

Antes de ir para casa no colo de sua nova família, o bebê ganha uma certidão de adoção. Muito semelhante às de nascimento, o documento inclui local de fabricação, nome da mãe ou pai e dos avós.

Harary diz que a ideia surgiu como uma brincadeira: "Já fazíamos ultrassom dentro da loja, só faltava fazer o parto". 

O modelo de negócio tem se popularizado nos EUA. Em Nova York, a Fao Schwarz foi uma das primeiras a investir no comércio de bonecas realistas, até fechar as portas em 2015. Próximo a Orlando, a Judy's Dolls, no município de Longwood, também oferece a vivência da maternidade. 

A filha da fotógrafa Renata Barone, Manuela, 10, tem dois bebês e pretende aumentar a coleção. Catarina chegou primeiro, quando a menina tinha cinco anos. Já Parker, o segundo, nasceu no final de 2017.

 
"Ela comemora o 'mesversário' deles. Fomos para praia e ela quis levá-los também. Os dois têm um cantinho para dormir, tudo é diferente", comenta Barone. Segundo ela, a pediatra da filha incentivou a brincadeira. "Ela disse que o senso de responsabilidade de uma criança que adota uma boneca aumenta muito."

No Brasil, celebridades mirins como Rafaela Justus, 8, filha de Ticiane Pinheiro e Roberto Justus, e Lorena Queiroz, 7, atriz do SBT, colecionam bebês "reborn". Gabriela Queiroz, mãe de Lorena, diz que, embora essa não seja a atividade favorita da filha, os bebês também têm nome, roupinhas e mamadeiras. 

Essa popularização mundial fez com que a Maternity Dolls investisse também em um sistema de compra por realidade virtual. "Você pode agendar um horário pelo site e caminhar pela maternidade com um robozinho, que te auxilia na escolha do bebê." A entrega é mundial e, no "pacote da cegonha", também está incluso a certidão de nascimento.

Caso queiram, os pais também podem encomendar um bebê com feições e movimentos personalizados. Nesse caso, a boneca pode levar até dois meses para ficar pronta. O CEO afirma que o projeto, no início, era destinado para o público infantil. "Mas existe um mercado para adultos, que compram bonecas bem mais caras, quase perfeitas, que custam de US$ 3.000 [R$ 11 mil] a US$ 5.000 [R$ 20 mil]. É um mercado de colecionadores."

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