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Pais devem dar aos filhos arma de brinquedo como Kate e William deram ao príncipe George?

Psicólogos e educadores explicam por que evitar esse tipo de diversão

Príncipe George, da realeza britânica, segura arma de brinquedo
Príncipe George, da realeza britânica, segura arma de brinquedo - Steve Parsons/AP
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São Paulo

Uma foto do príncipe George brincando com uma pistola de brinquedo, no início do mês, em um evento na Inglaterra, provocou repercussão e reacendeu o debate: crianças e armas de brinquedo, pode ou não pode? O assunto é polêmico, mas, para psicólogos e educadores, o melhor é não estimular esse tipo de diversão.

"Com o crescimento da violência e o acesso à informação pela internet e pela televisão, o assunto está próximo da realidade das crianças. Se no passado a arma era apenas um brinquedo que estimulava a imaginação, agora, a criança tem real noção do seu uso. Portanto, o indicado é evitar, até porque existem milhares de outros tipos de brincadeira que não fazem referência à violência e que podem ser estimuladas", explica a psicóloga Ana Flávia Parenti.

Essa é a mesma opinião da professora Maria Angela Barbato Carneiro, do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). "No contexto brasileiro, que está muito violento, não recomendamos esse tipo de brinquedo para, assim, evitar a associação entre armas e crianças."

Por outro lado, ela explica que é natural que os pequenos, mesmo sem terem uma pistola de brinquedo, possam usar outros objetos ou a própria mão para simular uma arma. "É natural que as crianças reproduzam a realidade. Os pais não precisam proibir, mas devem observar e supervisionar em que realidade a arma está surgindo. Se é dentro de uma brincadeira, como Polícia e Ladrão, tudo bem. Faz parte do universo infantil criar brincadeiras com heróis e bandidos. Mas se começar a passar do limite, aí, sim, os pais devem intervir", orienta a educadora.

Outra dica dos profissionais é, quando for inevitável –no caso de a criança pedir muito uma arma, por exemplo–, que os responsáveis prefiram os brinquedos que sejam bem coloridos e nada parecidos com as armas reais. 

A gerente de imigração Ana Carolina Campos, 41, não gosta que o filho, Enzo, de três anos, brinque com a pistola de água que ganhou de um tio. "Deixo escondida ou procuro trocar por algum outro objeto. Eu percebi que, na verdade, ele gosta é de jogar a água. Por isso, comprei outros brinquedos, que têm formato de bichinhos e que cospem água também. Ele gostou bastante."

Thais não quer que os filhos Benjamim e Esther brinquem com armas de brinquedo. Ela posa com os dois filhos no colo
Thais não quer que os filhos Benjamim e Esther brinquem com armas de brinquedo - Jardiel Carvalho/Folhapress

A representante comercial Thais Maria Valadão de Freitas, 40, também prefere evitar esse tipo de diversão para os filhos, por acreditar que estimula a agressividade. "Não acho legal brinquedo que faça referência à violência, porque já vivemos em um mundo muito intolerante, em que qualquer coisa é motivo para as pessoas explodirem."

Ela conta que as duas filhas mais velhas, Vitória, 18 anos, e Helena, 12, não tiveram armas de brinquedo e que pretende fazer o mesmo com os mais novos, Esther, de três anos, e Benjamim, dois anos. "Prefiro não estimular isso, e até agora eles não ganharam nada parecido. Existem outras brincadeiras muito mais saudáveis", conclui.

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