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Quem vai querer comprar a casa mais cara da América?

A casa mais cara dos Estados Unidos foi construída por Nile Niami, um produtor cinematográfico
A casa mais cara dos Estados Unidos tem o preço inicial de US$ 500 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) - Jake Michaels/The New York Times


“Digamos que você é um sujeito solteiro e riquíssimo que acaba de vender sua empresa”, disse Nile Niami. “Você acaba de se mudar para LA e não conhece ninguém, então contrata alguém para encher sua casa de pessoas festeiras. Você quer que todo o mundo saiba quem você é, mas não quer conversar com ninguém. Então fica em sua sala VIP.”

Niami estava conduzindo pessoas em um tour de sua casa, e, diferentemente da maioria das residências, esta tem uma boate, onde o tour começou. A boate terá vários bares, uma chapelaria própria e tetos de LED que transmitem imagens de nuvens em movimento. Atrás das paredes de vidro há uma piscina, sem falar na vista panorâmica que se estende até o centro da cidade e o bairro de Century City.

A casa está sendo construída há quatro anos. Quando ficar pronta, na próxima primavera, será uma das maiores residências particulares da América (com quase 9.300 metros quadrados), e, com preço inicial de US$ 500 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão), a mais cara, também.

O imóvel tem 20 dormitórios, sete dos quais situados numa construção separada para funcionários. O maior quarto é uma suíte master de 511 metros quadrados. Ela terá seu próprio escritório, piscina e cozinha. Como a sala VIP, a intenção é que a suíte master possa funcionar como um retiro particular, isolado do resto da casa.

A casa tem um salão de beleza de dimensões comerciais e uma sala onde as paredes e o teto são feitos de aquários de águas-vivas. Perguntado o porquê disso, Niami deu de ombro, parecendo perplexo. “Porque é bacana”, respondeu.

Ele disse que a casa terá no mínimo quatro piscinas, incluindo as piscinas da boate e da suíte master. Mas segundo outra contagem, disse Niami, há sete, entre elas um fosso de borda infinita que cerca o imóvel e piscinas internas no spa. Niami perdeu a conta do número de elevadores. “Preciso contar”, respondeu, fechando os olhos e erguendo a mão. Alguns instantes depois ele tem a resposta na ponta da língua: cinco.

O preço inicial pedido é quase cinco vezes maior que o das residências mais caras já vendidas em Los Angeles –a Mansão Playboy, vendida em 2016, e uma casa no bairro de Holmby Hills vendida por US$ 100 milhões no ano passado. O imóvel residencial que alcançou o preço mais alto na América até hoje custou US$ 137 milhões e fica na região dos Hamptons, em Nova York. A residência mais cara do mundo teria saído por US$ 300 milhões.

No século 19, famílias como os Astor e os Vanderbilt passavam anos ou mesmo décadas projetando mansões em estilo novo grego ou romano, para impressionar aristocratas europeus. Hoje são promotores imobiliários como Niami, ex-produtor de filmes, que constroem as casas, criadas com o intuito de impressionar potenciais compradores bilionários internacionais.

O arquiteto da casa, Paul McClean – também responsável pela casa pela qual Jay-Z e Beyoncé desembolsaram US$ 88 milhões este ano — disse que o imóvel servirá tanto para entretenimento e exibição quanto como residência. Era assim que funcionavam as mansões da Era Dourada americana (1870-1900). “O padrão se repete”, disse McClean.

Mas, enquanto as mansões da Era Dourada foram construídas para ser transmitidas de geração em geração das mesmas famílias ou então doadas a universidades, as mansões ultramodernas atuais, feitas de vidro e mármore e carregadas de tecnologia, são projetadas para se viver no momento. Elas vêm mobiliadas e decoradas, muitas vezes incluindo até obras de arte, vinhos e carros. Cada uma delas representa a aposta de um promotor imobiliário na possibilidade de um bilionário louco por gratificação instantânea se dispor a pagar mais por ela do que praticamente qualquer outra pessoa já pagou por uma residência pessoal.

A nova Era Dourada tem seu epicentro em Los Angeles, especialmente no ponto onde os bairros de Bel-Air e Holmby Hills convergem com a cidade de Beverly Hills. Corretores imobiliários descrevem a área como o Triângulo de Platina. Uma casa de altíssimo padrão está à venda em Bel-Air por US$ 250 milhões; ela vem com uma equipe de funcionários domésticos cujos salários já estão pagos por dois anos. Ali perto, um promotor de Londres está promovendo um condomínio fechado em que as residências estão sendo oferecidas por a partir de US$ 115 milhões.

Em 2012, Nile Niami desembolsou US$ 28 milhões pelo terreno no alto de um morro, que incluía uma casa desocupada de 930 metros quadrados que estaria em más condições. Niami se negou a revelar quanto está gastando com a construção da mansão.

“The One”, o nome que ele deu à mansão, chegará ao mercado oficialmente quando estiver pronta, em meados de 2018. Corretores imobiliários locais parecem concordar que Niami está construindo uma mansão ímpar em um terreno também ímpar, com uma vista de 360 graus que dificilmente seria encontrada em qualquer lugar exceto o museu Getty.

Muitos acham pouco provável que Niami consiga o preço pedido. Stephen Shapiro, presidente da agência imobiliária Westside Estate, em Beverly Hills, diz que as vendas de casas de mais de US$ 20 milhões em Los Angeles e redondezas estão fortes há vários anos. Mas ele citou apenas três ou quatro vendas de valor superior a US$ 100 milhões em toda a Califórnia, dizendo que se trata de um “mercado inexistente”. Segundo o departamento imobiliário internacional da casa Christie’s, menos de três dúzias de residências em todo o mundo foram vendidas por mais de US$ 100 milhões nos últimos dez anos.

Jonathan Miller, avaliador imobiliário de Nova York que rastreia as vendas de imóveis residenciais de mais de US$ 50 milhões nos EUA, contou que um apartamento de quatro andares em Manhattan está prestes a ser vendido por US$ 250 milhões. O recorde de 2015 foi uma mansão na França vendida por US$ 300 milhões. Foi revelado recentemente que o comprador foi o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita.

Miller não acha que essas vendas indiquem necessariamente que o mercado está forte e observou: “Não houve nada que tivesse chegado perto de US$ 500 milhões”.

Tradução de CLARA ALLAIN

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