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'Pantanal': Cena de estupro de Alcides é violenta, mais ainda com Maria Bruaca

Personagem, que havia se empoderado ao longo da novela, volta à origem de mulher impotente

Maria Bruaca (Isabel Teixeira) e Alcides (Juliano Cazarré) - João Miguel Júnior/Globo
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São Paulo

A tão esperada cena em que o grileiro Tenório (Murilo Benício) se vinga do peão Alcides (Juliano Cazarré) na novela "Pantanal" (Globo) foi ao ar, finalmente, nesta segunda (26).

O roteiro manteve a mesma ideia de um acerto de contas entre dois homens brutos e que querem defender sua honra. Mas, diferentemente da versão original, exibida em 1990 pela TV Manchete, Tenório não castra Alcides.

O desfecho adotado na nova versão foi sugerir que a vingança foi, na verdade, um estupro. Alcides não está sangrando quando sai do quarto em que foi preso por Tenório –está psicologicamente abalado, humilhado.

Atuações de Benício, Cazarré e Isabel Teixeira (Maria Bruaca) são impecáveis e comoventes.

Mas o burburinho que se deu ao longo da semana, sobre se estuprar seria "pior" (ou não) do que castrar, foi atropelado por uma série muito violenta. Principalmente com a personagem Maria Bruaca.

O que dizer sobre o abalo explícito, físico e psicológico, que ela sofreu nas cenas desta segunda?

Uma sequência que se inicia com a personagem da própria filha Guta (Julia Dalavia). Em vez de apoiar a mãe, que agora tem um novo namorado, ela coloca Bruaca em posição inferior. Revive na mulher a insegurança ao dizer que ela não é capaz de ser amada por um homem. Insinua que Alcides está com ela por dinheiro.

Depois, violência de gênero. Tenório grita, ameaça de morte, humilha e leva Bruaca junto com Alcides para o local onde se inicia a tortura.

Violência psicológica, talvez a mais atormentadora do capítulo, ao focar os olhos grandes e expressivos de Maria Bruaca (vale ressaltar aqui, mais uma vez, a atuação brilhante de Isabel Teixeira) assistindo ao homem que ama ser torturado.

Tenório esquenta um pedaço de madeira no fogo para abusar de Alcides. Bruaca assiste a tudo e, trancada do lado de fora, não pode fazer nada. Ela grita, chora, cai no chão sem forças.

A cena confinou a personagem de Maria Bruaca, que havia crescido e se empoderado ao longo da novela, à sua origem de mulher impotente e que pode apenas assistir ao rumo de sua vida –não tomar conta dele.

O desfecho de Maria Bruaca e Alcides no novo "Pantanal" foi perturbador. E o gatilho para tantas mulheres estava ali, escancarado nos olhos dela.

Talvez fosse menos dolorido Alcides ter sido castrado.

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