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Além de 'Nos Tempos do Imperador', veja outras novelas que causaram polêmica

Tramas já foram criticadas por falas racista e pouca representatividade

Jorge / Samuel ( Michel Gomes ) e Pilar ( Gabriela Medvedovski )
Samuel ( Michel Gomes ) e Pilar ( Gabriela Medvedovski ) - João Miguel Júnior/TVGlobo
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São Paulo

A novela “Nos Tempos do Imperador” (Globo) deu o que falar nesta terça-feira (24), após um diálogo entre Pilar (Gabriela Medvedovski) e Samuel (Michel Gomes) sugerir que a ela estava sofrendo preconceito por ser branca. As redes sociais não perdoaram, e a autora, Thereza Falcão, se desculpou pelo “erro grosseiro”.

Mas “Nos Tempos do Imperador”, única novela inédita na atual programação da emissora, não está sozinha em erros e polêmicas. Recentemente, foi a ausência de negros que provocou críticas e até um questionamento do Ministério Público do Trabalho sobre a representatividade de “Segundo Sol” (Globo, 2018).

A novela, que tinha como protagonistas Luzia (Giovanna Antonelli) e Beto Falcão (Emilio Dantas), era formada por um elenco quase totalmente branco numa trama que se passava na Bahia. Na época, a Globo afirmou que trabalharia para evoluir a questão e, de fato, atores negros foram escalados para participações esporádicas.

Outra polêmica aconteceu na famosa “Êta Mundo Bom” (Globo, 2016), que levou ao ar uma cena em que o ator Marco Nanini pintava o rosto de preto para se passar por uma pessoa negra. O blackface foi bastante criticado e depois cortado na reprise da novela no Vale a Pena Ver de Novo, no ano passado.

Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP, cita ainda “Porto dos Milagres” (Globo, 2001), que também tinha um elenco predominantemente branco.

No caso de “Nos Tempos do Imperador”, a polêmica gira em torno do diálogo de Pilar com o namorado sobre o fato de ter sido rejeitada na Pequena África, reduto de negros que buscam proteção. “Só porque você é branca não pode morar na Pequena África? Como queremos ter os mesmos direitos se fazemos com os brancos as mesmas coisas que eles fazem com a gente”, indagou Samuel.

Para Alencar, "as pessoas que estão condenando esse diálogo têm razão, ele é completamente sem sentido. Por isso que a TV está perdendo para as produções de streaming, tenho visto séries mundo afora e elas têm sido mais fiéis ao tempo e à história que estão retratando”, acrescenta.

Em seu perfil oficial no Instagram, o influenciador e ativista AD Junior afirmou que a cena foi um “deserviço”. “Aplicar o conceito de ‘racismo reverso’ numa fala é muito perigoso, e essa cena vai morar na cabeça de milhares de pessoas. Um deserviço total”, escreveu ele. Outras pessoas e ativistas também criticaram a novela.

Em comentário na publicação, a autora Thereza Falcão concordou que o diálogo “foi péssimo”. “Pedimos muitas desculpas. Eu mesmo quando vi a cena aqui em casa, falei: o que foi isso?”

Ela acrescentou que os capítulos iniciais da trama foram escritos em 2018 e gravados, em sua maioria, em 2019. “Na época não contávamos com uma assessoria especializada, o que só aconteceu no ano passado, com a entrada do [pesquisador de cultura afro-brasileira] Nei Lopes. Hoje assisto a muitas cenas com uma sensação muito longínqua.”

Fora do âmbito da questão racial, a Globo também optou por avisos antes e depois das transmissões de algumas novelas para alertar o telespectador sobre erros ou contextos históricos. Foi assim com a segunda parte de “Amor de Mãe” (Globo, 2019-2021), que trazia informações desatualizadas sobre a Covid-19.

O canal Viva também inseriu o aviso “esta obra reproduz comportamentos e costumes da época em que foi realizada” antes das reprises de “Da Cor do Pecado” (2004), “A Viagem” (1994), “O Salvador da Pátria” (1989) e “Era Uma Vez” (1998). Algumas dessas tramas trazem expressões racistas e preconceituosas.

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