Televisão

Promessa de sucesso, 'Órfãos da Terra' chega ao fim nesta sexta após perder fôlego no meio

Trama da Globo declinou, mas recuperou audiência na reta final

Jamil (Renato Goes) e Laila (Julia Dalavia) diante de Dalila (Alice Wegman)
Jamil (Renato Goes) e Laila (Julia Dalavia) diante de Dalila (Alice Wegman) - Victor Pollak/Globo
São Paulo

A novela "Órfãos da Terra" (Globo), que chega ao fim nesta sexta-feira (27), começou com tudo em abril. Enredo documental e imagens realistas sensibilizaram o público e a crítica para a causa dos refugiados. O romance entre Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Goes) e a luta do casal contra o vilão Aziz (Herson Capri) conduziu a história dos árabes que fugiram do conflito na Síria e chegaram ao Brasil.

A audiência começou perto dos 22 pontos no Ibope e se manteve próxima a essa média ao longo da trama (na Grande São Paulo, cada ponto equivale a cerca de 73 mil domicílios), índice melhor que o da antecessora, "Espelho da Vida", que fechou abaixo dos 20 pontos.

Apesar do impacto que a trama causou no início, a história começou a se perder já em meados de maio. Com a morte precoce de Aziz, a vilania foi herdada por Dalila (Alice Wegmann), que passou os dias (ou os capítulos) bolando maldades infantis contra os mocinhos, segundo escreveu o crítico do UOL Maurício Stycer. "Teve direito a todos os clichês, como golpe da barriga e falso teste de DNA", lembrou Stycer. Laila também "ficou só sofrendo".

Mas o fôlego que se perdeu no meio do caminho foi retomado nesta reta final —especialmente com as surpresas armadas por Dalila—, e alguns capítulos desta e da última semana bateram os 26 pontos.

IDENTIDADE PERDIDA

A identidade das autoras Thelma Guedes e Duca Rachid, que selaram sucessos como "Cordel Encantado" (2011) e "Joia Rara" (2013), não ficou marcada em "Órfãos da Terra", de acordo com Claudino Mayer, especialista em TV. Ele lembra que a dupla criou a história para ser exibida no horário das 21h, depois das 23h, e acabou definida para as 18h. "Nisso, elas se perderam um pouco", avalia Mayer.

Mas o que mais prejudicou o andamento da trama, ele diz, foi a ingenuidade na construção da vilã Dalila. "Ela fazia planos cheios de falhas e nem a polícia conseguia descobri-la. Foi ingênuo e simplista."

Uma aposta original das autoras diz respeito ao casal protagonista Laila e Jamil: eles não estiveram em busca do amor ao longo da trama, pois o encontraram no início da novela. "O público torceu para que o casal continuasse junto, apesar de todas as investidas da vilã", diz o especialista.

Há, no entanto, quem defenda o perfil de Dalila. Para Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia , a vilania mais ingênua é característica de uma trama das seis.

"A novela tem essa característica documental, como que saída das notícias de jornal, e folhetinesca. Por mais documental e realista que se pretenda, é uma criação literária, dramática, uma encenação. Daí a presença da vilania, por sinal muito bem posta para uma trama destinada a esse horário", afirma.

TONS DE COMÉDIA

O sucesso do núcleo cômico é uma avaliação unânime. As brigas entre os vizinhos Bóris (Osmar Prado) e Mamede (Flavio Migliaccio) trouxeram a leveza necessária a uma trama que se propõe a discutir temas sérios e pesados.

As duas famílias brigaram por causa dos cachorros e pelo amor proibido dos netos, Ali (Mouhamed Harfouch) e Sara (Verônica Debom), e a confusão ficou ainda melhor com Ester (Nicette Bruno) e seu filho Abner (Marcelo Médici).

O último capítulo é um mistério. Após o tão aguardado beijo lésbico entre as personagens Valéria (Bia Arantes) e Camila (Anaju Dorigon), essa última levou um tiro de Dalila, que na fuga também acabou ferida pela polícia. Quem vai viver ou morrer será revelado apenas nesta sexta. 

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem