Televisão

Atriz que vai sofrer gordofobia em 'Malhação' diz que desgaste psicológico é maior do que físico

Guilhermina Libanio vive Úrsula na trama jovem da Globo

A atriz Guilhermina Libanio

Descrição de chapéu Agora
Alline Magalhães
São Paulo

"Malhação: Vidas Brasileiras" (Globo) já tratou de temas complexos, como a divulgação de fotos de nudez de adolescente, intolerância religiosa e preconceito contra a dança. A cada 15 dias, a novela se aprofunda na história de um dos personagens que estudam na escola fictícia Sapiência. 

E o protagonismo desta vez é de Úrsula, interpretada por Guilhermina Libanio. A jovem adolescente sofre bullying e se sente insegura com o próprio corpo, por estar acima do peso. "O mais bacana foi descobrir que a vivência para interpretar a Úrsula já estava dentro de mim. Ela é muito próxima da Guilhermina de 15 anos", revela a atriz.

A personagem tem um interesse amoroso por Enzo (Bruno Ahmed), que tentará esconder o envolvimento com ela dos colegas. Ao mesmo tempo, ela será motivada pela prima Barbara (Dora Freind) a gravar alguns vídeos artísticos, valorizando a própria beleza. "Achei incrível como escreveram a história com delicadeza e profundidade. É tudo relacionado a amor-próprio", conta Guilhermina.

A atriz diz acreditar que pessoas obesas tenham maior sofrimento psicológico do que físico. Até por isso é tão importante discutir a gordofobia na TV. 

DEMORA PARA ENGATAR

A fase atual de "Malhação" está no seu segundo mês, mas ainda não conquistou o sucesso da anterior, "Malhação: Viva a Diferença" —escrita por Cao Hamburger, a novela bateu recorde de audiência, com média de 20,4 pontos na Grande SP, e registrou 19,8 pontos no último capítulo.

A média da temporada atual está, até agora, em 17 pontos —o que indica queda. A reportagem requisitou à Globo dados comparativos de um mesmo período de ambas as temporadas, mas não teve retorno.

Para Julio Cesar Fernandes, especialista em teledramaturgia, a queda não significa erros da atual temporada, mas sim um grande acerto da anterior. "Tivemos cinco protagonistas mulheres e um núcleo negro interessante. A TV está cada vez mais na era da identificação", avalia.

DRAG QUEEN TAMBÉM FOI TEMA 

"Malhação" ousou no desfecho da trama que envolveu Leandro, interpretado por Dhonata Augusto,
na semana passada. O personagem é um estudante que sonha em se tornar dançarino profissional, mas enfrenta dificuldade financeira.

Para contorná-las e ajudar a sua família, Leandro fazia trabalho como dançarino drag queen. A reação do seu pai (Daniel Ribeiro) ao descobrir a situação foi desconfiar —de maneira equivocada— que o filho fosse homossexual, o que acabou com a expulsão do rapaz de casa.

"Eu não sofri tanto preconceito quando escolhi viver de arte, mas muitos amigos meus não tiveram a mesma sorte”, diz Augusto. O ator, cuja formação se deu no grupo de teatro Nós do Morro, no Morro do Vidigal, Rio de Janeiro, diz que aprendeu a se jogar de corpo e alma nos processos de criação de seus personagens. "Estamos abordando na televisão temas polêmicos que precisam ser discutidos pela  sociedade", acrescenta.

O ator acredita que o público é capaz de se identificar com os assuntos tratados. Na novela, a professora de Leandro, a personagem Gabriela (Camila Morgado), dá suporte ao rapaz ao dizer que a performance drag queen é apenas uma expressão artística.

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