Comic Con

Alexandre Nero alfineta Bolsonaro: 'Vilão é engraçado desde que não seja presidente'

Ator, Mariana Ximenes e Claudia Raia falaram sobre fascínio dos malvados na CCXP

Alexandre Nero é Tonico Rocha na novela "Nos Tempos do Imperador" - João Miguel Júnior/Globo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Ao falar sobre o seu novo personagem na novela "Nos Tempos do Imperador", da Globo, Alexandre Nero disse que o seu vilão Tonico vai causar indignação, mas também deve fazer o público dar muitas risadas. Ele comparou o personagem a alguns políticos brasileiros que hoje estão em "cargos altíssimos", em uma clara referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"É mais ou menos como o Odorico Paraguaçu, que o Paulo Gracindo fez tão brilhantemente em 'O Bem Amado' [1973]. Era um vilão caricato, todo o mundo dava risada, e ninguém poderia imaginar que hoje um homem daquele poderia estar em um cargo altíssimo no governo. É muito engraçado desde que não seja um presidente, um governador", afirmou. A declaração foi dada durante o painel Vilões que Amamos Odiar, do Globoplay, nesta sexta (4), na CCXP World.

"O Tonico é mais ou menos esse cara, ele é muito engraçado, mas desde que seja ficção", completou. Mariana Ximenes, que também participou do painel e contracena com Nero na novela, confirmou que Tonico vai fazer o telespectador dar risada. "Ele é engraçado sim. A minha personagem não vai gostar dele, eles já têm uma rixa logo de cara", disse.

"É tipo o maluquinho do bairro, que a gente dá risada desde que não entre na nossa casa", acrescentou Nero.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a estreia de "Nos Tempos do Imperador", inicialmente prevista para o final de março, teve de ser adiada e só vai ao ar em 2021.

REAÇÃO DO PÚBLICO AOS VILÕES

O painel Vilões que Amamos na CCXP foi mediado pela atriz e apresentadora Fabiana Karla e contou também com a presença de Claudia Raia. A atriz lembrou da reação do público quando ela fez a sua primeira vilã: Ângela Vidal, em "Torre de Babel", de 1998. Na ocasião, Enzo, filha mais velho dela, tinha 1 ano e ela conseguiu acompanhá-lo em uma aula de natação.

"Eu entrei com o Enzo no colo na piscina, e todas as mães saíram com seus bebês. Fiquei sozinha na piscina com ele no colo, não imaginava que isso ainda fosse assim", relatou. Claudia contou também outra situação vivida quando interpretou Lívia Marini em "Salve Jorge" (2012-2013). Certa vez, quando foi entrar em um elevador lotado, todas as pessoas se retraírem diante da sua presença. "Eu falei: 'Gente, eu sou fofa, sou boazinha, sou uma graça, não sou a Lívia Marini. Eu não tenho uma injeção ampola na bolsa para matar ninguém'. É hilário porque o público entra [na história] e olha que eu faço muitos personagens de comédia, divertidos, muito musical, sempre muito alegres", disse.

Mariana Ximenes contou que não chegou a apanhar de telespectador, mas levou três bolinhas de papel na cabeça quando gravava uma cena no meio da rua como Clara, a vilã de "Passione" (2010-2011). Em outro momento, uma senhora mais velha a abordou com irritação. "Ela passou e falou: 'Não faz isso com o Totó'. Ficava gritando, vermelha.", relatou. Totó era o personagem vivido por Tony Ramos, alvo da vilã.

"Fazer vilania com o Tony, daí você tem que pedir aumento, porque você vai apanhar na rua mesmo", brincou Alexandre Nero.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem