Comic Con

Artista cria figurino com materiais reciclados e vence campeonato de cosplay na CCXP

Final da competição encerrou o evento geek neste domingo (8)

Jaqueline Fernandes, 31, venceu o Concurso Cosplay da Comic Con 2019 com personagem Diablo Prime Evil, do jogo de RPG "Diablo III"
Jaqueline Fernandes, 31, venceu o Concurso Cosplay da Comic Con 2019 com personagem Diablo Prime Evil, do jogo de RPG "Diablo III" - Ariel Martini-8.dez.2019/Divulgação
São Paulo

A paulistana Jaqueline Fernandes, 31, venceu o Concurso Cosplay da Comic Con vestindo um figurino feito com materiais reciclados. A final da competição, que contou com 12 artistas selecionados por voto popular, encerrou o evento geek neste domingo (8) e premiou a participante com um carro 0 km e quatro bonecos colecionáveis.

Em frente a um aglomerado de cerca de 350 pessoas, Fernandes interpretou o personagem Diablo Prime Evil, do jogo de RPG "Diablo III". Para isso, ela conta ter criado uma fantasia com, além de materiais reciclados, borracha EVA e 6 kg de cola quente usados para criar as nervuras do personagem.

"Eu já faço cosplay há alguns anos e isso é caro. Só que, como eu não tenho tanto dinheiro, tenho que ser criativa com os materiais", diz a jovem, que demorou dois meses para confeccionar o figurino com a ajuda de um colega. Segundo Fernandes, sua fantasia custou R$ 500, ao passo que outra de mesmo porte, feita tradicionalmente com latex ou silicone, custaria entre R$ 2 mil a R$ 3 mil.

 

A artista conta que já notou estranhamento de algumas pessoas por ela fazer cosplay. "Na família a gente sempre sofre algum tipo de preconceito porque nossos pais acham que a gente só está gastando o nosso tempo à toa, mas com cosplay a gente aprende várias técnicas como costurar, mexer com madeira, editar vídeo", afirma Fernandes. "Alguns se tornam atores. É incrível o quanto você pode aprender só fazendo cosplay."

Essa é a segunda vez que Fernandes vence na principal categoria do concurso, repetindo a conquista de 2017, quando fez cosplay de Sarah Kerrigan, a vilã da série de livros e jogos "StarCraft". Para ela, o hobby virou também profissão. Após aprender a criar seus próprios figurinos, a artista passou a criar e vender fantasias customizadas.

Fernandes conta que a maioria das encomendas que recebe são para fantasias de "League of Legends". "Eles fazem cada dia mais skins e todo mundo quer", explica. Suas criações não ficam restritas ao universo do cosplay e ela atende a demandas para festas como o Carnaval. "O Carnaval é muito similar ao cosplay, os tipos de fantasias, os materiais usados, então a gente aprende muito também", diz a artista, que afirma ter aprendido algumas técnicas de confecção durante uma visita ao Sambódromo.

A final contou com performances de personagens como Newt Scamander, de "Animais Fantásticos e Onde Habitam", Miss Fortune, de "League of Legends", e Soluço, de "Como Treinar o seu Dragão".

Para vencer a competição, no entanto, não basta ter um figurino primoroso. Os participantes precisam incorporar movimentos e trejeitos dos personagens em uma curta e cativante encenação. Outro destaque da competição foi a performance de Bruno Leão, 26, que venceu na categoria de melhor performance ao interpretar capitão Li Shang, o mocinho de "Mulan".

O carioca conta que começou a fazer cosplay há pouco mais de um ano, quando venceu um concurso em uma festa vestido de Miguel, de "Viva - A Vida É uma Festa". "Como prêmio, me deram um ingresso para a Comic Con do ano passado. Eu vim, me interessei mais e me inscrevi para a competição deste ano", diz ele, que é ator de produções teatrais infanto-juvenis.

"No teatro, nem sempre tem aquele personagem que a gente pode fazer, porque a peça não é muito rentável ou você não está dentro do perfil, embora eu pude fazer cosplays que não são para o meu perfil. Por exemplo, o Shang é alto e eu sou pequeno, mas eu tento me aproximar ao máximo. Cosplay é um jeito de fazer quem você quer."

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