Comic Con

Marvel aposta em diversidade para sua nova fase, com heróis asiático, deficiente e LGBTQ

Novas produções foram anunciadas na Comic Con de San Diego

Presidente da Marvel Studios Kevin Feige e a atriz Scarlett Johansson, a 'Viúva Negra' - Chris Delmas / AFP
Brooks Barnes
Los Angeles

A Marvel Studios gerou mais de US$ 22 bilhões (R$ 82,7 bilhões) em vendas mundiais de ingressos, de 2008 para cá. Os 23 filmes que ela lançou no período transformaram, personagens menores de quadrinhos como o Homem de Ferro e Rocket Raccoon em pedras de toque culturais. Até mesmo "Homem-Formiga" foi sucesso.

Mas há meses a Marvel vinha mantendo o recato, diante dos fãs, dos estúdios rivais e de Wall Street, quanto aos seus futuros projetos. No último sábado (20), o estúdio enfim mostrou o que viria a seguir: uma linha de filmes e séries para serviços de streaming interconectados que enfatizam a diversidade dos dois lados das câmeras. As ofertas incluirão o primeiro herói abertamente LGBTQ em um filme da Marvel, um super-herói deficiente físico e um filme cuja âncora é um herói asiático.

Os filmes e séries ou elevarão ainda mais a Marvel ou exporão as limitações do estúdio. Até agora, Kevin Feige, o "fanboy" que comanda o estúdio, vinha se concentrando exclusivamente em filmes. Mas a Disney, que controla a Marvel, agora conta que ele produza séries de consumo obrigatório para o serviço de streaming Disney Plus, que deve estrear dia 12 de novembro.

E ele terá de fazê-lo sem alguns dos heróis mais populares da Marvel, entre os quais Homem de Ferro e o Hulk, que estão passando por períodos de repouso muito necessários. Feige anunciou os novos projetos da Marvel em uma palestra noturna na Comic-Con International, uma convenção anual que atrai 140 mil pessoas a San Diego.

Scarlett Johansson estrelará "Viúva Negra", retomando seu papel como espiã e super-assassina em filmes anteriores da Marvel, a exemplo de "Capitão América: Guerra Civil". Os fãs vinham pressionando o estúdio há muito tempo para que desse um filme próprio à personagem (e com isso pudesse vender ainda mais produtos derivados). Dirigido por Cate Shortland, "Viúva Negra" chegará aos cinemas em maio.

Angelina Jolie, Kumail Nanjiani, Salma Hayek, Brian Tyree Henry e Richard Madden estrelarão "Os Eternos" com estreia marcada para novembro de 2020. O foco vai ser um grupo de imortais misteriosos, um dos quais surdo. A diretora do projeto, Chloé Zhao, é chinesa e conhecida por filmes de arte modestos como "The Riders", que faturou US$ 2,4 milhões (R$ 9 milhões) nas bilheterias em 2018

A Marvel também vai tentar reproduzir o sucesso que conseguiu no cinema com "Pantera Negra", cujo elenco era majoritariamente negro, ao adicionar um super-herói asiático ao seu universo cinematográfico. "Shang Chi e a Lenda dos 10 Anéis" será estrelado por Simu Liu, um ator canadense de origem chinesa, no papel título, e também contará com Awkafina; a estreia deve acontecer em fevereiro de 2021. A direção é de Destin Daniel Cretton, cineasta nipoamericano conhecido por "Short Term 12", um filme "indie" de 2013.

Os futuros lançamentos da Marvel incluem também "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" (maio de 2021) e "Thor: Amor e Trovão" (novembro de 2021). Uma grande reviravolta será a presença de Natalie Portman como versão feminina do deus do trovão. O quarto filme da série Thor terá Tessa Thompson retomando seu papel como Valkyrie; Thompson confirmou na Comic-Con que sua personagem terá uma narrativa lésbica.

"Como novo rei, ela precisa encontrar sua rainha", disse Thompson. "Essa será a primeira tarefa".
Feige disse que está trabalhando em uma nova versão do filme de vampiros "Blade", agora a ser estrelado por Mahershala Ali, e em um novo filme do Quarteto Fantástico, que sairá em companhia de "Capitã Marvel 2", "Pantera Negra 2" e "Guardiões da Galáxia Volume 3", provavelmente em 2022.

Se não rei do planeta, Feige se tornou pelo menos o rei de Hollywood, no final de semana. A Disney anunciou que, como previsto, "Vingadores: Ultimato" deve ter superado "Avatar" de James Cameron, por volta do domingo, para se tornar o filme de maior bilheteria em todos os tempos, desconsiderada a inflação. "Avatar" faturou US$ 2,79 bilhões (R$ 10,4 bilhões) nas bilheterias mundiais uma década atrás, o equivalente a US$ 3,3 bilhões (R$ 12,4 bilhões) em dinheiro atual.

"O sucesso espantoso de ambos os filmes é prova corrente do poder do cinema para comover as pessoas", disse Alan Horn, copresidente do conselho e vice-presidente de criação da Disney Studios, em comunicado. Horn não pode se vangloriar muito de destronar "Avatar", que se tornou parte do acervo da Disney, com a conclusão da transação de US$ 71,3 bilhões (R$ 268 bilhões) Que transferiu a maior parte dos ativos de entretenimento controlados por Rupert Murdoch para o grupo – e há quatro continuações do filme de Cameron a caminho.

A próxima fornada de filmes da Marvel – Fase 4, no jargão do estúdio –, depois que "Homem-Aranha: Longe de Casa" concluiu a fase precedente, terá histórias que poderão ser aproveitadas na tela pequena, o que é inédito no reino de Feige. Até agora, os produtos Marvel para TV, como "Jessica Jones" e "Agentes da SHIELD", eram trabalho de uma divisão menor da empresa.

Quatro das cinco séries em que Feige está trabalhando têm personagens dos Vingadores como foco. Tom Hiddleston retomará o papel de malvado em "Loki" (2021). Elizabeth Olsen retomará a etérea Feiticeira Escarlate em "WandaVision" (2021). Anthony Mackie retornará como Falcão em "The Falcon and the Winter Soldier” (2020). E Jeremy Renner estrelará em “Hawkeye” (2021).

Uma quinta série, "What If...?" (2021), é um projeto de animação, e seu foco são versões alteradas de momentos cruciais de velhos filmes da Marvel.​

The New York Times

Tradução de Paulo Migliacci

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