Música

The Weeknd quer 'experiência cinematográfica' no Super Bowl após ficar fora do Grammy

Cantor desfilará hits no intervalo da final entre Tampa Bay e Kansas City Chiefs

O cantor canadense The Weeknd Instagram/theweeknd

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São Paulo

O rapper canadense The Weeknd quer mostrar que o menosprezo do Grammy 2021 por ele já é coisa do passado. No intervalo do Super Bowl 55, em Tampa, o artista desfilará hits de seus mais de dez anos de carreira em cerca de 15 minutos de apresentação. A partida final do campeonato da NFL (a liga de futebol americano dos EUA) será, neste domingo (7), entre Tampa Bay Buccaneers e Kansas City Chiefs, com transmissão da ESPN a partir das 20h30 (horário de Brasília).

Nove dias depois da performance será o aniversário de 31 anos do rapper (16 de fevereiro). O conjunto de fatores, para ele, deverá ser o segredo para uma apresentação marcante. "Temos realmente nos concentrado em atrair os fãs em casa e fazer da apresentação uma experiência cinematográfica. E queremos fazer isso com o Super Bowl", disse The Weeknd à Billboard.

O artista, cujo nome verdadeiro é Abel Makkonen Tesfaye, gastou cerca de R$ 38 milhões do próprio bolso para concretizar seu sonho. Neste ano, a NFL receberá menos de 25 mil torcedores, o menor público já registrado em um Super Bowl, e menos de 50% da capacidade de público do Raymond James Stadium. O evento é o mais assistido do planeta e estima-se que sejam mais de 100 milhões de fãs na frente da TV.

De acordo com o jornal The New York Times, a liga distribuiu 7.500 ingressos gratuitos para trabalhadores da saúde que já receberam vacina para o coronavírus. Outros 14,5 mil ingressos foram vendidos a torcedores que não precisarão passar por exames ou vacinação antes de entrarem no estádio, e outros 2.700 torcedores ocuparão os camarotes de luxo. Todos os torcedores que assistirão ao jogo receberão um kit de equipamento pessoal de proteção, que inclui uma máscara KN95 e álcool desinfetante.

A apresentação deverá ser repleta de infraestrutura, pirotecnia e surpresas. O repertório deve conter as músicas de seu recente e elogiado álbum, "After Hours", e contemplar outras canções mais conhecidas da carreira, como "The Hills", "Can’t Feel My Face" e "Starboy".

O conceito adotado no show deve repetir o formato de seus clipes nos quais ele aparece com terno vermelho e camisa preta em produção sombria e sangrenta, uma crítica ao padrão estético de Hollywood. "Todos nós crescemos assistindo aos maiores artistas do mundo tocando no Super Bowl, e só se pode sonhar em estar nesta posição. Estou comovido, honrado e extasiado de ser o centro deste palco neste ano", disse The Weeknd, em um comunicado.

O produtor do evento, Jesse Collins, afirmou que o show será ao vivo, sem cortes nem montagens com outras cenas de arquivo ou pré-gravadas. "Tudo está acontecendo naquele estádio, naquele momento", disse Collins ao Entertainment Tonight. "Não estamos saltando para outro estádio e, em seguida, interrompendo, como algumas pessoas tiveram que fazer [anteriormente]. Nós somos afortunados o suficiente e podemos fazer show ao vivo."

The Weeknd iniciou sua carreira em 2010 e acumula sucessos de R&B como "Can’t Feel My Face", "Heartless" e "Blinding Lights". Ele já ganhou três prêmios Grammy e nove da Billboard. O cantor teria reagido negativamente ao não ser lembrado mais uma vez no Grammy, embora tivesse sido convidado para o Super Bowl e por seu álbum "After Hours".

"Eu uso golpe inesperado como analogia. Porque isso me atingiu do nada. Eu definitivamente senti muito. Não sei se foi tristeza ou raiva. Foi só confusão. Precisava de respostas, tipo ‘o que aconteceu?’”, disse o rapper em entrevista à Billboard. “Fizemos tudo certo, eu acho. Não sou uma pessoa pretensiosa. Eu não sou arrogante. As pessoas me disseram que eu seria indicado. O mundo me disse. Tipo: ‘é isso, este é o seu ano’. Estávamos todos muito confusos”, disse o músico, nascido em Toronto, no Canadá.

EDIÇÕES PASSADAS

Jennifer Lopez e Shakira foram a atração principal do intervalo do Super Bowl em 2020, na vitória do Kansas City Chiefs sobre o San Francisco 49ers por 31 a 20 –encerrando jejum de títulos de 50 anos. A apresentação das duas artistas durou menos de 15 minutos e foi comentada a exaustão nas redes sociais.

A edição de 2020 do Super Bowl sucedeu o ano em que o evento teve a audiência média mais baixa desde 2008, nos Estados Unidos. A vitória do time New England Patriots sobre Los Angeles Rams, em 2019, com show do Maroon 5 no intervalo, teve média de 98,2 milhões de telespectadores na CBS, segundo a empresa de informações e dados Nielsen Media Research.

Em 2018, a audiência havia sido de 103,4 milhões de pessoas. Ainda assim, o número de espectadores da edição de 2019 representa 44,9% das residências norte-americanas. O recorde do Super Bowl, no entanto, foi em 2015, quando foi assistido por uma média de 114,4 milhões de pessoas na NBC –atualmente a exibição do evento é feita pela Fox nos Estados Unidos– e teve show de Katy Perry.

DEZ SHOWS MARCANTES DO SUPER BOWL:

1 - Michael Jackson - 1993

Dizem que foi após o show do rei do pop que o evento musical do intervalo alcançou um novo patamar, com performances que se aproximam das superproduções de turnês e audiência cada vez mais maciça. Sozinho no palco, Michael cantou "Black or White" e "Billy Jean", entre outras.

2 - U2 - 2002

O primeiro show após o 11 de Setembro é considerado também um dos mais emocionantes pelos americanos. A banda irlandesa fez um tributo às vítimas do atentado, tocando as músicas "Where the Streets Have No Name" e "MLK" enquanto os nomes de pessoas que perderam a vida no ataque eram projetados no estádio.

3 - Janet Jackson e Justin Timberlake - 2004

Ninguém lembra que música a irmã de Michael cantou ao lado de Justin. Mas todos lembram da ousada coreografia com direito ao rapaz puxar parte da roupa da moça deixando o seio dela à mostra. Janet e Justin juram que não foi intencional. O fato é que, após o episódio, as transmissões desses shows têm um delay de alguns segundos para evitar cenas tão ousadas ao vivo.

4 - Paul McCartney - 2005

Sir Paul não precisa de muita produção. Quem viu seus shows no Brasil sabe que o homem só precisa de um piano no palco para levar toda a plateia ao êxtase (ou às lágrimas). Seu setlist teve as clássicas "Hey Jude" e "Live and Let Die". Após o show, a venda de músicas dos Beatles cresceu 60%.

5 -

No Super Bowl 40, em Detroit, a atração foram os Rolling Stones em um palco que imitava a boca que é ícône do grupo. Não faltou, claro, “Satisfaction”, que Mick Jagger disse com humor que poderia ter sido interpretada no Super Bowl 1. O show teve ainda “Star me Up” e “Rough Justice”.

6 - Prince - 2007

O show de Prince começou com uma introdução de “We Will Rock You” e teve direito a uma versão de “Proud Mary”. Além de solos de guitarra, Prince fez o “grand finale” com “Purple Rain”, levando o público ao delírio.

7 - Bruce Springsteen - 2009

Quem teve a chance de ver a passagem de Bruce Springsteen no Rock in Rio sabe que o cantor domina o palco como poucos. Seu show de quatro músicas foi encerrado com seu hino, “Glory Days”. Antes disso, ele já havia recusado várias vezes o convite para se apresentar no Super Bowl.

8 - Madonna - 2012

Reza a lenda que a audiência do show do intervalo foi maior que a do jogo. Durante a performance, Madonna bateu o recorde de postagens por segundo no Twitter na época (10.245). O setlist contou com "Like a Prayer", "Vogue" e "Give me All Your Luvin", com participações de Nicki Minaj e M.I.A.

9 - Beyoncé - 2013

Acompanhado por 104 milhões de telespectadores, o show no Superdome foi um grande espetáculo visual e reuniu o Destiny’s Child, grupo que lançou Beyoncé. Em ritmo alucinante, a popstar distribuiu os principais hits, incluindo “Crazy in Love” e “Single Ladies”.

10 - Katy Perry - 2015

Montada em um grande leão metálico, Katy Perry iniciou o show com o hit “Roar”. Como apresentações de anos anteriores, a performance foi recheada de efeitos, pensando no público que acompanhava pela TV. Lenny Kravitz reforçou o espetáculo com um dueto em “Kissed a Girl”. Em seguida, a cantora apareceu com outra roupa e cercada de dançarinos trajando fantasias de tubarão, bolas ou árvores.

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