Música

Zé Neto e Cristiano dizem que lives ajudaram a sobreviver, e descartam shows drive-in

Dupla lamenta impacto da pandemia em seu último projeto

Zé Neto e Cristiano Divulgação

São Paulo

O sertanejo foi um dos gêneros musicais que mais aproveitaram a onda das lives nesta pandemia, que já chega a 130 dias. A dupla Zé Neto e Cristiano afirmou nesta quinta-feira (23) que elas foram a alternativa para sobreviver ao cancelamento de shows, mas que apresentações sem público são na verdade “ruins demais”.

“A gente não precisa falar o quão ruim está sendo essa pandemia, é só olhar aí. Ela veio para separar homens dos meninos. Mas está fazendo muita gente se reinventar, buscar coisas novas. Quando você ia ver um artista fazendo live para sobreviver? É muito complicado”, disse Zé Neto em entrevista por videoconferência.

Segundo a dupla, o impacto financeiro foi grande, mas até agora ela conseguiu manter os cerca de 45 funcionários que já tinha antes da suspensão dos shows. Cristiano salientou ainda que as pessoas esquecem que por trás dos cantores existe uma empresa, que precisa de capital de giro, fazer pagamento de impostos.

Apesar da importância das lives na sobrevivência da dupla na pandemia, os músicos afirmam que não devem experimentar também os shows drive-in, que têm ganhado força nas últimas semanas. “É algo que ainda nem discutimos”, diz Cristiano, acrescentando que a dupla não deverá optar por esse formato: “Pelo menos não há planos.”

Mas não são apenas as finanças que fazem a dupla lamentar. Zé Neto e Cristiano tinham acabado de lançar o DVD “Por Mais Beijos ao Vivo”, quando começou a pandemia. “A gente lançou ‘Por mais beijos ao vivo’ e não pôde mais beijar. A gente fez todo um projeto com dois shows e nem conseguiu fazer”, desabafou Cristiano.

“A gente está tão perdido quando barata cheia de Baygon”, brincou o cantor, sobre os novos projetos. Segundo ele, a dupla já tem um novo trabalho praticamente pronto, mas guardado, porque eles acreditam que as músicas do DVD anterior ainda têm potencial para emplacar. “Tem música boa nesse repertório”, disse.

Pelo lado bom, os cantores afirmam que a pandemia os deixou mais perto da família, e num momento bastante importante, já que os dois tiveram filhos recentemente. Angelina, filha de Zé Neto, nasceu em maio, enquanto o filho de Cristiano, que recebeu o mesmo nome artístico do músico, nasceu em fevereiro.

“Estou aproveitando cada fase do Cristiano que não consegui acompanhar da Pietra, 2. E também estou cheio de dor nas costas de ser o Spirit, cavalo dela [da filha]”, contou Cristiano. Com isso, a dupla afirma que não deverá retomar o ritmo de trabalho que tinha nos últimos anos, principalmente em 2018.

“Aquele ritmo acelerado nunca mais, a gente descobriu o gosto de curtir a família. Eu achava que a frase ‘menos é mais’ era balela, mas hoje eu entendo. Menos trabalho, mas com mais qualidade, mais entrega. Não adianta fazer mil shows, e fazer coisa cagada, perder qualidade, nem a voz aguenta”, disse Zé Neto.

LIVES PÓS-PANDEMIA

Apesar de sentirem falta do público, Zé Neto e Cristiano afirmam que imaginam vida longa para as lives. Segundo eles, é um show com possibilidade de ser gravado, guardado e revisto. Eles mesmos dizem que mostrarão para os netos a apresentação que fizeram em junho na arena do Parque do Peão de Barretos.

Com super produção, apesar de vazia, a live foi a terceira da dupla, após duas apresentações bastante intimistas. “Nem penso nela como uma live, mas como uma gravação de DVD, que vou mostrar pros netos. Quando a galera buscar no futuro ‘Barretos 2020’ acho que vai ser aquilo, nosso show que vai aparecer”, diz Zé Neto.

E quem achou que falta de público os distanciaria dos fãs está enganado. A dupla diz que nunca esteve tão próxima deles. “Claro que tiveram problemas com o Conar, acho que a gente realmente tem que dar bom exemplo, mas a gente não encara a live como um trabalho, é um churrasco em casa.”

A citação do cantor recorda os casos de sertanejos que foram advertidos pelo Conar, órgão de regulamentação publicitária, por excesso de bebida alcoólica em suas lives. A advertência acabou atingindo Gusttavo Lima e a dupla Bruno e Marrone, mas acabou alertando todos os artistas do gênero.

E falando em churrasco, Zé Neto e Cristiano também confessaram nesta quinta-feira que o maior tempo em casa está fazendo com que eles mudem seus hábitos no que diz respeito à comida e à bebida. “Estou engordando”, confessou Cristiano, que chegou a brincar e sugerir uma pausa na coletiva para pegar algo para comer.

“Fui colocar meu macacão para andar de moto, e ele não servia mais. Comecei a pandemia com 86, e já estou com uns 93”, contou ele. Já Zé Neto revelou que não está abusando da comida não, mas da bebida. “Mas minha mulher só deixa agora no final de semana”, brincou ele.

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