Música

Daniel lança show com versões de clássicos e diz que mercado está cheio de músicas descartáveis

'Percebo canções muito parecidas no rádio, só porque dá certo'

Daniel canta de terno azul claro e sorridente em show no Santuário Nacional de Aparecida/SP
Daniel em show no Santuário Nacional de Aparecida/SP - Divulgação

Lucas Rezende
São Paulo

Esqueça o Daniel, 50, que o Brasil está acostumado a ver nos palcos desde 1985. Há três meses, o cantor trabalha em novas versões de clássicos como “Estou Apaixonado”, “Adoro Amar Você”, “Declaração de Amor” e “Eu Sem Você” e se prepara para entrar em um palco dominado por LED.

Não à toa, “Versões de Mim” é o nome de seu novo show que estreia no palco do Teatro Bradesco, em São Paulo, nesta terça (16) e quarta (17), e depois roda o país.

“A cada show, ficava me perguntando: o que fazer de novo? Que repertório colocar? A conclusão foi que existem canções eternizadas, que nunca podem ficar de fora. Por isso, decidi dar uma repaginada e colocar arranjos diferentes em 90% delas. São versões de mim, versões novas de canções que marcaram minha história e são relevantes na minha vida. A própria cenografia também terá elementos que nunca usei, como os LEDs e um sincronismo maior de luzes”, revela.

Repaginado, ele conta que a apresentação está mais moderna. "Inclusive pelos arranjos, na linha mais popular. Acho, aliás, que, por causa das mudanças, a maioria das pessoas só vai identificar as músicas quando a minha voz entrar, apesar de serem canções consagradas. Passei a achar as novas versões mais atraentes”.

 

Mudanças essas —sejam em arranjos, melodias, ou composição de palco— que, segundo ele, fazem parte de um movimento necessário em um mercado fonográfico afetado pelos serviços de streaming, pelas redes sociais e canais de YouTube. Um cenário bem diferente daquele de 1998, quando Daniel lançou seu primeiro álbum solo. 

“Dia desses eu encontrei com o DJ Alok, 27, na Sala São Paulo, e ele comentou que uma música já estava velha. Mas só tinha cinco meses do seu lançamento! Antigamente, tinha todo um trabalho de divulgação. Primeiro, passava pela rádio, aí depois a música caminhava, de repente, para o sucesso. Hoje, o impacto vem em questão de dias”, compara.

Mas se o consumo é rápido, o descarte caminha na mesma toada. “Acaba prejudicando a qualidade musical, às vezes. Vejo uma ânsia, uma loucura por um produto novo. E hoje as pessoas não tem mais tempo para ouvir as músicas nem paciência. Em paralelo, surgem canções passageiras, descartáveis, momentâneas. É como se toda canção tivesse que se encaixar numa época específica”, opina.

“Tenho percebido canções muito parecidas no rádio, seguindo uma mesma tendência, só porque está dando certo. Aí fazem mesmo assim, porque sabem que vai ser sucesso. A pegada é a mesma, começa num ritmo lento, aí evolui para um forrózinho. É como se fosse a mesma receita, sabe? Faz parte se reinventar, desde que a gente não perca a essência”, complementa.

Palavras de quem tem ainda uma outra versão de si guardada na manga: “É um sonho antigo ser ator de musical. É o que eu quero e penso para mim", conclui. 

Daniel em "Versões de Mim"

  • Quando 16 e 17 de abril
  • Onde Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500 – Bourbon Shopping São Paulo – Perdizes)
  • Preço a partir de R$180,00 (inteira)
  • Ingressos: www.uhuu.com
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