Tony Goes

Reality Deu Positivo combate o preconceito que ainda afetas pessoas com HIV

Segunda temporada do programa estreia na MTV nesta quarta-feira

Cena da segunda temporada do reality documental Deu Positivo, da MTV
Cena da segunda temporada do reality documental Deu Positivo, da MTV - Divulgação
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Até meados dos anos 1990, um portador do vírus da imunodeficiência humana só tinha uma perspectiva pela frente: uma morte iminente e dolorosa. Era apenas questão de tempo que ele desenvolvesse AIDS, uma doença que até hoje não tem cura definitiva.

Naquela época já existiam medicamentos como o AZT, que causavam graves efeitos colaterais e não garantiam uma sobrevida muito longa ao paciente. Foi só com o advento dos famosos coquetéis, combinações de remédios antivirais, que as pessoas HIV+, as "positivas", passaram a ter esperança de uma vida normal.

A AIDS segue sendo uma enfermidade gravíssima, mas hoje em dia ela é bastante controlável. A medicina avançou muito, e atualmente existem milhões de "positivos" em que o vírus não é mais detectável.

Evita-se, no entanto, dizer que eles estão totalmente curados: ainda precisam tomar regularmente a medicação, provavelmente pelo resto de suas vidas. Mas, de modo geral, eles têm um cotidiano mais tranquilo do que portadores de diabetes, uma doença também grave e controlável –não precisam, por exemplo, submeter-se a dietas rígidas, como é o caso dos diabéticos.

No entanto, o estigma persiste. Alguém que revele ser portador do HIV corre o risco de ver amigos e parentes se afastarem. Tampouco faltam casos de demissões do trabalho (o que é ilegal, aliás). Ainda persiste a crença de que os positivos são aidéticos, um termo pejorativo, mesmo que a maioria deles jamais desenvolva a doença. E ainda são tratados como se emitissem radioatividade.

Combater o preconceito é o principal objetivo do reality documental Deu Positivo, cuja segunda temporada estreia na MTV nesta quarta (1º), o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Cada um dos três episódios será exibido às 23h30, até sexta (3). E todos eles mostram portadores do HIV que levam vidas plenas e funcionais, como se jamais tivessem sido tocados pelo vírus.

O primeiro episódio já começa com uma cena de impacto. Vemos o ator Gabriel Comicchioli contar, por chamada de vídeo, para sua mãe, Arline, que ele é portador do HIV. É um momento emocionante, e ambos reagem com um compreensível medo do desconhecido. Daí em diante, o clima desanuvia.

Este mesmo episódio mostra Thaís Renovatto, uma mulher heterossexual, casada e mãe de dois filhos. Thaís é autora do livro "Cinco Anos Comigo", publicado em 2019, onde relata seus primeiros anos como portadora do vírus da imunodeficiência humana. Cheia de energia e otimismo, ela troca ideias com Jennifer Besse, que já nasceu positiva e perdeu a mãe para a AIDS quando tinha apenas seis anos de idade. Hoje, ambas têm carga viral indetectável.

O segundo capítulo acompanha o publicitário Felipe Rodrigues. Apenas oito meses depois de se descobrir positivo, ele também já está com o HIV indetectável em seu organismo, pois aderiu ao tratamento correto.

Por fim, o último programa foca o fotógrafo e diretor de arte Raul Nunnes, que se inspira no cantor Gaê para levar uma vida plena de possibilidades.

O que todos esses personagens têm em comum, além do vírus indetectável, é uma rede de apoio para enfrentar o desafio de viver com HIV, formada por amigos, familiares e profissionais de saúde. Também compartilham a vontade de disseminar informação sobre o vírus e seus tratamentos, para ajudar a construir uma nova imagem dos positivos na sociedade. Uma imagem, com o perdão do trocadilho óbvio, positiva.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem