Tony Goes
Descrição de chapéu jornalismo

Confuso e pouco empolgante, Zig Zag Arena derruba a audiência da Globo

Novo programa estreou com baixos índices e má repercussão na internet

Fernanda Gentil - João Cotta/Globo
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As competições de modalidades pseudo-esportivas, inventadas para render quedas espetaculares e muitas gargalhadas, não são novidade na TV. Chegaram ao Brasil em 1989, com as Olimpíadas do Faustão, um quadro que ficou anos no ar. No Japão, quase toda semana estreia um programa do gênero, com regras absurdas e cenários elaboradíssimos. Na Netflix, tem feito sucesso o Jogo da Lava, em que os competidores caem num líquido alaranjado e borbulhante –que, obviamente, não é lava.

A literatura para jovens levou essa ideia ao extremo, que depois foi apropriada pelo cinema. As franquias “Jogos Vorazes” e “Maze Runner” colocam adolescentes enfrentando provas dificílimas e lutando entre si até a morte, numa metáfora óbvia do mundo que os espera quando adultos. O mais recente exemplar desse filão é a violenta série sul-coreana “Round 6”, uma das mais vistas da Netflix neste momento.

A onda atingiu também a reformulação da grade do fim de semana na Globo. Depois das estreias de Luciano Huck à frente do Domingão e de Marcos Mion no Caldeirão, chegou a vez de Fernanda Gentil assumir o comando de uma atração 100% inédita, Zig Zag Arena, que entrou no ar neste domingo (3).

O cenário fabuloso lembra as entranhas de uma máquina de fliperama, cheio de luzes e cores. Mas predominam os tons escuros, que não combinam muito com o horário das 14h30. Além disso, há tantas rampas, escorregadores, colunas e painéis piscantes que o olhar não sabe onde se fixar.

Os jogos em si são todos baseados em brincadeiras infantis, como pega-pega e queimada. Mas as regras são novas, e a apresentadora perdeu um tempo enorme tentando explicar cada etapa. Já os comentaristas –o locutor esportivo Everaldo Marques, a ex-jogadora de basquete Hortência e o humorista Marco Luque– fizeram o possível para empolgar o espectador, sem muito êxito.

Os participantes desse primeiro programa eram todos profissionais da área da saúde. Médicos e enfermeiros simpáticos e esforçados, mas nenhum conhecido pelo público. Não será surpresa se, nas próximas edições, Boninho –cocriador do formato, junto com Raoni Carneiro– escalar celebridades para a competição.

A sensação é a de que a Globo gastou uma fortuna em sets elaboradíssimos, para alcançar um resultado menos divertido do que uma prosaica torta na cara. A audiência não correspondeu ao esforço da emissora. Apesar de, no cômputo geral, o Zig Zag Arena ter liderado no Ibope, com média de 10,1 pontos e picos de 12, houve momentos em que empatou e até perdeu para o Domingo Legal de Celso Portiolli, no SBT.

Além disso, o novo programa registrou índices inferiores ao The Voice Kids, cuja sexta temporada ocupava a mesma faixa horária até o penúltimo domingo (26/9). Sem falar na repercussão nas redes sociais, que foi muito ruim.

Acontece que o Zig Zag Arena já tem seus 18 episódios gravados, e deve ficar no ar até janeiro de 2022. A margem para mudanças é pequena, e qualquer ajuste custará caríssimo.

Para terminar, é uma pena que Fernanda Gentil ainda não tenha encontrado um programa de entretenimento à altura de seu talento e carisma. Depois do Se Joga, ela parece fadada a um novo fracasso com o Zig Zag Arena. A moça merecia mais.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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