Tony Goes
Descrição de chapéu Emmy

Apesar da descontração, cerimônia do Emmy teve muitos momentos chatos

Esquetes sem graça e discursos enfadonhos deram o tom da noite

Diretor de "O Gambito da Rainha", Scott Frank foi um dos lados negativos da noite do Emmy, junto com o produtor William Horberg. Entre eles, a atriz Anya Taylor-Joy - Rich Fury/ Getty Images/ AFP
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

A festa até que começou bem. Liderados pelo anfitrião da noite, o comediante Cedric the Entertainer, um grupo heterogêneo de atores e apresentadores cantou um tributo à televisão. Os produtores da 73ª cerimônia de entrega dos Emmys certamente se inspiraram pelo sucesso de Glenn Close no último Oscar, quando a atriz rebolou ao som de “Da Butt” (“a bunda”, em tradução sincera). Não hesitaram em escalar branquelos como Rita Wilson para interpretar uma paródia de “Just a Friend”, do falecido rapper Biz Markie. Deu certo.

Espalhada por mesas e lubrificada pelo álcool, como nos Globos de Ouro, a pequena plateia se levantou e dançou junto. Tomara que estivessem mesmo todos vacinados e testados. Ao contrário do anunciado, a premiação aconteceu num galpão fechado, devidamente engalanado, e não ao ar livre.

Parecia um início alvissareiro, depois de mais de um ano de premiações meio tronchas. O próprio Emmy não escapou de fazer um evento remoto em 2020, com muitos dos vencedores agradecendo seus troféus via Zoom. Este ano, ainda que com público reduzido e rígidos protocolos de segurança, a cerimônia voltou a ser presencial.

Mas o que se seguiu foi bastante irregular. Os esquetes pré-gravados de Cedric the Entertainer foram, em sua maioria, sem graça e desatualizados. Como que, em setembro de 2021, alguém ainda tenta fazer piada com o debate entre os candidatos a vice-presidente das últimas eleições americanas –aquele que foi invadido por uma mosca– ocorrido em outubro de 2020?

Alguns discursos foram divertidos. A britânica Hanna Waddingham gritou a plenos pulmões e depois quis dividir seu prêmio de atriz coadjuvante em série cômica por “Ted Lasso”, da Apple TV +, com sua colega de elenco Juno Temple.

Outros emocionaram. A também britânica Michaela Coel agradeceu sua vitória pelo roteiro da minissérie “I May Destroy You”, da HBO, com um texto pré-escrito e comovente, dedicado às vítimas de assédio sexual.

Por outro lado, os premiados pela minissérie “O Gambito da Rainha”, da Netflix, quase arruinaram a noite. O diretor Scott Frank fez um discurso longuíssimo e mandou parar por três vezes a música de fundo que avisa aos vencedores para abreviarem suas falas. O produtor William Horberg foi extraordinariamente machista quando agradeceu à atriz Anya Taylor-Joy por “tornar o xadrez novamente sexy”. Desnecessário dizer que se trata de dois homens brancos de uma certa idade.

É verdade que os produtores da cerimônia não têm controle sobre o que os agraciados dizem ao receber seus prêmios. Mas é inacreditável que entre estes haja tantos profissionais de TV que se esquecem de que estão num programa de entretenimento, e que seu primeiro objetivo é entreter o espectador.

Ainda não foram divulgados os números de audiência nos EUA desta entrega dos Emmys, mas não será surpresa se um novo recorde negativo for batido –pelo terceiro ano consecutivo.

Grammys, Oscars e similares também vêm sofrendo uma queda acentuada em seus índices. Está mais do que na hora desse pilar do showbiz americano, a cerimônia de premiação, ser totalmente repensado. As novas gerações não estão nem aí, e nem teriam por que estar.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem