Tony Goes

BBB 21: Com saída de Arthur, o último vilão, reta final só tem mocinhos

Crossfiteiro teve uma das trajetórias mais interessantes do jogo

Arthur Picoli é o 14º eliminado do Big Brother Brasil 21

Arthur Picoli é o 14º eliminado do Big Brother Brasil 21 João Cotta/Globo

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Por causa dos maus exemplos das edições anteriores, os marombados do Big Brother Brasil 21 me causam urticária antes mesmo de abrir a boca. Nesta edição, antipatizei de cara com os dois representantes da categoria, Arcrebiano Araújo e Arthur Picoli.

O primeiro durou pouco, sendo eliminado logo na terceira semana do reality. Mas o segundo sobreviveu o bastante para eu mudar de ideia a seu respeito. Faço até um mea-culpa.

Escrevi numa coluna de março que o crossfiteiro era uma das pessoas mais desinteressantes que passaram pelo BBB. Torci muito por sua saída, especialmente depois de ele tratar mal sua semi-namorada Carla Diaz.

O fato é que Arthur passou por três fases distintas ao longo do programa. Nos primeiros dias, grudou em Projota, engatando um intenso "bromance". Curiosamente, a rejeição ao rapper não respingou no capixaba. Projota foi eliminado e Arthur seguiu firme e forte, rumo à sua segunda etapa: o envolvimento com Carla.

Foi seu ponto mais baixo. A moça se apaixonou para valer, o rapaz nem tanto —e não demorou para ele não esconder o incômodo que sentia quando ela o agarrava. Carla saiu num Paredão falso, voltou ainda mais embriagada de amor e saiu para valer quando o público percebeu que ela não havia aprendido nada. Mas Arthur seguiu incólume, mesmo dando aula de como ser um boy-lixo.

Aí, o inesperado aconteceu. Sem Projota e sem Carla Diaz, Arthur se revelou um sujeito divertido, expansivo, dono de um grande senso de humor. Também mostrou um lado vulnerável e admitiu, várias vezes, que estava aprendendo muito e mudando por dentro. Em resumo: um ótimo participante de reality show.

Foi e voltou de tantos paredões que estava confiante na noite desta terça (27). Deve ter levado um baita susto quando Tiago Leifert chamou seu nome, e sua primeira reação foi de fragilidade: quase se desmanchou em lágrimas ao se despedir dos outros brothers.

Fechou, dessa forma, uma narrativa com começo, meio e fim. Teve um arco dramático como nenhum outro desta temporada, pois saiu diferente do que entrou. Inclusive na percepção da audiência.

Com a saída do último "vilão" –põe aspas nisso– restam cinco mocinhos dentro da casa mais vigiada do Brasil. Dois deles chegaram à reta final por inércia: tanto Pocah quanto Fiuk fizeram corpo mole inúmeras vezes, em todos os sentidos. Ela dormiu tudo o que pôde, exausta da faina aqui fora. Ele chorou até quando cortava frutas, além de ter se recusado a se posicionar quando provocado.

Camilla de Lucas é um caso à parte. A influenciadora teria passado despercebida nas primeiras semanas, não fosse sua altura. Peitou Karol Conká numa treta memorável, e só. Depois se uniu a João Luiz, não exatamente o mais exibido dos jogadores, mas conseguiu se destacar por suas posições firmes e sua inteligência emocional. Na minha opinião, merecia ir para o pódio.

Quem já está lá, sem a menor dúvida, são os dois protagonistas indiscutíveis dessa edição. Gilberto Nogueira e Juliette Freire parecem ter sido criados em laboratório para serem os participantes ideais de um reality show.

Esbanjam carisma e personalidade. Ela é bem mais estratégica do que ele, que sempre se deixa dominar pelas emoções. Sairão consagrados na semana que vem. E, daqui a alguns anos, quando falarmos do BBB 21, serão eles que serão lembrados.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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