Tony Goes

Mesmo com cerimônia mais ágil, audiência do Oscar despenca nos EUA

Audiência da cerimônia diminuiu 16% em relação ao ano passado

Frances McDormand ganhou troféu na categoria melhor atriz por "Três Anúncios para um Crime"
Frances McDormand ganhou troféu na categoria melhor atriz por "Três Anúncios para um Crime" - Kevin Winter-4.mar.18/Getty Images/AFP

O espetáculo inteiro levou cerca de 3 horas e 40 minutos --um recorde de velocidade, se lembrarmos que já houve edições que ultrapassaram as quatro horas de duração.

Os troféus honorários e os que premiam inovações técnicas, que já vinham sendo entregues em cerimônias separadas, desta vez não mereceram sequer uma menção.

Para incentivar os discursos curtos, um jet ski de US$ 18 mil foi oferecido ao premiado que levasse menos tempo em seus agradecimentos (o brinde saiu para o figurinista Mark Bridges, de "Trama Fantasma").

Também maneiraram nas montagens e na duração dos números musicais. Além disso, os nove títulos indicados a melhor filme não ganharam apresentações individuais. 

Nada disso adiantou. Segundo os números preliminares, a audiência da cerimônia de entrega do Oscar de 2018 nos Estados Unidos diminuiu 16% em relação ao ano passado. Já se comenta que, quando chegarem os dados finais, essa terá sido a festa menos assistida de todos os tempos.

Não é de hoje que a transmissão do Oscar está em crise. Depois do recorde positivo de 1998, quando "Titanic" levou 11 estatuetas, o público nos EUA vem caindo quase todo ano.

Isso é grave para a Academia de Hollywood, porque a venda dos direitos de exibição para a rede ABC é a sua principal fonte de renda.

Com menos audiência, o preço das inserções comerciais também cai. E o valor da transmissão também pode despencar na próxima renovação de contrato.

Cientes disso, os produtores da cerimônia já tentaram de tudo. A mudança mais radical foi a ampliação do número de indicados a melhor filme, que até 2009 eram apenas cinco. Hoje pode ser qualquer número entre cinco e dez, teoricamente para dar mais chance a filmes de grande bilheteria.

Só que, desde então, nenhum “blockbuster” conseguiu a indicação. Os finalistas costumam ser filmes independentes, de baixo orçamento e, várias vezes, baixo apelo popular.

O que fazer, então? Encurtar a cerimônia ainda mais, para atrair os não cinéfilos? Mas aí, os cinéfilos de raiz é que vão chiar.

Além do mais, se a Academia esconder as categorias mais obscuras, como curtas-metragens e documentários, ela estará traindo seu propósito maior, que é promover a arte cinematográfica como um todo.

É um dilema difícil de resolver. Talvez o conceito todo da cerimônia precise ser repensado. Afinal, o modelo atual é o mesmo desde a década de 1950.

Mas vou arriscar uma previsão: aumentaram muito as chances de "Pantera Negra" ser indicado ao próximo Oscar.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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