Tony Goes

Por que o filme 'Pantera Negra' incomoda tanta gente?

É justamente pelo sucesso que o longa vem sofrendo ataques

Pantera Negra
Chadwick Boseman vive príncipe T’Challa no longa 'Pantera Negra' - Divulgação

"Pantera Negra" faturou mais de 200 milhões de dólares em seus primeiros dias nos cinemas americanos.

O novo filme da Marvel também arrebentou em todos os mercados internacionais onde já estreou. Inclusive no Brasil: foi o mais visto do último fim de semana, com uma renda superior a 30 milhões de reais - quase o triplo do segundo colocado, "Cinquenta Tons de Liberdade".

Como se não bastasse, "Pantera Negra" não só recebeu críticas excelentes, como também vem sendo saudado como um marco na história do cinema. Afinal, trata-se de um longa sobre um super-herói negro, dirigido por um negro (Ryan Coogler), com um elenco quase todo negro.


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 É justamente por isto que o filme também vem sofrendo ataques desde que seu primeiro trailer foi lançado, em meados do ano passado.

As primeiras reações negativas vieram de grupos da chamada "alt-right": direita supostamente moderna que vem pipocando nos Estados Unidos.

Essa garotada racista resolveu derrubar a cotação de "Pantera Negra" no site "Rotten  Tomatoes", que faz uma ranking dos filmes melhor avaliados por crítica e público.

Detalhe: tentaram fazer isto sem sequer ver o filme. A definição cristalina do preconceito, que é julgar sem conhecer.

Não deu certo, assim como não tinha dado quando quiseram fazer o mesmo com "Star Wars: o Último Jedi" no final de 2017. Os dois filmes estouraram nas bilheterias, e suas notas no "Rotten  Tomatoes" continuaram altas. Pantera Negra, inclusive, aparece como o filme de super-herói melhor avaliado de todos os tempos.

Mas também existe um tipo de reação negativa mais discreta, menos explicitamente racista. É a daquele pessoal que reclama da imaginária nação africana de Wakanda, onde se passa quase toda a ação de Pantera Negra.

No filme, Wakanda é o país mais moderno do mundo. Sua tecnologia ultrassofisticada foi proporcionada por vastas quantidades de um mineral meio mágico vindo num meteorito. O povo de lá, inclusive, usa esta tecnologia para ocultar o país da cobiça do resto do planeta.

O simples fato de um oásis tecnológico florescer no coração da África já ergue sobrancelhas. Tem até quem reclame que Wakanda não é uma democracia, já que seu sistema de governo é a monarquia absolutista.

Ora essa, os países imaginários costumam ser monarquias. Não me lembro de nenhum que tivesse parlamento ou partidos políticos. Super-heróis são contos de fadas para adolescentes, e não há líderes eleitos pelo povo nesses contos. No máximo, déspotas esclarecidos.

Se Wakanda parece irreal demais, o que dizer então de Valhala, a morada dos deuses nórdicos de onde veio Thor? E da escola de mágica de Hogwarts, onde estudou Harry Potter? E do planeta Krypton, onde nasceu Superman? Apesar de ficar a milhares de anos-luz da Terra, ele tinha uma população caucasiana idêntica à do centro-oeste do EUA...

Todas essas fantasias são permitidas aos brancos. Estava mais do que na hora dos negros também terem as deles. Que, na verdade, são também as de muita gente -- haja vista o sucesso avassalador de Pantera Negra em quase todos os segmentos sociais.

Menos entre os racistas.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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