Tony Goes

Plateia da final do 'MasterChef Profissionais' foi só um 'tompêro' a mais

O mineiro Pablo Oazen é o vencedor da segunda temporada do "MasterChef Profissionais" (Band)
O mineiro Pablo Oazen é o vencedor da segunda temporada do "MasterChef Profissionais" (Band) - Carlos Reinis-05.dez.2017/Band


Fui convidado pela assessoria de imprensa da Band para assistir ao vivo à final do "MasterChef Profissionais', realizada na terça (5), e aceitei.

Por causa de outro compromisso profissional, cheguei à sede da emissora em São Paulo por volta das 23h, com o programa já em andamento. Mas ainda estava no comecinho: os dois finalistas, Francisco Pinheiro e Pablo Oazen, estavam preparando as entradas do elaboradíssimo menu autoral que constituía a última prova da competição.

Quer dizer, estavam preparando no vídeo. No imenso estúdio-cozinha, a plateia de parentes, patrocinadores e jornalistas acompanhava a prova por telões, como o espectador que estava em casa.

Quase tudo já estava gravado, é claro. Já imaginou, ter que assistir em tempo real à confecção de seis pratos complicados (duas entradas, dois principais e duas sobremesas)? Seria uma prova de resistência mais cruel do que as que Boninho inflige aos participantes do "BBB".

Mas então, para que serve a plateia? Para fazer barulho. Para emprestar grandiosidade ao desfecho do “reality”, batendo palmas quando solicitada e ficando bem quietinha em outros momentos.

Como em qualquer programa de auditório, o público é apenas um "prop" a mais. Um elemento que ajuda a compor a imagem que vai para o ar, que é o que realmente interessa. Ou, na expressão consagrada pelo chef Erick Jacquin, um "tompêro" extra.

Claro que é divertido fazer parte dessa plateia. Como em uma comédia assistida em um cinema lotado, tudo fica mais engraçado, mais emocionante, mais arrebatador. A edição ágil e a trilha sonora --frequentemente exagerada-- ajudam a criar um clima quase que de Copa do Mundo.

Desde os primeiros instantes, tive a sensação de que Pablo iria ganhar. Seu rival Francisco aparecia quase sempre à beira das lágrimas, ouvindo com resignação as críticas impiedosas dos três jurados.

Houve manipulação por parte da edição do programa? Ou Francisco é mesmo assim, menos confiante e mais sensível que Pablo?

Acontece que, além de ser um concurso culinário, o "MasterChef", em todas as suas modalidades, também é uma competição entre personalidades. Não basta ser um cozinheiro excepcional para ganhar: além de saber trabalhar sob uma pressão insana, o concorrente ainda tem que ser capaz de seduzir o público.

E, nesta edição, quem tinha a melhor narrativa era mesmo Pablo. Suas dificuldades financeiras, sua família fofa, seu carisma pessoal, tudo isso contribuiu para sua vitória. E ele ainda contava com a vantagem de não ter nenhum fã gritando “paizão!” o tempo todo.

O programa terminou pontualmente à uma hora da manhã, sem as enrolações que prejudicaram as finais de outros anos. Saí da Band o mais rápido que pude, exausto e faminto.

Pois é: o serviço aos convidados terminou antes das 23h, e para quem chega atrasado no mais badalado "reality" de culinária da televisão brasileira, só servem água em copinho.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

Final do conteúdo

Últimas Notícias

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem