Tony Goes

Compra da Fox pela Disney é decisiva para a migração da TV para a web

Trono de "Game of Thrones"
Trono de "Game of Thrones" - Phil Noble-24.jun.2014/Reuters


A HBO GO, a plataforma de streaming da HBO, está disponível no Brasil desde o começo de dezembro. O espectador não precisa mais assinar um pacote "premium" de uma operadora de TV paga para ver séries como "Game of  Thrones".

A Globo anunciou que irá combinar seu próprio conteúdo com o de sua programadora de TV paga, a Globosat, para criar uma plataforma de streaming que foi apelidada internamente de "Globoflix". Séries exclusivas para o futuro serviço já estão sendo produzidas.

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A Disney fechou nesta quinta (14) a compra de boa parte do conglomerado de mídia da 21st Century Fox, incluindo o estúdio de cinema, os canais de entretenimento e participações em produtoras como a Endemol Shine (que criou, entre outros formatos de sucesso, o "Big Brother").

Todas essas notícias recentes têm o mesmo pano de fundo: a migração, cada vez mais acelerada, da televisão "linear" --aquela com grade fixa e horários determinados, seja paga ou aberta-- para o on-demand, onde o espectador escolhe o que quer ver, na hora e lugar onde preferir.

A TV se despede das ondas e dos cabos convencionais, e chega até o público pela banda larga da internet. A mudança não é só física. Todo um antigo modelo de negócios está sendo substituído por outro, ainda não totalmente conhecido.

Explico. O produto da TV aberta é o olhar do espectador. É isto o que ela vende a suas fontes de renda, os anunciantes: a audiência de seus programas, em quantidade e/ou qualidade.

Este paradigma tradicional começou a ser quebrado com o advento dos canais pagos, que vendem assinaturas e (às vezes) não veiculam comerciais. O espectador paga diretamente a eles pelo que vê; a publicidade ajuda a bancar os custos, assim como nos jornais e nas revistas.

As plataformas de streaming como a Netflix radicalizaram este modelo. Sem nenhum tipo de propaganda, elas dependem exclusivamente de seus assinantes. Para mantê-los, é necessário oferecer conteúdo exclusivo.

Os efeitos dessa mudança já se fazem sentir. As agências de propaganda estão de pernas para o ar: durante mais de meio século, o comercial de TV foi seu principal produto, mas agora ele corre risco de extinção.

Além disso, aqui no Brasil a concessão de emissoras de TV sempre funcionou como moeda de troca na política. Se elas perdem importância, também diminui o poder dos clãs regionais que as controlam.

Neste admirável mundo novo, o conteúdo é soberano. Esta foi a principal razão da compra da maior parte da Fox pela Disney: juntas, elas correspondem a quase 40% das bilheterias americanas.

Este conteúdo vai ser crucial para a Disney construir sua própria plataforma de streaming e contestar o domínio da Netflix --que já avisou que irá intensificar ainda mais sua produção de conteúdo original.

Ainda é cedo para saber se o espectador vai sair ganhando. Mas uma coisa é certa: a TV linear tal como a conhecemos vai acabar, e quem não se adaptar aos novos tempos vai ficar pelo caminho.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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