Tony Goes

O enorme risco de uma campanha presidencial para a carreira de Luciano Huck

O apresentador Luciano Huck
O apresentador Luciano Huck - Eduardo Anizelli-20.out.2017/Folhapress


No começo do ano, Luciano Huck emitiu alguns sinais de que pensa em se candidatar à Presidência da República em 2018.

Estes sinais se converteram em ações concretas nos últimos dias. Huck vem participando de reuniões com diversos grupos políticos, analisando por qual partido e com qual chapa poderia concorrer ao cargo.

Tanta movimentação fez com que a Globo emitisse um ultimato: o apresentador e sua mulher, Angélica, que também comanda um programa na emissora, têm até dezembro para se desligarem da TV, se ele pretende mesmo se lançar na política. E não há garantia nenhuma de volta, caso a empreitada não der certo.

É aí que mora o perigo. Huck e Angélica não são exatamente fenômenos de audiência. A atração dela, "Estrelas", inclusive já tem data para sair do ar --logo antes da Copa da Rússia, em meados do ano que vem.

Mas o faturamento do casal é enorme, principalmente por causa dos contratos de propaganda. Juntos ou individualmente, Angélica e Huck estrelam dezenas de campanhas publicitárias. Uma disputa eleitoral estancaria, de uma hora para a outra, esta generosa fonte de rendimentos.

Tal disputa também seria custosa para eles, em todos os sentidos. Com as novas leis de financiamento, Huck talvez tenha que investir do próprio bolso. Uma maratona de viagens, comícios e debates aguarda por ambos. Sem falar que a concorrência irá esquadrinhar com lupa a vida privada do casal, em busca de fatos negativos que possam ser usados contra os dois.

Se Huck vencer, tanto sacrifício terá valido a pena. Ele assumiria o Planalto antes mesmo de completar 50 anos, coroando assim uma carreira meteórica. E Angélica se tornaria uma das primeiras-damas mais glamoroso do mundo, apesar de já ter declarado que não tem a menor ambição pelo cargo.

Mas o risco de derrota é grande. Para ter chances concretas, Huck precisará do apoio de muitos partidos --e são bem poucos os que ainda mantêm a ficha limpa. Também terá que neutralizar rivais poderosos como o atual governador de São Paulo Geraldo Alckmin, provável candidato do PSDB, com quem disputará fatias semelhantes do eleitorado.

Perdendo nas urnas, Luciano Huck se arrisca a chamuscar sua imagem para sempre. Sua carreira artística pode ser interrompida, e algumas marcas talvez não queiram mais se associar a ele. O mesmo pode acontecer com Angélica.

Claro que tudo isto deve estar sendo discutido à exaustão pela assessoria do casal, pesando os prós e os contras. De qualquer forma, a corrida presidencial de 2018 não ficará sem um nome do showbiz: o folclórico Dr. Rey já anunciou sua candidatura, num óbvio lance para voltar aos holofotes. Para este, o risco para valer é ser esquecido pela mídia.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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