Tony Goes

A série "Downton Abbey" ilumina o começo do século 20

Há mais de um ano que só ouço maravilhas de "Downton Abbey". Esta série inglesa vem fazendo sucesso no mundo inteiro e já ganhou uma pá de prêmios importantes. Finalmente estreou no Brasil, no canal Globosat HD (sábado, às 22 horas). Matei minha curiosidade e suspirei aliviado: o programa é bom mesmo.

"Downton Abbey" não tem nada de novo. É só mais um exemplar daqueles dramas de época que os britânicos fazem muitíssimo bem. Uma tradição que vem do teatro e passa pelos filmes de James Ivory ("Uma Janela para o Amor"), sempre com cenários e figurinos deslumbrantes e atores de peso. O seriado não mexe nesta receita consagrada, mas o resultado é ótimo.
O roteiro é do veterano Julian Fellowes, que escreveu filmes como "Gosford Park", de Robert Altman, e também é ator. A fictícia propriedade de Downton Abbey, no interior da Inglaterra, atravessa uma crise: por causa de uma lei arcaica, que proíbe a transmissão de herança a mulheres, o lugar corre o risco de cair nas mãos de um parente distante da família proprietária, que só teve filhas.

Este tipo de problema soa meio ridículo para os dias de hoje, mas é justamente este o tema principal da série: a difícil passagem do século 19, com seus rituais fora de moda e sua rígida divisão de classes, para a modernidade do século 20. Fatos históricos importantes interferem na vida dos personagens: o primeiro episódio começa com a notícia do naufrágio do Titanic, e a 1a. Guerra Mundial será o pano de fundo da segunda temporada.

Enquanto os ricos tramam para manter suas fortunas, os pobres tentam sobreviver da melhor forma possível. Os empregados de "Downton Abbey" são parte fundamental da história. Dividem-se em basicamente dois tipos: os fiéis, que sacrificam a vida pessoal em benefício dos patrões, e os futriqueiros, que não hesitam em quebrar regras para se dar bem. O batalhão de funcionários vai desde o obrigatório mordomo empertigado até uma moça encarregada apenas de acender as infinitas lareiras do palácio.

Como era de se esperar numa produção luxuosa como esta, o elenco inteiro está muito bem. Mas duas atrizes se destacaram na estreia: uma delas é Elizabeth McGovern, que fez muito sucesso no começo dos anos 80 mas ultimamente andava relegada a papéis de coadjuvante. Ainda lindíssima aos 50 anos de idade, ela interpreta Cora, a americana milionária que casou com o atual titular de Downton Abbey, Lord Grantham (Hugh Bonneville), e salvou a família da bancarrota.

A outra é a insuperável Maggie Smith, que precisa se conter para não engolir tudo ao seu redor. Ela faz a matriarca do clã, a aristocrática Condessa Pensionista (título que a tradução brasileira não soube verter para o português, chamando-a de Condessa Dowager nas legendas). Seu melhor momento no primeiro episódio foi quando reclamou do brilho excessivo das novas lâmpadas elétricas, uma inovação, a seu ver, vulgar e desnecessária.

"Downton Abbey" foi concebida como uma minissérie fechada, mas sua repercussão foi tão boa que uma terceira temporada já está produção. Uma das novidades anunciadas é a participação de Shirley MacLaine como a mãe de Cora, que obviamente entrará em conflito com a sogra da filha.

Não quero perder este duelo de jeito nenhum: tomara que a série tenha êxito por aqui também e o Globosat HD continue a exibi-la. Sei que ainda não entrei totalmente no século 21, pois tenho uma preguiça enorme de baixar os episódios da internet.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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