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Rosana Hermann
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Mulheres, vamos aprender com Miley e Mariliz!

Canção 'Flowers' é uma 'ode' à nossa capacidade de abdicar do que não nos serve mais

A cantora Miley Cyrus na premiação do Grammy - AFP
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São Paulo

Li um texto no Instagram que acendeu uma luz dentro de mim, que apontou para um caminho lindo de libertação.

Era um post da jornalista Mariliz Pereira Jorge sobre a Miley Cyrus, mais precisamente sobre a letra da canção "Flowers", que Miley cantou na noite da premiação ao receber seu primeiro Grammy.

Todo mundo conhece a música e canta a letra. Mas, enquanto a gente se distrai, acaba não dando toda a atenção que deveríamos dar ao que "Flowers" nos diz.

Como bem observou Mariliz, é uma 'ode' à nossa capacidade de abrir mão do que não nos serve mais e assumir nossa autonomia, a verdadeira tradução do amor-próprio.

Na letra, Miley fala de um relacionamento que um dia foi bom, brilhante; de um sonho, uma vida construída a dois e que se consumiu em chamas. E diante dessa dor, ela não queria se separar nem queria mentir e começou a chorar. Foi quando lembrou que ela poderia comprar flores para si mesma. Que poderia escrever seu próprio nome na areia. E conversar consigo mesma por horas, dizendo coisas que ele jamais entenderia. E que ela, como toda mulher, pode tirar a si mesma para dançar e segurar a própria mão. Pode amar a si mesma mais e melhor do que ele um dia foi capaz. Que ela, enfim, pode ser feliz com ela mesma.

Mas, mais do que só rimas e palavras, Mariliz destaca que a proposta dessa canção que Miley compôs é de não fazer do fim de um relacionamento um ato de vingança, mas de empoderamento. Muitas canções escritas e interpretadas por mulheres falam dessa necessidade de se vingar de quem a fez sofrer. Pra quê?

Enquanto a gente ainda tem raiva de um ex, enquanto pensa em maneiras de se vingar, continuamos presas. Continuamos acorrentadas ao outro. E ninguém consegue voar atada a um peso morto, ancorada em alguém que já não está em nossa vida.

Deixar o que passou para trás, assumir o comando da nossa existência e seguir inteira é a descoberta da nossa potência, da nossa liberdade. Somos responsáveis por nossa felicidade. Cabe a nós levantar a cabeça e celebrar, como fez Miley feliz, naquela noite. Foram muitos os elogios ao post de Mariliz. Mulheres incríveis como Dadá Coelho, Vera Magalhães, Gioconda Brasil, Thalita Rebouças, deixaram comentários lindos. Em tempos de tanta competição, tanto ódio e falsidade, tantos sentimentos ruins, me fez bem ter esse momento de verdadeira sororidade, mulheres iluminando caminhos para outras mulheres.

É bom ter alguém, se esse alguém nos fizer bem. Mas o melhor de tudo é saber que, na nossa canção, alegria sempre vai rimar com autonomia.

Obrigada, Mariliz. Obrigada, Miley. Flores para todas nós.

Rosana Hermann

Rosana Hermann é jornalista, roteirista de TV desde 1983 e produtora de conteúdo.

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