De faixa a coroa
Descrição de chapéu Miss Universo

'Eu me sinto a Miss Universo', diz Julia Gama às vésperas do concurso

Gaúcha representa o Brasil na final, que acontece neste domingo

Julia Gama Divulgação

Antes de pisar em solo americano, onde acontece neste ano o Miss Universo, a gaúcha Julia Gama, 27, afirmou estar confiante na conquista do título. “Me sinto a Miss Universo”, disse direto de Cancún, no México, onde cumpria quarentena antes de ir para Miami.

Foram 15 dias em que a Miss Brasil fez escala no país por exigência dos EUA diante da pandemia. Nesse período, ela conversou com a coluna e falou sobre sua expectativa para o concurso, que terá sua apoteose neste domingo (16). Segundo ela, o longo período de preparação lhe dá confiança.

“Eu não subestimo as outras candidatas, mas ao mesmo tempo me sinto mais potente do que nunca para ser a Miss Universo. É até difícil dizer isso, mas me sinto a Miss Universo, e isso é muito potente e muito forte. É uma chance entre 7 bilhões de pessoas na Terra, e eu estou bem perto dela”, disse ela por videochamada.

A miss foi eleita a portas fechadas em agosto passado, ou seja, foi escolhida por votação interna e não por concurso, pela nova organização do Miss Brasil Universo. Pesaram na escolha as experiências anteriores dela, que em 2014 foi finalista do Miss Mundo, concurso concorrente do Miss Universo.

Gama também passou quase quatro anos na China, onde foi representante de uma empresa de estética. A oportunidade a ajudou a avançar bastante no conhecimento de inglês, espanhol e mandarim, sem falar da bagagem cultural. Especialistas apontam que ela não é uma das favoritas, mas tem grandes chances de levar a coroa.

Se vencer, Gama quebra um jejum de 52 anos sem títulos do Brasil no concurso. A última vencedora brasileira foi a baiana Martha Vasconcellos, em 1968. Apesar de serem 52 anos de jejum, foram apenas 51 concursos nesse período, já que a edição de 2020 foi adiada para esse ano —a de 2021 deve acontecer em dezembro.

“Não tem nada que eu penso que eu deveria ter feito e não fiz. A minha sensação é de estar exatamente onde eu deveria estar. É como se a minha vida toda tivesse me preparado para este momento. É muito forte a sensação, é muito louco sentir isso”, avalia Gama.

A ansiedade aumenta ainda entre os fãs do concurso porque desde 2013 as misses brasileiras não passam do grupo de semifinalistas no Miss Universo. A última a aparecer no top 5 foi Jakelyne Oliveira. Em 2019, a mineira Júlia Horta chegou como favorita na competição, mas desapontou o público ao ficar entre as 20 melhores.

Por enquanto, Gama parece ir bem, pelo menos nos pódios imaginários montados pelas páginas especializadas, onde está sempre presente, em posições variadas. Serão 75 candidatas disputando a vaga que, desde dezembro de 2019, pertence à sulafricana Zozibini Tunzi —um dos reinados mais longos devido à pandemia.

“Estou muito tranquila em relação ao resultado. A partir do momento que eu sinto que fiz tudo, tem a carga de Deus que sabe o que é melhor para cada um e quem vai usar melhor esse título. Então eu quero que a eleita seja alguém que use o título para impactar muitas vidas. E se puder ser eu, será uma grande honra”, afirma. Veja mais trechos da entrevista.

Quais foram suas prioridades assim que foi confirmada a data do Miss Universo?
Foram meses de incerteza, sem saber quando seria o concurso. E eles anunciaram a data só dois meses antes da final, então foi o momento de fazer os ajustes finais. Terminamos o vestido de gala da final, polimos a minha passarela, fizemos todas as gravações de material que o próprio Miss Universo exigiu, fora outros detalhes. Então foi bastante intenso, de preparativos para a minha viagem.

Por que decidiram fazer a quarentena no México?
Os Estados Unidos exigem que, saindo do Brasil, se faça uma quarentena de 15 dias em uma lista de países permitidos por eles. E desses países, a gente ficou atento todos os dias para ver quais estavam de portas abertas para o Brasil. A primeira ideia era que eu fosse para o Chile, mas lá fechou, então optamos por Cancún. Fui para um Airbnb afastado da zona de turismo, onde eu pude cozinhar e seguir a minha dieta corretamente.

No que a pandemia atrapalhou sua preparação?
A pandemia exigiu uma adaptação muito grande de mim e da equipe do Miss Brasil para que eu pudesse realizar tudo sem deixar ninguém em risco e respeitando os protocolos. A crise nos fez viver um dia de cada vez. A maioria dos estilistas e das roupas já não estavam em São Paulo, mas em outros estados. Os Correios já não estavam funcionando como normalmente, eu não podia treinar na academia, pois estava fechada. Foi uma série de detalhes que complicaram muito este momento, mas não só para mim, como para as outras candidatas. Tanto que geralmente o concurso tem cerca de 90 candidatas, e este ano baixou para pouco mais de 70.

Quantas malas você levou e como foi o transporte com a escala no México?
Eu trouxe sete malas, num total de quase 150 kg de bagagem. Uma delas é só do traje típico, que é muito volumoso. Apesar disso, acho que fomos bem concisos e precisos na escolha do guarda-roupas. Quando cheguei no México abriram todas as malas e checaram cada coisinha. Acharam que era muita coisa e ficaram desconfiados. Mas eu expliquei que eu estava indo para o Miss Universo e tinha um documento oficial do concurso para mostrar na imigração dos Estados Unidos.

O que você pode nos contar sobre a escolha do guarda-roupas?
São 30 looks para dez dias, mas tem meninas levando 150 ou 200 looks, o que eu considero um exagero. Acredito que fazendo escolhas bem feitas não é necessário mais do que estou levando. Estou muito segura com os looks, pois são lindos, de identidade, latinos e bem brasileiros. Eu apostei em cores tropicais impactantes, que me valorizam e valorizam meu corpo. São bem alegres, de diferentes marcas e estilistas brasileiros. A ideia é que, cada vez que eu entre nos lugares, as pessoas saibam que eu sou a Miss Brasil.

E o vestido da final?
Segredo de estado! Mas posso adiantar que vai ser um vestido na preliminar e outro na final, de cores diferentes. Fiz questão que, juntos, os trajes de gala contêm uma história, com o objetivo deles é simbolizar união e totalidade. Eu estou muito realizada, pois eles são muito lindos, espetaculares. Estou muito feliz. O da final, principalmente, tem muita identidade, é a Julia ali.

Como está seu sentimento às vésperas do concurso?
Meu sentimento é de dever cumprido, de ter feito absolutamente tudo. Não tem nada que eu penso que eu deveria ter feito e não fiz. A minha sensação é de estar exatamente onde eu deveria estar. É como se a minha vida toda tivesse me preparado para este momento. Ao mesmo tempo que existe uma expectativa muito grande, eu sinto algo muito positivo, eu vejo tudo acontecendo a meu favor. Além disso, estou muito tranquila em relação ao resultado que vai vir. A partir do momento que eu sinto que fiz tudo, tem a carga de Deus que sabe o que é melhor para cada um e quem vai usar melhor esse título. Então eu quero que a eleita seja alguém que use o título para impactar muitas vidas. E se puder ser eu, será uma grande honra.

Qual é o seu maior desafio no concurso?
Meu maior desafio é manter a minha energia e o meu nível de performance do começo ao fim. Eu sei que muitas cansam, é uma prova de resistência ao confinamento, então meu objetivo é me manter estável e num nível positivo para que eu fique orgulhosa.

Qual será sua maior facilidade?
As entrevistas. Isso pois, o que mais gosto é a parte de comunicação. Me sinto muito preparada e vejo hoje que é meu coração que está falando, e isso faz tudo ficar muito fácil. Não é mais mental, agora eu estou só sentindo toda essa experiência e acredito que esse será meu ponto forte.

Qual a sua opinião sobre a Miss Universo ter que saber inglês?
Se a gente olhar a história, tivemos misses que não falavam inglês. A minha impressão é de que, mais do que falar inglês, o importante é você passar a sua mensagem e conseguir arrepiar as pessoas. Vivendo na China eu vi que é possível fazer isso sem palavras, por muito tempo lá eu sobrevivi de mímicas. Então eu acho que o potencial é a capacidade da miss de tocar as pessoas, se conectar com as pessoas, mesmo sem falar inglês. No meu caso, me sinto muito confiante e tranquila para performar todo o concurso em inglês. E esse é o intuito, mas também tenho muita noção de que, quando estamos no palco, pode ser que o nervosismo chegue e eu peça o tradutor. Mas estou preparada para responder em inglês.

Você é a segunda brasileira na história a participar do Miss Mundo e do Miss Universo. O que isso significa para você?
Isso me traz a tranquilidade de estar preparada para enfrentar a maratona que vai ser lá. Traz a maturidade de anos de diferença entre um concurso e o outro. Traz o aprendizado que eu tive no Miss Mundo de que, naquela época, meu inglês não era tão bom, de que eu era muito mais jovem e que foi o meu coração quem falou e tocou as pessoas e me fez ir tão longe. E é isso que vai me fazer ir longe no Miss Universo: meu coração falando e meu propósito. Tenho tranquilidade de quem sente que a vida realmente me preparou para este momento. Me sinto muito sólida no que eu sou e acredito que isso seja muito positivo.

Como está sua garra de competidora?
Quero reforçar toda a minha admiração e respeito por cada uma delas, e sei que minha chance é de um em 75. Eu não subestimo nenhuma delas, mas ao mesmo tempo me sinto mais potente do que nunca para ser a Miss Universo este ano. Tem uma carga prática, do conteúdo prático, que eu desenvolvi este tempo todo e aprendi, e também uma carga espiritual de sentir isso dentro de mim. É até difícil dizer isso, mas me sinto a Miss Universo, e isso é muito potente e muito forte. Sinto que posso ser a Miss Universo, e vou me segurar nessa uma chance sobre 75 que eu tenho.

O que acontece se você ganhar?
Se ganhar, vou morar em Nova York e vou performar até o final do ano como Miss Universo. Certamente terei muitos compromissos internacionais, já que a vencedora é uma embaixadora mundial e é isso que eu espero, poder ajudar o maior número de causas possível. Mas, mais do que isso, um título desses muda a minha vida para sempre. Então, vou ter o poder de impactar a vida das pessoas. Eu imagino fazer tanta coisa com esse poder, com essa visibilidade, essa articulação, esses contatos... Eu realmente quero fazer a diferença na vida de muita gente. Obviamente vai ajudar na minha carreira como atriz, quero trilhar meu caminho para Hollywood, mas esse título é para servir ao mundo e ao universo e eu quero usar ele da melhor maneira possível, para o resto da minha vida.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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